Saúde Animal

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Cão Corso ou Cane Corso




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corso_image003O Cane Corso é um antiquíssimo molosso italiano, descendente direto do “canis pugnax” romano, que por sua vez descende do Mastim Tibetano, provavelmente trazido por Aníbal à península Itálica.

Mesmo excluindo a priori que o nome indique a origem geográfica da raça, a etimologia da expressão “corso” é controversa. Alguns afirmam que a palavra venha do latim ‘ cohors ‘ que significa protetor, guarda (por exemplo “praetoria cohors” é a guarda do corpo do general e ainda hoje no vaticano existe a Cohors Elvetica, ou guarda suiça).

É muito interessante também a hipótese que indica a raiz de Corso na palavra grega Kortòs , que indica o quintal, o recinto e da qual deriva a palavra cohors , que indicaria portanto o cão colocado como guarda do recinto. Esta hipótese, se verdadeira, nos traz de volta à Magna Grecia (região que compreendia o sul da Itália) e à sugestiva origem oriental dos molossos.

corso_mirahOutros buscam a origem de “Corso” em uma antiga expressão céltico-provençal que indicava força, potência. Esta última hipótese é igualmente plausível, visto que ainda hoje se encontra em algumas palavras como “corsiero” (cavalo robusto de batalha usado na idade média), no inglês “coarse” (rústico) e finalmente em alguns dialetos do sul da Itália onde “Corso” ou “Còrs” significa robusto ou altivo. Permanece o fato que, desde que começou a se estabelecer a lingua italiana, o molosso sempre foi chamado de Corso. Expressão mais adequada dificilmente poderia ser criada para descrever este cão, mistura de potência e distinção.

É importante dizer que não é uma raça extrema em nenhuma das suas características e disto resulta sua harmonia.

corso_borisA sua conformação é portanto aquela de um molosso de porte médio-grande, com musculatura muito bem desenvolvida que lhe confere um aspecto sólido, compacto e sem qualquer pesadez desnecessária.

A cabeça é bem proporcionada com o corpo, O olhar é altivo e expressivo: a mordedura levemente prognata (os incisivos inferiores se sobrepões aos superiores). O pescoço é possante. O tórax bem aberto e alto. A altura na cernelha varia de 64 a 68 cm nos machos e de 60 a 64 cm nas fêmeas, com tolerância de 2 cm a mais ou a menos; o peso médio dos machos é de 45/50 kg e nas fêmeas de 40/45 kg.

A pelagem é curta, mas não rasa, muito forte e muito abundante, garantindo uma perfeita impermeabilidade; no inverno surge um sub-pelo muito abundante também.

corso_toiaAs cores tradicionais são o preto e o tigrado, mas há também os exemplares fulvos (um marrom claro) e cinza. Nos cães cinza e fulvos surge uma máscara preta (ou cinza) que porém não deve passar da altura dos olhos.

Harmonia, força e desenvoltura são os adjetivos que melhor descrevem o seu andar natural: o trote longo com traços de galope.

As características de equilíbrio psíquico, a devoção absoluta ao dono e a versatilidade para adaptar-se aos mais variados usos são a razão de seu sucesso e difusão que a raça viveu até poucas décadas atrás.

O uso mais clássico do Cane Corso foi aquela da caça aos animais selvagens perigosos, especialmente o javali. Os sabujos e os bracos tinham que achar o animal e em seguida, após uma perseguição, obrigá-lo a parar, permitindo aos caçadores alcançá-los. Finalmente eram soltos os Corsos que tinham que saltar sobre o javali e imobilizá-lo agarrando-lhe as orelhas e o grifo. Isto permitia aos caçadores aproximarem-se sem serem atacados e matar a grande presa com um golpe bem colocado. Era esta confusão final, este epílogo sanguinolento, que exaltava os homens e que levou-os a celebrar a cena em uma longa série de representações artísticas.

Similar era a função do Cane Corso como boiadeiro, ou melhor, como cão de açougueiro. Até muitos anos atrás, os bovinos de carne eram criados em estado selvagem em regiões incultivadas e para chegar até o matadouro na cidade tinham que ser guiados por percursos de várias dezenas de quilometros. Nascidos e crescidos no estado selvagem, os rebanhos apresentavam todo o perigo de animais selvagens. Presuposto indispensável para controlar os bovinos era separar o touro, usando para isto os cães corso que tinham que paralisá-lo, agarrando-o pelo focinho com forte mordida, visto que a dor, nesta parte sensível, imobilizava completamente o grande animal. Sempre como boiadeiro o Corso tinha que defender o gado dos grandes predadores, como o urso ou o lobo.

