Agapornis
Este texto visa dar uma visão
geral de como manter Agapornis em cativeiro.
É um pássaro fascinante, que apresenta
cores fantásticas. Pode ser amansado,
vivendo pacificamente no ombro de seu dono.
Este
pássaro é conhecido popularmente
como Agapornis, periquito-namorado, love-bird
(pássaro do amor). Isto porque a vida entre
o casal é harmoniosa, cheia de "beijocas"
e carinhos o dia todo.
O Agapornis está assim classificado:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidæ
Gênero: Agapornis
Espécies: A. roseicollis; A. nigrigenis;
A. taranta; A. personata; A. cana; A. swinderniana;
A. lilianæ; A. fischeri; A. pullaria.
É
um pássaro pequeno, que atinge por volta
de 15cm (variando pouco de espécie para
espécie).
Como
todo Psittacídeo, é um pássaro
bem "barulhento" (eu, pelo menos, considero
seu "barulho" como um belo canto). Fica
andando pela gaiola o dia todo, fazendo "traquinagens".
Se o ambiente for grande, arrisca vôos entre
os poleiros, mas prefere andar pelas malhas da
gaiola para chegar ao poleiro.
Os
Agapornis distribuem-se principalmente no continente
africano, como A. cana, em Madagáscar;
A. roseicollis, em Angola e Namíbia; A.
personata, Tanzânia. Vivem em regiões
secas relativamente arborizadas.
A
fidelidade entre o casal não é apenas
uma constante entre os Agapornis, mas entre todos
os Psittacídeos. Este comportamento fica
bem evidenciado na espécie A. cana, onde
um imita o comportamento do outro o dia todo.
Se
criados pelo dono desde filhote, acostuma-se viver
facilmente fora da gaiola, não sendo, na
maioria das vezes, necessário cortar sua
asa.
Não
é um pássaro falante, como Araras,
Cacatuas e Papagaios, mas aprende a balbuciar
algumas palavras curtas e sons humanos.
Quando
o pássaro é adquirido adulto pode
mostrar-se assustadiço no primeiro contato.
Mas com bastante paciência, afinco e amor
podemos acostumar o pássaro à nossa
presença e, pelo menos, fazer com que não
se assuste e não se debata tanto na gaiola
quando chegamos perto.
A
única espécie que não é
criada pelo homem é A. swinderniana, que
não se adapta em cativeiro. Das outras
oito, conhecemos várias mutações,
que oferecem um colorido ímpar.
O
dimorfismo sexual nos Agapornis é relativamente
difícil. À exceção
de A. cana, A. pullaria, A. taranta, que oferecem
um dimorfismo seguro, as demais espécies
só podem ser sexadas observando-se o espaçamento
entre os ossos pélvicos: no macho, os ossos
encontram-se bem unidos. Nas fêmeas, os
ossos oferecem um espaçamento tal que conseguimos
colocar nosso dedo indicador entre eles. Mas infelizmente
esse método tem uma eficácia que
não ultrapassa 30%.
O
que torna ainda mais difícil a sexagem
é que machos convivem bem entre si, assim
como fêmeas. Esse comportamento pode nos
enganar!
O
método mais seguro é fazer exame
de sangue, para comprovação de genótipo,
mas infelizmente ainda é um método
caro no Brasil.
Colocando
dois pássaros na gaiola, você pode
Ter por base o seguinte: se há a feitura
do ninho mas a suposta fêmea não
botar, pode se tratar de um macho. Mas o mais
provável neste caso é que o ninho
não seja confeccionado. Mas atenção:
podemos Ter aqui dois casos. Primeiro, uma fêmea
estéril; segundo, um macho experiente que
confeccione bem o ninho. Se você notar que
há postura de muitos ovos num certo período
de tempo, então provavelmente se trate
de duas fêmeas. Estas põe um ovo
por dia.
Os
filhotes tem cores mais esmaecidas que as do adulto.
Geralmente, na primeira muda já adquirem
coloração de adulto. O
aconselhável é que a reprodução
seja feita numa gaiola, contendo apenas um casal.
Uma gaiola com dimensões aproximadas de
70x30x40 e um ninho de 20x17x17 servem bem ao
nosso propósito. Se deixarmos os pássaros
em ambiente comunitário, teremos dois problemas:
a formação de casais indesejados
e disputas pelo mesmo ninho.
O
cortejo do macho é simples, seguido da
cópula. A fêmea bota seus ovos geralmente
de madrugada, bem no amanhecer. Cada ninhada pode
ser composta por até 6 filhotes, mas o
mais comum são 4. No Brasil verifiquei
ovipostura o ano todo, mas principalmente na primavera
e no verão. Já cheguei a tirar 6
crias anuais de um casal! Os
ovos demoram 18 dias para a eclosão mas,
por segurança você deve aguardar
até o 21º dia. Não é
necessário que separemos os ovos, a fim
de eclodirem simultaneamente.
A
fêmea de Agapornis é habituada a
cuidar bem de filhotes com diferentes idades.Na
fase reprodutiva é aconselhável
que a alimentação seja reforçada,
acrescentando-se um pouco mais de aveia à
dieta, aumentando-se a variedade de frutas, legumes
e verduras, e acrescentando-se suplemento vitamínico
na água ou ração.
O
melhor ambiente para os Agapornis é um
ambiente sossegado. O sol pela manhã (até
11h00) é fundamental. É importante
que sejam manejados sempre, para que se habituem
à presença do dono, principalmente
na época reprodutiva. Isto porque, caso
precisemos mexer no ninho para verificar algo,
não corramos o risco de a fêmea abandonar
o choco.
O mais importante no manejo dos Agapornis é a alimentação. Há alguns anos muitas empresas têm dado atenção à alimentação das aves, formulando misturas balanceadas. Atualmente há rações extrusadas de excelente qualidade, que por serem embaladas e manuseadas por máquinas, estão livres de poeira, fungos e outras contaminações. Deve-se preferir esse tipo de ração. Em uma emergência, utilizo a seguinte mistura:
250g de aveia
250g de painço
250g de alpiste
125g de arroz com casca
100g de colza
100g de níger
100g de senha
100g de linhaça
100g de quirela média
Em outro comedouro, ponho girassol.
Quando tiver que comprar sementes soltas, verifique se o recipiente que as contém está tampado, e se há poeira nas sementes ao serem manuseadas. Caso tenha, evite comprar, pois as sementes ao ar pegam umidade (facilitando o desenvolvimento de fungos) e a poeira faz mal às aves.
Sou
amante de todos os Psittacídeos, principalmente
de Agapornis. Gostaria
imensamente que o leitor enviasse opiniões,
pois a troca de experiências é arma
fundamental para o aumento dos conhecimentos.
Luigi
Leonardo Mazzucco Albano
Aquarista
dulcícula e marinho; comportamento de
peixes em cativeiro; Cinofilia e Gatofilia;
agapornis - São Carlos - SP
Bibliografia:
-
Coleção Animais de Estimação
- Pássaros, Ed. JBIG, 1 986
- Coleção Zoo - O Fantástico
Mundo Animal, Ed. Rio Gráfica, 1 982
- Revista Animal Pet, nos. 02 (junho 1 999), 03
(agosto 1 999), 04 (outubro 1 999), 05 (janeiro
2 000), Editada por Animal Com. De rações
e Manuf. para Criação Ltda
Créditos
da fotos: Animal Pet