É
um ciclo indireto; usando como vetores a mosca doméstica (Musca
domestica) e a mosca dos estábulos (Stomoxys calcitrans).
As
larvas (L-1) e ovos da habronema saem junto com as fezes dos equinos e as
moscas colocam seus ovos sobre essas fezes. As larvas de moscas eclodem e
ingerem as L-1 da Habronema. Temos então o desenvolvimento concomitante
da mosca e da larva. Cerca de 2 semanas mais tarde temos as L-3 nas moscas
adultas. Essas moscas ao pousarem em feridas abertas na pele do equino depositam
as larvas e temos a denominada habronemose cutânea. Por outro lado estas
moscas podem colocar suas larvas na boca ou próximo à boca do
animal, neste caso as larvas ou mesmo a própria mosca pode ser degludida.
Após 2 meses temos o verme adulto no estômago ocasionando a habronemose
gástrica.
Em
casos de infestação acentuada podemos ter a habronemose pulmonar.
Se o parasita for depositado na cavidade ocular teremos a habronemose conjutival.
Em relação a habronemose pulmonar os autores divergem: alguns
acham que a infestação se dá via sangue ou linfa e outros
acham que esta ocorre através de migração boca-traquéia-pulmão.
SINTOMAS
DA HABRONEMOSE
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HABRONEMOSE
GÁSTRICA: geralmente
assintomática.Alguns animais apresentam pelagem seca e sem brilho.
No caso de Drachia sp temos a formação de tumores com
até 10 cm de diâmetro. Esses tumores são preenchidos
com material necrótico, nele temos grande número de vermes
adultos que através de uma fístula nesse nódulo eliminam
larvas e ovos para a luz do orgão. Esses nódulos podem raramente
romper e levar a uma peritonite fatal. No caso de peritonite podemos ter
o acometimento do intestino levando à uma constricção
e cólica ou do baço com formação de um abcesso
esplênico. Os nódulos de Drachia sp podem levar à
uma obstrução mecânica ou ruptura estomacal nesse caso
o animal se apresentará com depressão, febre, dor, calor do
lado esquerdo, atrás do arco costal, cólicas leves a moderadas.
A Habronema ao contrário, fica na mucosa gástrica e podem
penetrar nas glândulas gástricas, determinando uma gastrite
catarral, com produção de muco espesso e aderente. Cargas
intensas podem levar a ulceração.
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HABRONEMOSE
CONJUNTIVAL:
provoca lesões granulomatosas, conjutivite persistente com espessamento
nodular, lacrimejamento constante, ulceraçào das pálpebras,
não resposta aos tratamentos comuns antibacterianos. Geralmente acomete
a terceira pálpebra.
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HABRONEMOSE
PULMONAR: as
larvas podem atingir os pulmões e causar, em potros, pequenos abcessos
associados ao Corynebacterium equi. Geralmente são assintomáticos
principalmente após encapsulamento e calcificação.
Durante intensa migração pulmonar podemos ter alguns sinais
de muco bronquial.
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HABRONEMOSE
CUTÂNEA: as
lesões aparecem nos locais mais comuns de ocorrerem traumatismos
e onde o cavalo não consegue remover as moscas. Então os locais
mais comuns são: rosto, perto da região medial do olho, linha
média do abdomem, em machos em torno do pênis e prepúcio.
Menos comuns são lesões nas patas, anca e pesco ço.
A lesão começa como pequenas pápulas com centro erodido.
O desenvolvimento é rápido e as lesões podem atingir
30 cm de diâmetro em poucos meses. No ínicio ocorre prurido
intenso e isso pode levar ao auto traumatismo. Em seguida temos um granuloma
castanho avermelhado não cicatrizante. Mais tarde a lesão
pode se tornar fibrosa e inativa, mas só cicatriza no tempo frio.
DIAGNÓSTICO
DA HABRONEMOSE
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HABRONEMOSE
GÁSTRICA: diagnóstico
difícil; ovos e larvas raramente são encontrados no exame
rotineiro.Usamos então:
- Xenodiagnóstico:
fezes do equino suspeito são colocadas junto com ovos de mosca.
Após 1 semana quando as moscas estão adultas, as anestesiamos
com éter e dissecamos no microscópio a procura do Habronema.
- Lavagem
gástrica com soluçào salina e exame do lavado.
- Necrópsia:
achado de parasitas adultos, larvas e ovos.
- Exame
em água éter: muito díficil.
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HABRONEMOSE
PULMONAR: achado
de necrópsia.
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HABRONEMOSE
CONJUNTIVAL:
presença de larvas na conjuntiva e necrópsia.
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HABRONEMOSE
CUTÂNEA:
- Clínico:
granulomas não cicatrizante.
- Raspado:
encontro de larvas.
- Biopsias
da área de lesão.
TRATAMENTO
DA HABRONEMOSE
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HABRONEMOSE
GÁSTRICA:
Poucos produtos atuam no verme adulto. É indicado antes do uso do
anti-helmíntico o uso de uma solução a 2% de NaOH para
dissolver o "plug mucoso" e abrir o nódulo de Drachia,
aumentando o efeito da droga antihelmíntica. Podemos usar:
- Levamizole-piperazina
- Diclorvós
- Ivermectin:
droga de escolha; dose: 0.2mg/kg (dose única)
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HABRONEMOSE
CONJUNTIVAL: Limpeza do olho com solução salina estéril.
Utilização de pomada oftálmica com antibiótico
e corticoíde (BID); para diminuir a inflamação e ação
anti-bacteriana. Podem ser utilizadas também pomadas com organofosforados;
com aplicação tópica (BID). Por exemplo: 9 g triclorfon
+ 224 g nitrofurazona líquida + 56 g dimetil sulfoxide.
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HABRONEMOSE
CUTÂNEA:
Tratamento cirúrgico; indicado em dois casos:
- Feridas
que não cicatrizam
- Nódulos
calcificados que causem transtornos estéticos. Podemos usar criocirurgia
e radioterapia além dos tratamentos cirúrgicos convencionais.
Tratamento medicamentoso:
- Sistêmico:
- Triclorfon
22mg\kg IV; diluir em 5% de dextrose ou solução salina;
repetir em 2 semanas
- Triclorfon
2ml em diferentes pontos da lesão durante 15 dias
- Dietilcarbamazine
6.6mg/kg (BID) durante 2 ou 3 semanas
- Fenthion:
SC na lesão 5 ml/5cm de lesão por 10 dias
- Corticóide
de curta ação
- Antimoniato
de metilglucamina: 20 mg/KG IM/20 Dias
- Aplicação
tópica de ALBOCRESIL
- IVERMECTINA
0.2 mg/kg IM --Tratamento de escolha
- Tópico:
- Limpeza
da lesão com solução de dakin
- Aplicação
de pasta com organofosforado
- Anti-inflamatório
(dexametasona) - diariamente
- Pasta:
85% de glicerina + 5% de fenol + 10% de óleo de alcatrão
(alguns autores acham que a glicerina atua osmoticamente na larva)
- Ácido
crômico (10%) 2 a 3 x na lesão; mata a larva e forma
crosta
CONTROLE
DA HABRONEMOSE
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Evitar
que o animal se machuque
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Cobrir
feridas abertas
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Controle
dos vetores
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Uso
de repelentes em feridas abertas
É
IMPORTANTE RESSALTAR: muitas vezes a simples abrasão da picada
leva ao início da lesão sem necessitar de uma ferida aberta.
Dr.
Renato faria Sanches
Médico Veterinário