A
Rainha e o Vôo Nupcial
A rainha é
a personagem central e mais importante da colméia.
Afinal, é dela que depende
a harmonia dos trabalhos da colônia, bem como
a reprodução da espécie.
A
rainha é quase duas vezes maior que as operárias
e vive cerca de 3 a 6 anos. No entanto,
a partir do terceiro e quarto ano a sua fecundidade
decai. A sua única função, do
ponto de vista biológico, é a postura
de ovos, já que ela é a única
abelha feminina com capacidade de reprodução.
Mas a abelha rainha desempenha um importante papel
do ponto de vista social: Ela é a responsável
pela manutenção do chamado 'Espírito
da colméia', ou seja, pela harmonia e ordenação
dos trabalhos da colônia. Ela consegue manter
este estado de harmonia produzindo uma substância
especial denominada ferormônio, a partir de
suas glândulas mandibulares, que é distribuída
a todas as abelhas da colméia. Esta substância,
além de informar a colônia da presença
e atividade da rainha na colméia, impede o
desenvolvimento dos órgãos sexuais femininos
das operárias impossibilitando-as, assim, de
se reproduzirem. É por essa razão que
uma colônia tem sempre uma única rainha.
Caso apareça outra rainha na colméia,
ambas lutarão até que
uma
delas morra.
Na verdade, a rainha nada mais é do que uma
operária que atingiu a maturidade sexual. Ela
nasce de um ovo fecundado, e é criada numa
célula especial, diferente dos alvéolos
hexagonais que formam os favos. A rainha é
criada numa cápsula denominada realeira, na
qual é alimentada pelas operárias com
a geléia real, produto riquíssimo em
proteínas, vitaminas e hormônios sexuais.
É precisamente, esta "superalimentação"
que a tornará uma rainha diferenciando-a das
operárias. A geléia é o único
e exclusivo alimento da abelha rainha, durante toda
sua vida.
A
abelha rainha leva de 15 a 16 dias para nascer e,
a partir de então, é acompanhada por
um verdadeiro séquito de operárias,
encarregadas de garantir sua alimentação
e seu bem-estar. Após o quinto dia de vida,
a rainha começa a fazer vôos de reconhecimento
em torno da colméia. E a partir do nono dia,
ela já esta preparada para realizar o seu vôo
nupcial, quando, então, será fecundada
pelos zangões. A rainha escolhe dias quentes
e ensolarados, sem ventos fortes, para realizar o
vôo nupcial.
O
Vôo Nupcial
Somente
os zangões mais fortes e rápidos conseguem
alcança-la após detectar o ferormônio.
Localizada a "princesa", dá-se início
à cópula. No entanto, os vários
zangões que conseguirem a façanha terão
morte certa e rápida, pois seus órgãos
genitais ficarão presos no corpo da rainha,
que continuará a copular com quantos zangões
forem necessários para encher a sua *espermoteca,
em média a rainha é fecundada por 6
a 8 zangões. Este sêmen, coletado durante
o vôo nupcial, será o mesmo durante toda
sua vida. Nesta fase a rainha fica na condição
de *hermafrodita.
O
vôo nupcial que a rainha faz é o único
em sua vida. Ela jamais sairá novamente da
colméia, a não ser para acompanhar parte
de um enxame que abandona uma colméia, para
formar uma nova. Ao
regressar de seu vôo nupcial, a rainha se apresenta
bem maior e mais pesada. Passará
a ser tratada com atenção especial por
parte das operárias, que a alimentam com a
geléia real e cuidam de sua higiene. Se
a jovem rainha é, por exemplo, devorada por
um pássaro durante seu vôo nupcial, sua
colméia de origem fica irremediavelmente fadada
à extinção.
Uma
ocasião grave é quando elas percebem
que a mãe de todas já não tem
a mesma energia.
Sendo uma família forte, decididamente não
se permite enfraquecer. Então concluem que
é hora de chamar à vida uma nova rainha.
