Saúde Animal

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Aspectos Nutricionais – Os Nutrientes – Minerais




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4. Minerais

Os animais necessitam receber na dieta vários elementos químicos para manter adequadamente seu crescimento e suas funções biológicas. Estes elementos podem ser agrupados em duas classes: macroelementos e microelementos. Os macroelementos incluem cálcio, magnésio, sódio, potássio, fósforo, enxofre, cloro e são necessários em quantidades relativamente grandes, da ordem de gramas por dia. Geralmente exercem mais de uma função. Dentre os vários microelementos, 15 são considerados essenciais, por participarem diretamente nas funções das enzimas. São eles ferro, iodo, cobre, manganês, zinco, cobalto, molibdênio, selênio, vanádio, níquel, cromo, estanho, flúor, silício e arsênio. São exigidos na ordem de miligramas ou microgramas.

A seguir são resumidas as principais características de alguns elementos:

Cálcio e fósforo: são minerais essenciais na dieta animal e são necessários para o desenvolvimento ósseo normal. Estes minerais proporcionam rigidez aos ossos e dentes; auxiliam a coagulação sangüínea normal e controlam a passagem de fluidos através das paredes celulares; provém cimento intercelular, ou seja, auxiliam para que as células fiquem unidas; participam na excitabilidade nervosa. Uma deficiência de cálcio ou de fósforo, especialmente durante o primeiro ano de vida, provocará fraqueza óssea e/ou deformações severas no esqueleto. Um equilíbrio correto entre cálcio e fósforo é necessário para assegurar o crescimento e desenvolvimento ósseo normais. O cálcio e o fósforo devem estar inclusos na dieta num ponto de equilíbrio por peso, de 1,2 a 2,0 partes de cálcio para cada 1,0 parte de fósforo. A ampliação desse intervalo para além do ponto mencionado pode ser prejudicial à calcificação do osso. Além disso, pode ocorrer osteoporose quando o teor de fósforo exceder o teor de cálcio na dieta. É necessária uma fonte de vitamina D, que é responsável pela absorção desses minerais pelo organismo.

Magnésio: o magnésio participa na formação do esqueleto e é indispensável para muitas reações bioquímicas sendo, porém, a quantidade de magnésio no organismo muito menor do que as quantidades de cálcio e fósforo. Cerca de 70% do magnésio do organismo encontra-se no esqueleto, enquanto o restante se distribui pelos vários líquidos e tecidos moles. Os sintomas gerais de deficiência de magnésio incluem lesões de pele, hiperirritabilidade, disfunção muscular, calcificação de tecidos moles, ossos e dentes defeituosos e crescimento retardado. Apesar de ser constatada sua essenciabilidade no organismo, ainda há poucos estudos sobre a participação e quantificação ideal para cada animal.

Sódio, cloro, potássio: estes elementos aparecem geralmente nos fluidos e tecidos moles. O sódio e o cloro são encontrados em abundância fora da célula, ao contrário do potássio, cuja concentração maior está no interior celular. O sódio e o potássio atuam numa função denominada transporte ativo, regulando a entrada e saída de líquidos e nutrientes na célula. Atuam também, em conjunto, na contração muscular e transmissão de impulsos nervosos. O potássio exerce ainda importantes efeitos sobre a atividade de diversas enzimas. O cloro forma o íon cloreto, que é responsável pelo equilíbrio do pH do sangue. Carência de sódio diminui o aproveitamento da proteína digerida; carência de potássio leva à lesões cardíacas e renais.

Enxofre: este elemento ocorre quase que totalmente em compostos orgânicos, principalmente em proteínas, nas quais está presente na forma de aminoácidos de conteúdo sulfuroso – cistina e metionina – e, de certa forma, em hormônios como a insulina. Esse elemento se faz necessário, então, principalmente no metabolismo e funcionamento das proteínas (enzimas, hormônios etc.). Na forma inorgânica, o enxofre encontra-se como um dos componentes das cartilagens, o sulfato de condroitina, na saliva e em pequenas quantidades no sangue. Um dos usos do enxofre pelo organismo é na confecção do sulfato de condroitina, substância que compõe as cartilagens; ameniza a toxidez do molibdênio, quando este é eventualmente ingerido em maior quantidade.

Manganês: esse elemento ocorre no organismo principalmente no fígado, mas está presente também em quantidades apreciáveis em vários outros órgãos e na pele, músculo e ossos. Apesar de estar presente em quantidades ínfimas, assume funções essenciais no organismo tendo, portanto, relevante papel na nutrição. Os sintomas primários da deficiência de manganês incluem comprometimento do crescimento, anormalidades ósseas, distúrbios das funções reprodutivas, defeitos no metabolismo de lipídios e carboidratos.

Ferro: embora o organismo contenha aproximadamente 0,004% de ferro, esse elemento desempenha um papel central nos processos vitais. Faz parte principalmente da hemoglobina, que dá a coloração vermelha ao sangue e é o pigmento responsável por carregar o oxigênio. Mais da metade do ferro está presente na forma de hemoglobina. A falta de ferro no organismo provoca uma anemia denominada anemia ferro-deficiente, sendo algumas das conseqüências dessa anemia maior susceptibilidade a infecções e deficiência na produção de anticorpos.

