A
Eutanásia Animal
Dr.
Albert Lang
Médico Veterinário
Assunto eutanásia animal - originalmente
do grego eu-thanasia:"morte feliz", ganha
cada vez mais espaço nos meios acadêmicos
veterinários de países desenvolvidos.
Conforme estudos elaborados nos estados unidos,
eutanásia representa 3% da clínica
veterinária.
No
Brasil, o tema é discutido com pouca ênfase
nas universidades e nos diversos setores da classe
médica veterinária. As questões
humanas que envolvem o assunto são complexas
e estão além do ponto de vista ético-profissional,
principalmente por ser esta profissão a única
com o direito de execução de um paciente,
acatando, na maioria dos casos, ordens de pessoas
hierarquicamente superiores.
No
que diz respeito aos aspectos relacionados a manutenção
da saúde, a medicina veterinária está
sujeita a 2 paradigmas: os cuidados com animais
de produção e os de estimação.
No primeiro a ética veterinária prevalece,
e o animal não é individualizado.
Como a morte do animal neste caso é inevitável,
não representa a eutanásia propriamente
dita, mas sim o abate.
No
segundo caso, a criação do bicho está
inserida na relação homem-animal de
estimação, onde a morte não
é superada. aí, a manutenção
da vida, dentro da estrutura da medicina veterinária,
é o objetivo básico para manter os
lados afetivos-emotivos entre "dono" e
"paciente" (animal).
A
eutanásia ganha então outra visão.
A partir do momento em que a morte começa
a rondar e torna-se uma realidade inexorável,
é que se exteriorizam todas as dimensões
da profundidade desta relação. Qual
deve ser então o posicionamento do veterinário,
no momento que as condições psicológicas
do dono são fragilizadas? como e o que fazer
diante de um caso "terminal"?
Quais
os critérios de uma decisão que poderá
levar à eutanásia e os procedimentos
a serem tomados? Todas essas perguntas - e outras
que naturalmente surgem - não estão
em nenhum manual de primeiros socorros e um pouco
distantes do código de ética profissional.
A formação humana é que posicionará
o veterinário, conforme sua sensibilidade.
A
Dra. Hannelore Fuchs, psicóloga, médica
veterinária e uma das poucas pessoas que
tem se aprofundado no estudo da relação
homem-animal, faz algumas considerações
sobre o assunto, mas de início já
avisa:" a decisão final sempre deve
ser do dono".
Contudo,
a pessoa poderá estar de tal forma afetada,
mesmo após ser ouvida e introgetada a avaliação
do médico veterinário quanto às
condições de saúde animal -
e a possibilidade de salvá-lo -, ainda que
sejam necessárias sacrifícios pessoais,
envolvendo todo um processo de enfermagem, por exemplo.
Tudo isso, também é comum nos casos
que as pessoas exigem os mesmos cuidados para o
seu "cãozinho", que os dados a
qualquer ser humano. Aí começam a
ser trabalhados outros aspectos.
Fator econômico pode pesar muito no momento
pela eutanásia, aliada a outros fatores de
ordem prática, como capacidade de tratamento
animal, que requer tempo, dedicação
e habilidade de enfermagem por parte do dono.
E
o sofrimento de perda, com quem fica?
Geralmente
a dor fica com as pessoas que mais conviveram e
amaram o animal. Pode ocorrer que a pessoa que toma
para si a responsabilidade de eutanásia,
tenha um grau menor de afetividade. Como o "chefe"
da família, por exemplo, nem sempre terá
a mesma relação com o cãozinho
que os demais familiares.
Além
de ser analisada as condições sentimentais
que cercam o bicho, também deve ser avaliado
o sofrimento do bicho, para que, a partir disso,
o médico veterinário venha ter uma
postura que o leve a iniciar "um ritual"
de preparação com o dono, conscientizando-o
da morte eminente.
A
psicóloga e veterinária adverte que
todo o processo de eutanásia, deve ser explicada
ao proprietário. "Deve-se mostrar os
mecanismos da eutanásia e as conseqüências
psicológicas. assim, após a morte,
ficará mais fácil todo esse processo
de luto, evitando-se que a raiva e culpa sejam jogadas
em cima da figura do veterinário, o que será
desgastantes".
Responsabilidade:
Diferente
da responsabilidade da cura, a da morte pode ser
mais séria, sobretudo, se não respeitada
a vontade do cliente. Apesar de não existir
nenhuma lei para determinar os parâmetros
da chamada "morte feliz", são condenáveis,
e passíveis de punição, a eutanásia
ativa, aquela que a ação direta provoca
a morte do paciente (animal), quando não
autorizado pelo cliente (dono).
É
de se questionar se a execução de
milhares de animais em canis é um ato ativo
ou passivo. o número de animais soltos nas
grandes cidades cresce a cada dia e, consequentemente,
o "sacrifício" também é
cada vez maior. e realmente é impressionante.
Dr.
Albert Lang
Clínica de Pequenos Animais - Joenville
-SC
Artigo
originalmente publicado no site da Ciabichos
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