Desenvolvendo
o apiário
Os apicultores experientes
costumam lembrar que uma colmeia forte, populosa,
produz mais do que quatro colmeias fracas. E esta
observação tem fundamento. Realmente
, uma família mais numerosa apresenta maiores
e melhores condições de defesa da
colônia e coleta de alimento do que uma
família fraca.
Este conceito, por sinal , é um dos principais
fundamentos apicultura moderna: antes de expandir
o apiário, devem- se fortalecer as colmeias
existentes. A produção final será,
certamente, muito maior.
ALIMENTAÇÃO
ARTIFICIAL
Vários
fatores interferem no desenvolvimento e fortalecimento
das colmeias. Um dos mais importantes é a
disponibilidade de alimento - néctar e pólen
- que se reduz no outono/* inverno e nas estações
chuvosas (que impedem ou dificultam as floradas).
Nestes momentos de carência de alimento, o
apicultor deve cuidar para que não falte
alimento às suas abelhas. E, para suprir
as necessidades de alimentação artificial.
De toda forma, o apicultor deve Ter em mente a alimentação
artificial só é fornecida à
colmeia para repor o alimento em falta ou para estimular
a família e, particularmente, a rainha, nos
períodos que antecedem às floradas.
O alimento artificial comumente usado pelos apicultores
é constituído de uma solução
de água fervida (para diminuir a possibilidade
de fermentação do produto), e açúcar
acrescido de mel, caso haja em disponibilidade.
Este produto - na verdade ,um xarope- é fornecido
à colmeia por meio de um alimento denominado
Boardmann, frasco acoplado a uma base de madeira,
a qual é encaixada na entrada da caixa.
O inconveniente deste sistema é que, especialmente
em apiário com grande número de famílias,
pode levar à pilhagem do alimento por abelhas
de outras colônias.
Para evitar este risco, muitos apicultores preferem
fornecer alimento artificial sólido, mais
conhecido como cândi, preparado com açúcar
de confeiteiro e água. O açúcar
é desenvolvido na água e a mistura
é levada ao fogo, sendo fervida vagarosamente,
mexendo sempre para não queimar, até
atingir o ponto de bala. Este alimento é
fornecido em cochos, que são alimentadores
instalados no interior das caixas, junto a uma das
paredes laterais, no lugar de um quadro. Neste caso
é importante colocar flutuadores - madeiras
pequenas- para que as abelhas não se afoguem.
CONTROLANDO
A ENXAMEAÇÃO
Uma
das causas de maior frustração para
o apicultor é a enxameação
de uma família, ou seja, o abandono da colmeia.
Há várias razões que explicam
esta atitude - mais comum entre as famílias
africanas e, infelizmente, não existe um
sistema de controle infalível, que seja cem
por cento eficiente. É assim que elas asseguram
sua sobrevivência e desenvolvimento.
Mas o apicultor dispõe de alguns métodos
para evitar a perda de colônias. Um dos melhores
indicadores é a observação
do desenvolvimento da família. Colônias
muito populosas, que não dispõem de
espaço suficiente para se desenvolver na
colmeia, costumam enxamear, em busca de habitação
menos apertada.
A mudança de habitação é
mais frequente nos períodos mais quentes
do ano - novembro a fevereiro -, mas nada impede
que uma família enxameie durante meses mais
frios.
O congestionamento da colmeia é ralativamente
fácil de ser constatado. Quando há
falta de espaço na caixa, as abelhas se agrupam
na entrada da colmeia, formando a aglomeração
que os apicultores chamam de barba.
Caso a barba permaneça na entrada da caixa
por muito tempo, mais de uma semana, é sinal
de que as abelhas podem enxamear em breve. Neste
caso, faça uma inspeção na
caixa para destruir as realeiras existentes e dar
mais espaço a família. Este espaço
extra pode ser obtidos pela remoção
dos quadros de mel e pólen - que impedem
a circulação das abelhas e a expansão
da colônia - ou pela instalação
de uma caixa extra, sobrecaixa, dotada de quadros
com cera alveolada. Em circunstâncias normais,
a ultima opção é mais aconselhável,
por resolver o problema por um bom tempo.
Há outros sistemas de controle de enxameação,
como os métodos de Miller de Demaree e por
despejo, por exemplo. Estes sistemas, no entanto,
requerem um certo grau de experiência e domínio
técnico por parte do apicultor, não
sendo recomendados a iniciantes. O método
de aumento de espaço, citado aqui, é
simples, prático e garante o controle da
enxameação.
