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Conforme a espécie doméstica
animal considerada, muitas vezes torna-se necessário
o controle da sua natalidade, daí haverem
sido concebidos pelos veterinários, os
diversos métodos anticoncepcionais existentes
e em seguida detalhados.
Antes
de tratar desses métodos, é necessário
para ser bem compreendido, o conhecimento básico
da anatomia e fisiologia dos órgãos
reprodutores dos mamíferos, pois serão
estes os animais considerados neste artigo.
Os
animais mamíferos do sexo masculino possuem
normalmente dois testículos, ambos alojados
em uma bolsa denominada escrotal, ou simplesmente
escroto , sendo referidos testículos responsáveis
pela produção dos espermatozóides,
que são as células sexuais masculinas
que quando no ato da reprodução ao
se juntarem aos óvulos das fêmeas,
no chamado ato da fecundação, dão
origem primeiro ao ovo e em seguida ao embrião
e ao feto. Além dessa função
reprodutiva, possuem ainda os mesmos testículos
uma função chamada endócrina,
ou seja, secretam também vários hormônios
que jogados na corrente circulatória iräo
agir no organismo do próprio animal, determinando-lhes
as características próprias dos indivíduos
do sexo masculino da referida espécie animal,
além do ardor genésico.
Por
sua vez, as fêmeas mamíferas também
possuem como órgãos reprodutores dois
ovários, situados próximos aos rins
(que também são duplos), e alojados
dentro de seu abdome. Cada um desses ovários,
está ligado a través de um tubo sinuoso
denominado trompa de Falópio ao útero,
este por sua vez assumindo formas diversas conforme
a espécie considerada de animal. Têm
também esses mesmos ovários além
da função de produzirem óvulos,
que são as células sexuais femininas,
também hormônios, estes últimos
constituindo a chamada secreção interna
ou endócrina, responsáveis pelas diferentes
fases da própria procriação
(denominado Ciclo Estral), além de determinantes
das características sexuais secundárias
femininas da própria fêmea.
Feitas essas considerações físico-fisiólogica-endócrinas,
principalmente aquelas de ordem endócrina
(hormonal), torna-se compreensível do porque
de serem aqueles métodos contraceptivos que
extirpam testículos ou ovários precocemente
(antes do pleno desenvolvimento e maturidade do
animal), serem também determinantes simultaneamente
da abolição das características
chamadas sexuais secundárias, tanto às
fêmeas quanto aos machos. Tais chamados caracteres
sexuais secundários determinam aquela anatomia
que nos permite num simples observar mesmo a distância,
podermos dizer tratar-se de um animal do sexo masculino
ou feminino. De uma maneira geral os animais mamíferos
machos quando adultos, além de terem porte
maior, também possuem maior desenvolvimento
torácico, isto naturalmente em relação
às fêmeas da mesma espécie considerada.
Já as fêmeas, além de serem
menores no porte que os machos, ao invés
do tórax têm no abdome seu maior desenvolvimento,
além da própria cintura pélvica
, constituída pelos ossos Íleo isquio
e púbis lhes emprestar uma maior largura
e altura que aquela cintura pélvica dos machos.
Voltando
agora aos métodos anticoncepcionais objeto
de nossas considerações, serão
estes direcionados quer ao macho quer a fêmea,
apenas por consideração didática.
I
- MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS PARA O MACHO
MAMÍFERO:
1 - CASTRAÇÃO DO MACHO ( ORQUIECTOMIA)
- É o método mais conhecido e
radical, realizado mediante operação
cirúrgica que se constitui da retirada total
de ambos os testículos. Obviamente, retirados
ambos os testículos cessa a produção
de espermatozóides e com isso impossibilitando
a reprodução desse macho, porém,
paralelamente também cessando a produção
dos hormônios masculinos e dos fenômenos
fisiológicos característicos do macho.