Um tipo de caça muito particular onde o Corso era especializado era aquela ao tasso (parente da nossa ariranha). Este grande mustelídeo (chega a 1 metro de comprimento e 20 kg), de costumes notunos, era muito apreciado tanto pela pele, como pelo sabor da carne e até pela gordura, que fundida, era usada como unguento curativo. A caça era realizada à noite e exigia cães particularmente adestrados, visto que o escuro impedia o uso de armas de fogo. O Corso tinha portanto que surpreender o tasso e matá-lo com uma mordida forte na nuca, antes que este pudesse levantar-se e defender-se com suas longas e afiadíssimas garras.

Outro uso bem sucedido era a “guarda campestre”. Nas fazendas, terminada a colheita, o campo era abandonado por todos. Por vários meses, terminada a semeadura, restava somente o guardião: seu único companheiro era o cão, ajuda indispensável para defender-se de malfeitores que vagabundeavam por aquelas terras abandonadas.

Também os carreteiros que transportavam de dia e de noite, pelas estradas desertas em pleno campo, temiam continuamente os assaltos dos ladrões e para maior segurança viajavam em comboios e levavam de reserva os Cães Corso. A ecleticidade da raça foi muito apreciada também pelos grandes senhores feudais e renascentistas que a utilizaram, não só para a caça, mas também como guardas nas fortificações e como instrumento bélico. Para este propósito, os Corsos eram vestidos com faixas de couro endurecido que protegiam o peito e o dorso. Em alguns se colocavam faixas especiais que permitiam ao animal transportar sobre o dorso recipientes com substância resinosas acesas.

Desta maneira, este cães (chamados piriferos), eram de grande eficácia contra a cavalaria, pois, além de assustar os cavalos, provocavam dolorosas queimaduras ao correr por entre eles.

História menos gloriosa e recente é aquela a partir do segundo pós-guerra, onde a velocidade das mudanças nas condições sócio-econômicas e o abandono da criação de bovinos selvagens conduziu ao descaso a seleção da raça, que reduzida a poucos exemplares beirou a extinção.

Aproximadamente vinte e cinco anos atrás, alguns cinófilos, entre os quais os Prof.s Giovanni Bonatti e Fernando Casolino, o Doutor Stefano Gandolfi, o Sr. Gianantonio Sereni e os irmãos Giancarlo e Luciano Malavasi, aceitaram o desafio de recuperar a raça e fundaram a S.A.C.C (Società Amatori Cane Corso), entidade posteriormente reconhecida pela ENCI e pela FCI como sociedade especializada para salvaguarda da raça.

corso_portosHoje o Cane Corso está vivendo uma segunda juventude, graças a sua capacidade de adaptação que sempre o distinguiu nos séculos de história. É um ótimo guardião das propriedades, que vigia de perto a casa.

Mesmo tendo um senso de território muito arraigado, o Corso se apresenta muito bem como cão de defesa, graças a forte empatia com o homem.

É um cão adaptável, facilmente adestrável, mas que nunca será um robô: a sua viva inteligência se apresenta também na independência e no perseguir com um toque de iniciativa pessoal as tarefas e serviços a ele apresentados.

Na familia é um cão dócil e sociável, particularmente tolerante com as crianças para as quais, consciente de sua força, é muito delicado. O Corso tem um forte temperamento, não ama carinhos melosos, mas adora as manifestações de afeição que vêm do fundo, moderadas e constantes. Nesta situação retribui com igual intensidade e chega a manifestar uma dedicação ao dono sem igual.

Resumindo, é um cão que vive com o homem e para o homem, cuja beleza provém de sua real funcionalidade.

Cane Corso utilizado para transporte de medicamentos e depois soldados feridos na campanha da Rússia Um massaro acompanhado de seu cão
Cane Corso utilizado para transporte de medicamentos e depois soldados feridos na campanha da Rússia
Um massaro acompanhado de seu cão

Um massaro acompanhado de seu cão (Puglia, década de 20)
Um massaro acompanhado de seu cão
(Puglia, década de 20)

Sarcófago romano do IIº século, representando dois canes pugnaces – galeria degli Uffizi, Florença
Sarcófago romano do IIº século, representando dois canes pugnaces – galeria degli Uffizi, Florença

Padrão da Raça

corso_rubensCão de tamanho médio a grande, robusto, forte e ao mesmo tempo elegante. Seus contornos nítidos revelam músculos possantes.

PROPORÇÕES IMPORTANTES: o comprimento da cabeça atinge 36% da altura da cernelha. É ligeiramente mais longo do que alto.

COMPORTAMENTO / TEMPERAMENTO: cuidando da propriedade, da família e do gado, ele é extremamente ágil e obediente; no passado, foi utilizado para guardar o gado e caçar animais grandes.

CABEÇA: larga, é tipicamente molossóide, com uma ligeira convergência dos eixos longitudinais superiores do crânio e do focinho.