Para prevenir a enxameação, nunca
deixe altar alimento à família. As
abelhas africanas são especialmente inclinadas
a enxamear na falta de alimento. E, suspeitando
da possibilidade de enxameação, elimine
os favos de zangões, cujas células
são maiores do que as de operárias.
Finalmente, uma rainha velha e decadente, com baixa
postura, pode levar a família a enxameação.
Neste caso, o único jeito é substituir
a rainha por outra mais jovem e produtiva.
FORTALECENDO
A FAMÍLIA
A
experiência demonstra que uma família
forte produz mais do que duas, três, às
vezes, quatro famílias fracas, antecipando
e aumentando a produção de mel, os
apicultores empregam a técnica de união
de famílias. Esta técnica consiste,
como o próprio nome diz, em unir duas famílias
fracas, que darão origem a uma única,
forte, populosa e produtiva.
A época mais indicada para a união
de famílias; e durante o outono (para que
a colônia suporte o inverno em melhores condições)
e durante a primavera (fortalecida, a família
poderá aproveitar melhor a florada).
Naturalmente, duas famílias não podem
ser unidas diretamente. Ambas as rainhas entrariam
em luta mortal até que uma delas fosse vencida
e as abelhas de famílias diferentes não
se aceitariam pela diferença de cheiro das
colônias. Daí a necessidade de adoção
de práticas de manejo.
Método do jornal - o método mais simples
de união de famílias é conhecido
como método do jornal. Mas ele só
deve ser aplicado em colmeias que estejam instaladas
em locais distantes entre si. Estes cuidado é
necessário, devido à memória
geográfica das abelhas, explicada no item
" Orientação das Abelhas".
O trabalho é simples. Antes de mais nada,
você deverá Ter a mão duas folhas
de jornal besuntadas de mel.
Agora, identifique e remova a pior rainha das duas
famílias. Normalmente, é aquela que
apresenta menor postura de ovos e favos com menor
número de crias. Feche a colmeia, que será
transportada, mais tarde, para ser unida à
outra família.
Remova o teto da colmeia menos fraca e coloque,
em seu lugar , as duas folhas de jornal besuntadas
com mel. Em seguida, remova o assoalho da colmeia
mais fraca, faça um pouco de fumaça
para agrupar as abelhas e aguarde de 3 a 5 minutos.
Pronto! A colmeia mais fraca já pode ser
removida e instalada, sem o assoalho, naturalmente,
sobre a colmeia mais forte. Agora, ambas as famílias,
preocupadas em comer o mel, acabam roendo o jornal.
Quando terminarem o trabalho, as duas famílias
se aceitarão e passarão a trabalhar
unidas.
Depois de cinco dias, o arremate da operação
: reuna as abelhas numa única caixa, com
os melhores favos.
Método de união direta- Quando as
duas famílias que se pretende unir estão
próximas, o método do jornal não
serve, pois as abelhas campeiras da família
que for removida para ser unida à mais forte
acabarão retornando ao ponto original onde
se encontrava instalada a colmeia em razão
de sua memória geográfica.
Assim, para unir duas famílias próximas,
aplica-se o processo de união direta. Para
este processo, você vai precisar do seguinte
material: fumegador, uma terceira caixa, limpa e
sem quadros, borrifador com xarope de açúcar
ou mel e hortelã ou erva- cidreira, espanador
de abelhas e quadros com cera alveolada.
O procedimento é o seguinte:
- remova
a rainha da família mais fraca e instale
a terceira caixa, limpa e sem quadros, entre as
duas colmeias.
- Pulverize
o interior das duas caixas povoadas com a solução
de xarope de mel ou erva- cidreira. Borrife os
favos e as abelhas.
- Faça
fumaça sobre ambas As caixas, para acalmar
e agrupar as abelhas.
- Faça,
com rapidez e cuidado, a passagem dos quadros
das colmeias povoadas, alternadamente , um por
vez. Os favos com crias devem ser colocados no
centro da nova caixa, e os quadros com mel e pólen
(caso existam) devem ser instalados nas extremidades
da caixa.
- Substitua
os quadros defeituosos, pretos ou contaminados
com traças por cera alveolada.
- Use
o espanador para varrer as abelhas que ficaram
nas caixas para a nova colmeia.
- Borrife
as abelhas e favos da nova caixa com a mistura
do xarope de mel e hortelã ou erva - cidreira
e tampe a caixa. Com o odor e a umidade do xarope
, as abelhas se misturam e lambem-se.