Numa colméia forte sempre há realeiras
em construção: é uma questão
de sobrevivência no caso de algum acidente acontecer
com a mestra. Sendo esta, porém, prolífica,
não é permitido a estas realeiras desenvolverem-se
normalmente - a não ser nestas ocasiões
especiais. Neste caso, uma rainha cuja energia se
acaba é sinal para as realeiras seguirem seu
curso. Tendo garantida uma ou mais princesas em formação,
é necessário eliminar a velha mãe.
Uma abelha comum nunca ferroa uma rainha; ela sequer
lhe dá as costas. Assim elas são obrigadas
a usar uma tática "sutil". Formam
uma bola em torno da idosa senhora e ali a vão
sufocando até a morte; e a rainha, compreendendo
sua sina, não procura resistir. Terminada esta
etapa, começam a nascer as novas princesas.
Só pode haver uma rainha na colméia,
e a primeira que emerge logo procura as outras realeiras
para as destruir. Se duas nascem simultaneamente,
lutam entre si, e vence a mais forte. A única
sobrevivente segue seu curso normal para se tornar
mais uma rainha completa. É interessante que
neste momento toda uma família dependa de um
único indivíduo para sua sobrevivência.
Outra
situação diferente é quando a
colméia se torna pequena para a população
de abelhas, não há mais espaço
para trabalhar. Um grupo de operárias começa
a construir várias realeiras onde a rainha
é levada a depositar ovos fecundados. Passado
o período normal de incubação
a primeira princesa nasce, e seu instinto básico
força-a a tentar destruir as outras realeiras
ainda não abertas.
A
rainha também não aceita a presença
da princesa, mas as operárias já decidiram
que outras princesas devem nascer, e o objetivo não
é substituir a mestra, e sim dividir a família
em um ou mais enxames; portanto não permitem
as lutas naturais.
Depois que as princesas nascem,
um grupo de operárias dirige-se aos reservatórios
de mel e enchem seus estômagos até não
caber mais uma gota. Este grupo, normalmente bem numeroso,
prepara-se para partir. Por algum mecanismo desconhecido
convocam a rainha para a viagem. Logo sai da colméia
uma nuvem de abelhas, a rainha entre elas, e alguns
zangões. O enxame não vai muito longe.
Pousa em alguma árvore ali por perto, e algumas
abelhas mais experientes, na qualidade de escoteiras,
partem em busca de um novo local para habitar.
Quando as abelhas escoteiras retornam, há um
"conselho" para decidir qual o rumo a tomar.
Uma vez tomada a decisão elas partem para um
vôo mais longo. O enxame pode ainda parar outras
vezes. Às vezes o local escolhido não
agrada ao grupo, que então aguarda por ali,
para que nova pesquisa seja feita. Se um apicultor
tentar colocar este "enxame voador" em uma
caixa, ele poderá ou não aceitar a morada,
dependendo das informações trazidas
pelas escoteiras.
Enquanto isso, a colméia-mãe pode decidir
por lançar outros enxames, desta vez acompanhados
por rainhas virgens, ou ficar como está. Esses
enxames posteriores ao primeiro em geral são
menos numerosos e têm menos condições
de sobreviver. É muito comum a colméia-mãe
ficar com reduzido contingente de abelhas, chegando
aos limites de uma extinção, ainda mais
que contam com apenas uma chance de rainha, baseada
numa das princesas que ficou.
Quando
o grupo encontra o lugar adequado, começa a
construção do novo ninho. As abelhas
engenheiras escolhem então o ponto mais central
do que puder ser chamado de teto; ali formam um bolo
compacto e começam a gerar calor usando a reserva
de mel que trouxeram no papo. As abelhas que ficaram
no centro da bola encarregam-se de produzir cera,
e logo é possível visualizar uma fina
folha de cera vertical se formando. Em seguida algumas
abelhas iniciam a construção dos alvéolos
hexagonais, de ambos os lados da lâmina, seguindo
uma intricada arquitetura que aproveita todos os espaços
e ângulos da melhor maneira possível.
Os alvéolos são construídos de
forma a terem uma leve inclinação para
cima, evitando que o seu conteúdo escorra para
fora.
É
fascinante observar as abelhas construírem
os favos. Encostam-se umas às outras pelas
patas e começam a secretar e mastigar pequenas
escamas de cera; pouco depois as colocam e amoldam
até completar o favo (de cima para baixo).