Saúde Animal

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Aspectos Nutricionais – Os Nutrientes -Lipídios




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2. Lipídios

Os animais e os vegetais possuem (sintetizam) grupos de substâncias, insolúveis em água, que são via de regra denominadas de lipídios, sendo os mais conhecidos as gorduras. Assim como os aminoácidos são os componentes das proteínas, os lipídios são a união de diversos ácidos graxos. A constituição química desses ácidos, aliados à quantidade deles na molécula, é que confere o aspecto gorduroso do lipídio. São os principais combustíveis da maioria dos organismos. Dentre os lipídios aproveitados pelo organismo estão, por exemplo, o colesterol, um dos precursores da vitamina D, mas que em altas concentrações podem provocar obstruções nas veias cardíacas; triglicerídeos; hormônios esteróides etc.. Os lipídios de origem vegetal são denominados extrato etéreo, cujos níveis podem ser facilmente verificados nas embalagens dos produtos.

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Em seguimento ao estágio de amamentação, os lipídios constituem apenas uma pequena parcela na dieta da maioria dos animais, com exceção de carnívoros e humanos. No entanto, o metabolismo dos lipídios assume grande importância na nutrição, tanto pelas funções vitais desempenhadas por lipídios específicos, como pela ampla síntese das gorduras, que ocorre no organismo durante a sua deposição e na secreção do leite. Há ocorrência de lipídios como componentes essenciais em cada célula do organismo, em que uma de suas funções, junto às proteínas, é formar a membrana celular. Embora o depósito de gordura sirva basicamente como fonte de energia, aquela depositada sob a pele serve também como um isolante térmico, que impede a fuga demasiadamente rápida de calor orgânico. As gorduras acumuladas ao redor das vísceras e alguns outros órgãos funcionam como um “apoio”. Gorduras tanto de origem animal como vegetal podem ser usadas quase que com a mesma eficiência para a produção de energia. Contudo, os óleos vegetais são as fontes mais potentes de ácidos graxos essenciais.

Os lipídios são importantes na nutrição pois concentram, em média, 2,25 vezes mais energia do que o peso equivalente de proteínas ou carboidratos. Por serem abundantes em animais e vegetais, sua obtenção na dieta natural é facilitada e, na dieta industrializada, o custo para sua adição é reduzido. O lipídio mais importante na nutrição é o ácido linoléico, que deve constar obrigatoriamente na alimentação. As gorduras também podem ser sintetizadas pelo organismo a partir de ácidos graxos da dieta, de carboidratos e de produtos de degradação de proteínas.

Além de fornecerem energia, os lipídios são importantes na alimentação por influenciar na palatabilidade e textura dos alimentos e carrearem vitaminas lipossolúveis (solúveis em gordura). O tipo e a quantidade de óleos e gorduras na dieta são extremamente importantes, pois podem influenciar: 1) o apetite e a ingestão dos alimentos; 2) os níveis exigidos de minerais, vitaminas e proteínas na dieta; 3) a velocidade e a eficiência de ganhos e perdas de peso; 4) a capacidade de realizar trabalho muscular; 5) estado da pelagem; 6) aparência física; 7) o tipo de gordura depositada no organismo; 8) patologia dos tecidos.

Um desbalanço na quantidade de gordura na dieta, mesmo em pequenas proporções, podem provocar desequilíbrios metabólicos e conseqüentes enfermidades. Filhotes, principalmente os de crescimento rápido, quando alimentados com dietas desbalanceadas em gorduras, podem ficar susceptíveis a infecções e alteração na pelagem e na pele, por exemplo.
Em razão de seu alto teor calórico, são os lipídios que determinam a densidade energética de um alimento. Como dito anteriormente, também contribuem para o aumento da palatabilidade. Isso leva a uma série de cuidados como, por exemplo, tentar promover um equilíbrio entre a quantidade ideal de gordura e a moderação do paladar, ou seja, evitar um consumo excessivo de alimento. Os carnívoros suportam bem níveis elevados de gorduras e as digerem perfeitamente. No entanto, esse possível excesso deve ser estritamente reservado aos cães ativos ou que possuem necessidades energéticas elevadas, por exemplo cadelas em lactação. A grande freqüência de cães obesos é em geral associada à utilização abusiva de alimentos bastante energéticos em animais pouco ativos, sem um adequado controle de consumo. Com relação ao crescimento, deve-se estar sempre atento a escolher um alimento com nível energético (logo, de lipídios) moderado, a fim de evitar um crescimento muito rápido e indução precoce da obesidade, que é difícil de corrigir na idade adulta.

Duas famílias de ácidos graxos merecem particular atenção:

– a série “ômega 6”: o precursor do ácido linoléico, que se encontra mais naturalmente nos vegetais e pouco nos produtos animais, com exceção da gordura de frango. Sua carência provoca o ressecamento da pele, descamação, alopecia (falta de pêlos) e pêlos sem brilho.

– a série “ômega 3”: o precursor do ácido linolênico. Essa série não seria indispensável, pois pode ser sintetizada a partir do ácido linoléico. No entanto esses ácidos graxos têm uma função metabólica importante na integridade da membrana celular, no funcionamento do sistema nervoso e na indução da imunidade. Um aporte em ácidos graxos dessa série é, pois, recomendada. Podem ser encontrados em óleos de peixes.

1. Proteínas
2. Lipídios
3. Carboidratos
4. Minerais
5. Vitaminas

{INÍCIO} -{CONSIDERAÇÕES GERAIS } – { ENERGIA E METABOLISMO } – {OS NUTRIENTES } – {ALIMENTAÇÃO ADEQUADA E MÉTODOS DE ALIMENTAÇÃO } – {CONSIDERAÇÕES FINAIS } – {BIBLIOGRAFIA }

Luigi Leonardo Mazzucco Albano
Bacharel em Química
Auxiliar Veterinário
Aquariólogo