Cobre: as funções fisiológicas do cobre estão intimamente ligadas à produção da hemoglobina, pois participa (ainda que de forma não completamente entendida) do metabolismo do ferro. Participa também na composição de enzimas com metais em sua composição, na formação normal do osso, do colágeno e da elastina. Cerca da metade do suprimento normal de cobre encontra-se nos músculos. Há também pequeno estoque na medula óssea e no fígado. A deficiência de cobre pode comprometer a formação óssea, e possivelmente comprometer a reprodução.

Iodo: calcula-se que o organismo de um animal adulto tenha menos de 0,00004% de iodo, mas se esta taxa infinitesimal não for mantida na alimentação, os resultados são desastrosos. Mais da metade desse iodo encontra-se na glândula tireóide, e é justamente em relação ao funcionamento dessa glândula que decorre a necessidade do organismo. O principal sintoma da deficiência de iodo é uma moléstia denominada escorbuto ou bócio, que consiste na dilatação da glândula tireóide. Essa glândula, quando em funcionamento deficiente, resulta em atrofias física, mental e sexual. Pela sua importância, todo o “sal de cozinha” (cloreto de sódio) vem com pequena adição de iodo, em quantidade suficiente para a manutenção das necessidades da tireóide.

Zinco: esse elemento encontra-se majoritariamente nos tecidos epidérmicos, ocorrendo também traços nos ossos, músculos e sangue. Encontra-se zinco também no leite e, em grau bem mais elevado, no colostro. Evidências indicam que o zinco participa na reparação dos tecidos; está envolvido, intermediariamente, na ação de enzimas; está presente no tapetum lucidum (uma estrutura no olho de gatos e cães), que aumenta a visão no crepúsculo e em locais escurecidos, mas sua atuação ainda é desconhecida. Sinais clínicos de deficiência de zinco incluem anorexia, retardamento do crescimento, emese, conjuntivite, lesões de pele, queratite, reprodução e desenvolvimento fetal prejudicados etc..

Cobalto: a principal função do cobalto é sua participação na constituição da vitamina B12, ou cianocobalamina, que é sintetizada pela flora intestinal. Deficiências de cobalto provocam apatia, perda de apetite e de peso, enfraquecimento e possivelmente anemia. A deficiência em cobalto também provoca deficiência de vitamina B12, e conseqüentemente os sintomas de sua deficiência.

Molibdênio: o molibdênio é um nutriente essencial por ser componente de uma enzima que metaboliza a proteína purina. É encontrado no fígado, nos tecidos intestinais e possivelmente em outros tecidos e no leite.

Selênio: o selênio é um metal extremamente tóxico, mas que em quantidades ínfimas auxilia o organismo. Seu papel é, de certa forma, proteger a hemoglobina. Ele ajuda a evitar que o ferro seja oxidado, perdendo a capacidade de transportar o oxigênio. Sua aplicação é essencial em bovinos, caprinos e aves.

Vanádio: a atuação do vanádio é pouco conhecida. Supõe-se que atue, junto com o molibdênio, no metabolismo de algumas enzimas. Sua deficiência é mais notada em aves, em que o desenvolvimento das penas fica prejudicada.

Níquel: sua essencialidade foi estudada em aves, porcos, cabras e ratos. Supõe-se que o níquel desempenha atribuições no metabolismo e na estrutura das membranas e dos ácidos nucléicos.

Cromo: há poucos estudos sobre a nutrição do cromo em animais domésticos. Animais com dieta deficiente em cromo mostram uma menor tolerância à glicose, prejudica o crescimento, o metabolismo de proteínas, leva a algumas lesões de córnea.

Estanho: sua função biológica é desconhecida, porém admite-se funciona como catalisador em determinadas reações e faz parte da composição de algumas enzimas específicas. Atribui-se também ao estanho um melhor ganho de peso em animais com suplementação desse mineral.

Flúor: esse elemento encontra-se no organismo sob a forma de um mineral, denominado apatita. Ocorre no organismo adulto na faixa de 0,04% a 0,06%. Comprova-se que a ingestão de quantidade maior que a tolerada mostra-se realmente prejudicial. Os ossos perdem a cor normal e o brilho, tornam-se grossos e perdem a resistência. Os efeitos sobre os dentes são semelhantes. Há indícios de que, apesar de suas reações nocivas quando acumulado, taxas mínimas de flúor podem ser nitidamente benéficas, por exemplo na prevenção de cáries. Note-se, porém, que o flúor é um elemento cumulativo, por isso a preocupação com níveis de ingestão.

Silício: esse mineral é essencial à calcificação normal dos ossos. Pode também exercer influência na síntese de alguns açúcares e na preservação de alguns tecidos do organismo. Evidências experimentais demonstram que o excesso de silício da urina pode depositar-se no fígado, na vesícula ou na uretra, formando cálculos, e impedindo a passagem da urina.

1. Proteínas
2. Lipídios
3. Carboidratos
4. Minerais
5. Vitaminas

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Luigi Leonardo Mazzucco Albano
Bacharel em Química
Auxiliar Veterinário
Aquariólogo