Manejo
das abelhas
O verdadeiro trabalho
do apicultor começa após a instalação
de suas primeiras colméias. É aqui
que começam as diferenças entre a
apicultura racional da pilhagem ou exploração
de enxames que vivem em estado natural. E o papel
do apicultor é o de amparar suas abelhas
nos momentos mais difíceis, para poder beneficiar-
se nos estágios em que as colméias
se encontram na plenitude produtiva.
Para tanto, é preciso que se entenda que
a colônia vive em constante ciclo: nos períodos
de escassez de alimento, a família definha,
os zangões são expulsos da colméia,
cai a postura da rainha e, conseqüentemente,
diminui ou cessa a produção de mel,
pólen e cera.
É nesse momento que entra a ação
do apicultor, socorrendo sua colônia. Ele
deve providenciar alimento artificial para sua criação
(como veremos adiante), reduzir a entrada do alvado
nos períodos de frio, para auxiliar a manutenção
da temperatura ambiente no interior da colméia,
fornecer cera alveolada para poupar as abelhas da
trabalhosa tarefa de produzir cera, verificar o
estado dos quadros etc.
Já nas épocas de floradas abundantes,
a produção de mel da colônia,
desde que em tudo esteja correndo satisfatoriamente,
é farta o bastante para que o homem- o apicultor,
no caso - possa colher boa parte para si, sem causar
prejuízo às abelhas. Igualmente cresce
a produção de pólen, cera,
geléia real e própolis, que pode ser
explorada, racionalmente, pelo apicultor. A colônia
cresce, permitindo que o apicultor promova o desenvolvimento
de seu apiário, fortalecendo famílias
fracas, desdobrando colônias mais vigorosas,
aumentando assim seu apiário e criando novas
rainhas para substituir as já velhas, cansadas
e decadentes.
A
INSPEÇÃO DA colméia
Para
verificar o andamento dos trabalhos da colméia
e interferir nos momentos de necessidade - como,
por exemplo, fornecer alimento nos períodos
de carência, verificar a conformação
dos favos e a posturas da rainha etc. - o, apicultor
deve fazer inspeções periódicas.
Este trabalho de revisão, como foi dito,
deve ser feito pelo apicultor devidamente trajado
com sua vestimenta, em dias quentes e ensolarados
e, preferencialmente, com a ajuda de outro colega.
Neste tipo de atividade, o uso do fumegador é
obrigatório e o trabalho deve ser feito de
forma rápida, em movimentos tranqüilos,
delicados, porém decididos. Gestos ou ações
bruscas podem provocar a irada reação
das abelhas.
Para realizar o trabalho de inspeção
ou revisão, aproxime-se sempre pelo lado
de trás da caixa. Nunca interrompa, com o
corpo, a linha de vôo das abelhas, que entram
e saem da caixa em busca de alimentos.
O trabalho de inspeção começa
sempre com a fumegação da caixa. Não
faça fumaça em excesso para não
provocar o efeito contrário ao desejado,
ou seja, acabar irritando as abelhas; procure sempre
fumegar ao lado até chegar a fumaça
branca e não tão quente. Antes de
abrir a caixa para fazer trabalho de revisão
propriamente dito, faça fumaça junto
ao alvado. Duas ou três baforadas leves bastam.
Para abrir a tampa, e começar o trabalho
de revisão, enquanto uma pessoa abre o teto
da caixa a outra faz fumaça sobre a caixa
horizontalmente. Nunca diretamente sobre os quadros.
Duas a três baforadas são suficientes.
Que a fumaça seja fria ou branca e nunca
quente ou azul.
O
QUE VERIFICAR NAS CAIXAS
Não
se esqueça de que toda interferência
no trabalho das abelhas deve limitar -se ao essencialmente
necessário, para não prejudicar o
desenvolvimento da colônia. Basicamente, o
trabalho de revisão das colméias é
feito para verificar:
1) - A DISPOSIÇÃO DOS QUADROS-
Os favos, sejam eles de cria ou de mel, devem estar
em bom estado. Favos escuros, retorcidos ou danificados
devem ser substituídos por favos com cera
nova alveolada.
2) - A POSTURA DA RAINHA- Os favos, principalmente
os de centro do ninho, onde se desenvolve a família
na colméia, devem ser examinados para constatar
a presença de larvas e ovos. É uma
operação delicada e que requer atenção
visual, pois os ovos são pequenos, medindo
cerca de 2mm. A ocorrência de favos com pequeno
número tanto de crias, abertos ou fechados,
como de ovos depositados, é sinal de que
a rainha está fraca ou decadente e deve ser
substituída.
3) - ESPAÇO PARA A FAMÍLIA SE DESENVOLVER-
Se os favos da caixa estão todos ocupados,
com crias ou com alimento - mel e pólen-,
o apicultor deve providenciar mais espaço
para a família, ou seja, uma caixa extra,
com quadros dotados de cera alveolada, em cujos
favos a rainha poderá depositar seus ovos.
Um indício de que a caixa está "lotada",
ou seja superpovoada, é a formação
daquilo que os apicultores denominam de "barba"
de abelhas: a disposição, nos dias
quentes, de numerosas abelhas na entrada das colméia,
em forma de cacho.
4) - COLOCAÇÃO DE MELGUEIRAS-
O apicultor deve observar o fluxo de néctar
que está entrando na colméia e colocar
sobre o ninho uma ou duas melgueiras.
5) - SINAIS DE DOENÇA- A presença
de larvas mortas nos favos e de abelhas mortas no
assoalho da caixa é indício de ocorrência
de doença na família. Uma colméia
sadia é sempre limpa e higiênica.
6)
- FALTA DE ALIMENTO- Na entressafra, ou seja,
nos períodos em que não há
florada, principalmente durante o inverno ou nas
estações de muita chuva, verifique
se a família tem alimento suficiente. Caso
contrário, você deverá fornecer
alimentação artificial à colônia.
7) - COLETA DE MEL- Durante a florada, colha
o mel que estiver maduro devolvendo os quadros,
vazios e limpos, às melgueiras.
8) - CONTROLE DE ENXAMEAÇÃO- Para
evitar que parte da colônia enxameie, ou seja,
que abandone a colméia, verifique se a família
está formando realeiras nos favos. As realeiras,
que são cápsulas destinadas à
criação de rainhas, são formadas
normalmente, nas extremidades dos quadros, apresentando
a forma de um casulo parecido com uma casca de amendoim.
Elimine, se for o caso, estas cápsulas para
não perder a colônia.