A Parvovirose Suína
é uma das mais comuns doenças reprodutivas.
Presente em quase 100 % das granjas comerciais em todo o mundo,
ela é causada por um vírus da família
Parvoviridae, porém com características bem
diferente da Parvovirose Canina, pois no suíno esta
doença tem importância somente reprodutiva, por
causar morte embrionária (reabsorção
de embriões), fetos mumificados, e pequenas leitegadas.
O Parvovirus em determinadas condições pode
resistir por vários meses no ambiente, sendo sensível
à raios ultravioletas e ao formol. Este vírus
possui uma enorme preferência por tecidos em multiplicação
(por isso a infecção dos fetos).
A
introdução da doença em uma granja pode
se dar através da entrada de reprodutores ou mesmo
sêmen de animais contaminados. A disseminação
dentro da granja é rápida, podendo em 3 meses
todo o plantel apresentar positividade sorológica para
a doença, sendo a contato oronasal com fezes e/ou secreções
venéreas a principal arma de disseminação
do vírus. As secreções tanto dos machos
quanto das fêmeas, as fezes, restos placentários,
bem como fetos são ricos em vírus. Os animais
mais sensíveis são as marrãs, e com o
aumento do número de partos a tendência é
de se aumentar a resistência à doença,
porém tem-se verificado que fêmeas velhas (acima
do oitavo parto) tem menor resistência do vírus
como as marrãs.
O
vírus alcança os fetos 20 a 23 dias após
a infecção, e dependendo da fase (idade do feto
ou embrião) tem ações diferentes:
Quando
a infecção ataca os embriões até
próximo ao 10º dia de vida, estes são
reabsorvidos e a fêmea retorna ao cio normalmente,
pois não há o reconhecimento da gestação
pelo sistema hormonal da porca;
Quando
os embriões atacados tem entre 10 a 30 dias, eles
morrem e também são reabsorvidos pelo útero,
porém a fêmea já reconheceu a prenhez
e continua gestando, podendo inclusive chegar ao parto
(ou à data provável do parto) e não
parir nenhum leitão ou então parir leitegadas
pequenas;
Após
30 dias de idade os embriões já tem deposição
de cálcio e não são mais absorvidos,
aparecendo então as múmias ao parto (fetos
mumificados).
Após
70 dias de idade, os fetos possuem competência imunológica
e são resistentes ao vírus, não sofrendo
nenhum dano.
O
vírus tem disseminação horizontal e lenta
no útero, atacando assim, fetos de diferentes idades,
o que faz aparecer múmias de diversos tamanhos.
Os sintomas da doença é
caracterizado pelo aparecimento de fetos mumificados, e leitegadas
pequenas (abaixo de 4 leitões), além de retornos
de cio e até mesmo fêmeas com "falsa gestação".O
diagnóstico é feito pela sorologia através
da pesquisa de anticorpos, ou pela pesquisa do vírus
em fetos ou restos placentários. Deve-se fazer um diferencial
com Leptospirose, Aujesky e Brucelose.Os
leitões imunizados através do colostro apresentam
anticorpos até 5 meses de idade, onde é estrategicamente
importante o cuidado com marrãs que vão entrar
para o plantel reprodutivo, pois, por não apresentarem
anticorpos contra a doença, são susceptíveis
na hora da cobertura. Recomenda-se a vacinação
ou o contato dos animais com o vírus ao menos trinta
dias antes da cobertura, possibilitando a existência
de anticorpos quando se dá a cobertura do animal. As
vacinas comerciais são eficazes no controle da doença,
e junto com o uso do fornecimento de restos placentários,
fetos e/ou fezes de matrizes paridas para marrãs entre
170 a 190 dias de idade são as únicas maneiras
de controle da doença, pois não existe medicamentos
capazes de atuar sobre o vírus.
Deve-se
cuidar, ao usar fornecer materiais com vírus para
outros animais (fetos; fezes; placenta), de que a granja
seja controlada sorologicamente contra outras doenças
de importância econômica, pois corre-se o risco
de estar promovendo sua disseminação por todo
o rebanho. Além disso temos outro problema que é
não ter como avaliar se o parvovírus presente
é suficiente para induzir a produção
de anticorpos nos animais que receberão o material,
então é muito arriscado o uso desta técnica,
ficando somente com a vacinação como a única
maneira segura e eficaz do controle da doença.
Antonio
R. de Oliveira Junior Médico
Veterinário CRMV-MG 4.640 CONPA$$U
- Consultoria p/ Produção e Assistência
Suinícola
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