REGIÃO CRANIANA

Crânio: largo no nível das arcadas zigomáticas. Sua largura é igual ou maior do que seu comprimento. Sua parte anterior convexa se achata ligeiramente da testa até o occipital. O sulco mediano frontal é visível.

Stop: marcado.

REGIÃO FACIAL

Trufa: preta e volumosa com grandes narinas, bem abertas. Ela é colocada na mesma linha que a cana nasal.

Lábios: os lábios superiores, moderadamente pendentes, cobrem a mandíbula inferior de maneira que são eles que determinam o perfil inferior do focinho.

Maxilares / Dentes: os maxilares são muito largos, espessos e curvados. A mordedura tem um ligeiro prognatismo inferior. A mordedura em pinça (torquês) é admitida, mas não desejada.

Olhos: são de tamanho médio, ligeiramente ovais e colocados de frente ligeiramente protusos. As pálpebras são bem aderentes. A íris é a mais escura possível de acordo com a cor da pelagem. O olhar é vivo e alerta.

Orelhas: triangulares, pendentes e largas; sua inserção está localizada bem acima do arco zigomático. Amputadas, elas são cortadas em triângulos equiláteros.

PESCOÇO: forte, musculoso, tão longo quanto a cabeça.

TRONCO: ligeiramente mais longo do que a altura na cernelha. De constituição forte, sem ser atarracado.

Cernelha: pronunciada, mais alta do que a garupa.

Dorso: reto, bem musculoso e firme.

Lombo: curto e sólido.

Garupa: larga e longa, ligeiramente oblíqua.

Peito: tórax bem desenvolvido nas 3 dimensões, ele desce até o cotovelo.

Cauda: inserida alta, muito grossa na raiz. Amputada na quarta vértebra. Quando o cão está em ação, ela se eleva, sem jamais enrolar ou ficar na vertical.

MEMBROS

ANTERIORES

Ombros: longos, oblíquos, bem musculosos.

Braços: fortes.

Antebraços: retos e muito fortes.

Carpos e metacarpos: elásticos.

Patas anteriores: pés de gato.

POSTERIORES

Coxas: longas, largas. A linha posterior da coxa é convexa.

Pernas: secas, não carnudas.

Jarretes: moderadamente angulados.

Metatarsos: largos e moderadamente angulados.

Patas posteriores: um pouco menos compactas do que as patas anteriores.

MOVIMENTAÇÃO: passadas longas, trote alongado. O trote é a movimentação preferida.

PELE: espessa e bem aderente ao corpo.

PELAGEM

Pêlo: curto, brilhante e bem fechado com um ligeiro subpêlo.

COR: preta, cinza chumbo, cinza ardósia, cinza claro, fulvo claro, vermelho cervo, fulvo escuro, tigrado (listras em diferentes tons de fulvo ou cinza). Os cães fulvos e tigrados tem no focinho uma máscara preta ou cinza que não deve ultrapassar a linha dos olhos. Admite-se uma pequena mancha branca no peito, na ponta dos dedos e sobre a cana nasal.

TAMANHO / PESO

Tamanho: de 64 a 68 cm nos machos e de 60 a 64 cm nas fêmeas.

Tolerância de 2 cm acima ou abaixo.

Peso: 45 a 50 kg nos machos e de 40 a 45 kg nas fêmeas.

FALTAS: Qualquer desvio dos termos deste padrão deve ser considerado como falta e penalizado na exata proporção de sua gravidade.

DEFEITOS GRAVES

• Eixos superiores do crânio e do focinho paralelos ou muito convergentes, convergência das faces do focinho.

• Despigmentação parcial da trufa.

• Mordedura em tesoura, prognatismo inferior acentuado.

• Cauda levantada verticalmente, cauda enroscada.

• Cão que, na movimentação em trote, anda permanentemente no passo de camelo.

• Tamanho superior ou inferior aos limites indicados.

FALTAS DESQUALIFICANTES

• Divergência do eixo crânio-facial.

• Trufa totalmente despigmentada.

• Cana nasal muito convexa ou côncava.

• Prognatismo superior.

• Despigmentação parcial ou completa das pálpebras; olhos porcelanizados; estrabismo.

• Ausência de cauda; cauda curta.

• Pêlo semi-longo, muito curto ou formando flocos.

• Todas as cores não indicadas no padrão, manchas brancas largas.

NOTAS

• Os machos devem apresentar os dois testículos, de aparência normal, bem desenvolvidos e acomodados na bolsa escrotal.

• Anomalias físicas ou de comportamento causam desqualificação.

Informações fornecidas por Fabio de Santi – canil Giardino Del Corso http://www.canecorsoitaliano.com.br