Como já referido anteriormente, deve ser
realizada quando necessária, quando o animal
a ser esterilizado tiver já atingido completo
desenvolvimento físico, ou seja tenha alcançado
a sua fase adulta. Caso realizada quando o animal
ainda jovem e em sua fase de crescimento, seu desenvolvimento
físico ficará comprometido, perdendo
o animal quando precocemente castrado as características
físicas de um macho, assemelhando-se quando
adulto a uma fêmea da mesma espécie,
melhor dizendo, suas características morfológicas
ficarão um meio termo entre as dois sexos
dessa espécie. Como também frisado
acima, para cessarem completamente tanto a produção
de espermatozóides quanto hormônios
sexuais masculinos devem ser extirpados ambos os
testículos, pois a extirpação
de apenas um deles não será suficiente
para o fim almejado, já que o testículo
que tenha sido preservado compensará essas
produções exo-endócrinas daquele
extirpado, não surtindo a operação
a sua finalidade. Quanto as diferentes técnicas
cirúrgicas existentes para essa operação,
que são próprias para cada espécie
animal, foge sua discussão ao caracter informativo
geral deste artigo.
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- LIGADURA OU RESSECÇÃO DO CANAL DEFERENTE
- É chamado de canal deferente ao conduto
anatômico que liga cada um dos dois testículos
ao exterior ou uretra. São estas operações
acima citadas, técnicas cirúrgicas
parecidas, sendo que a primeira (Ligadura) determina
oclusão desse canal excretor para os espermatozóides
formados nos testículos, e a segunda (ressecção)
na qual é retirado parte desse canal deferente,
vêm também como a primeira, impedir
que os espermatozóides que continuam a ser
formados (Já que os testículos são
preservados), possam esses espermatozóides
serem levados para o exterior do organismo do macho,
e por último aos órgãos sexuais
da fêmea e assim cumprirem sua função
reprodutora. Para cada espécie de animal
existe uma técnica própria para essa
cirurgia, já que a anatomia de cada espécie
animal é também diferenciada, porém
sua essência é a mesma: impedir a passagens
dos espermatozóides dos testículos
para os órgãos reprodutores femininos.
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- ESMAGAMENT0 DO CANAL DEFERENTE - Esta é
uma técnica cirúrgica criada por um
veterinário Italiano (Burdizzo), que inclusive
idealizou para essa técnica uma troques cirúrgica
especial ( Denominada também de Burdizzo),
que aplicada sem necessidade de incisão da
pele, e no trajeto dos canais seminais, por simples
compressão (esmagamento) desse canal determinará
sua obstrução e conseqüente impedimento
para passagens dos espermatozóides para o
exterior, impedindo assim a concepção,
além de causar atrofia testicular por interrupção
da irrigação sangüínea
do próprio órgão. É
uma técnica muito empregada para castração
de machos da espécie bovina destinados a
engorda, tendo a vantagem de sua singeleza e rapidez
sem necessidade inclusive de anestesia mesmo local.
Para e engorda de bovinos do sexo masculino, sendo
os animais assim operados quando jovens ainda, devido
a atrofia que se processará sobre ambos os
testículos, os assim chamados vitelos (machos
castrados) assumirão características
femininas, com suas carnes mais tenras que aquelas
que teriam se machos inteiros, caracter altamente
apreciável para essa produção
cárnea.
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- DESVIO DO PÊNIS - Consta esta de uma
técnica cirúrgica muito empregada
na criação de animais da espécie
bovina, e destinada a dar origem aos chamados rufiões,
ou sejam, animais que tem a função
de apenas mostrarem na prática as fêmeas
na fase do cio, sem contudo as inseminarem, já
que nessas criações é praticada
a chamada inseminação artificial.
Consta essa técnica cirúrgica de simples
desvio lateral do pênis (verga) dos animais
destinados a rufiões, que têm por essa
técnica cirúrgica seus pênis
deslocados lateralmente o que lhes vem impedir que
consigam no ato do salto sobre a fêmea no
cio, venham a conseguir introduzir nas vias sexuais
das fêmeas seu pênis e seus espermatozóides.
Funcionam esses rufiões como simples indicadores
das fêmeas na sua fase fértil (cio),
e com isso possibilitando sejam as mesmas apartadas
das demais do rebanho para serem inseminadas artificialmente.
Esses chamados rufiões estão assim
incapacitados de procriarem por não poderem
depositar sua secreção espermática
nas vias sexuais das fêmeas, apenas isso.
Continuam os animais assim operados a ter sua função
testicular endócrina, e com isso todas as
características sexuais masculinas, inclusive
ardor genésico, assim como a produção
normal de espermatozóides, estes porém
sem conseguirem atingir quando do salto para a pretendida
cópula, o local adequado a fecundação.
II
- MÉTODOS ANTICONCEPCIONAIS PARA A FÊMEA
MAMÍFERA - Existem para as fêmeas
mamíferas, também, diversos meios
idealizados pelos veterinários, para a obtenção
da infertilidade feminina, e com isso obtendo limitação
da alta prolificidade desses Animais.
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- OVARIOECTOMIA TOTAL - Também chamada
de Castração, resumindo-se na retirada
mediante técnica cirúrgica adequada,
de ambos os ovários das fêmeas, e com
isso impossibilitando-as a concepção
e gestação. Em geral quando realizada
essa operação de retirada dos ovários,
são também concomitantemente retirados
trompas e útero, já que com a ovariectomia
perdem esses órgão complementares
sua função precípua, e nesse
caso a operação cirúrgica é
denominada de ovario-salpinge-histeréctomia
total. Para cada espécie de animal mamífero
existem técnicas adequadas a sua realização,
exigindo em geral seja o animal submetido a narcose
ou anestesia, já que demandará a penetração
das mãos ou utensílios cirúrgicos
na cavidade abdominal do animal, para extirpação
desses órgãos reprodutores. Quando
realizada impedirá posterior retorno ao "
estatus quo ", já que ainda não
idealizado transplante para esses órgãos
reprodutivos. Como acontece também com os
machos a serem castrados, essa operação
de castração de fêmeas, deve
ser realizada quando o animal tenha atingido completo
desenvolvimento físico, sob pena de haver
interrupção ou anormalidades do desenvolvimento
do animal castrado. A fêmea mamífera
castrada, mesmo quando já adulta, perderá
além do seu ardor genésico também
a sua vivacidade , e com tendência mais linfática,
passando a ser mais comilona e por isso engordando
mais que se não tivesse sido castrada .Essas
previsíveis ocorrências devem ser advertidas
aos proprietários dos animais a serem castrados,
sob pena dos mesmos virem posteriormente a reclamar
pela falta dessas necessárias informações.
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- LIGADURA DE TROMPAS - Resume-se essa operação
cirúrgica a ligadura de ambas as Trompas
de Falópio, e com isso obstrução
conseqüente desse trajeto para o óvulo
gerado nos ovários, resultando na impossibilidade
dos óvulos formados virem a ser fecundados
e numa prenhez. O animal assim operado continuará
a ter ambas as funções (endócrina
e exócrina), não havendo portanto
qualquer alteração quer psíquica
quer física do mesmo, apenas dando como resultado
a impossibilidade do mesmo vir a ser fecundado e
conseqüente prenhez.
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- RESSECÇÃO DE TROMPAS - Nesta
operação, em que ambas as Trompas
de Falópio são objeto da cirurgia,
executa o cirurgião apenas a rececção
(retirada parcial de uma porção) desse
órgão de ligação dos
ovários ao útero, do que resulta como
na cirurgia anterior, da impossibilidade dos óvulos
gerados penetrarem no útero para virem a
ser posteriormente fecundados e resultar disso uma
prenhez. Também como na operação
anterior, mantém os animais a ela submetidos,
suas funções endócrinas e exócrinas,
e também, igualmente, resultando em qualquer
alteração - o tanto psíquica
quanto física desses animais.
4
- MEDICAMENTOS ANTICONCEPCIONAIS - Existem no
mercado de medicamentos veterinários, como
acontece também com aquele voltado a medicina
humana, medicamentos com ação anticoncepcional,
por interferirem no ciclo Estral das fêmeas
de animais mamíferos, e com isso impedindo
ou dificultando a concepção e conseqüente
parto. No entretanto, cabe ser ressaltado que esses
medicamentos veterinários anticoncepcionais,
tem indicação apenas a determinadas
espécies, não servindo indistintamente
a qualquer animal de qualquer espécie zoológica,
pelo fato do Ciclo Estral ser característico
para cada espécie zoológica, e em
alguns casos mesmo a uma determinada raça
determinada. Este é portanto um capítulo
a parte, que será objeto futuro de nossas
conjecturas.
Dr. Carmello Liberato Thadei
Médico veterinário - crmv-sp-0442

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