É a histoplasmose uma infeção
micótica determinada por cogumelos do gênero
Histoplasma, os quais apresentam especial e característica
afinidade patogênica para o Sistema Retículo
Endotelial do organismo. Suas manifestações
clínicas são as mais diversas possíveis,
interessando seu estudo a várias especialidades
médicas e veterinárias.
Em otorrinolaringologia humana pôr exemplo, afirmam
Moore e Jorstad (1943):" From the standpoint of otorhino-laryngologists,
histoplasmosis shoud be na important clinical entity because
of its various complications, its ability to simulate
known diseases such as carcinomas, otitis media, rhinoscleroma,
laryngeal tuberculosis aleukemic leukemia, lymphoma, noma,
leishmaniasis and others".
Em
Dezembro de 1905, Samuel Taylor Darling, necropsiando um
homem negro no Ancona Hospital do Panamá, encontrou
ao exame microscópico dos pulmões, do baço
e do fígado, numerosos parasitas redondos e ovais
, fagocitados em sua grande maioria. Em Janeiro de 1906,
na Martinica, novo caso com as mesmas características
anatomopatológicas e, finalmente em Agosto do mesmo
ano, novo caso em um nativo do Cantão, que residia
alguns meses no Panamá. Com esses três casos,
individualizou perfeitamente essa nova entidade mórbida,
que se caracterizava por febre irregular, hépato
e esplenomegalia acentuadas, revelando o exame hematológico:
leucopenia (diminuição relativa dos glóbulos
brancos do sangue). Do ponto de vista anatomopatológico,
a moléstia se denunciava por aumento dos elementos
retículo-histiocitários, por verdadeira retículo-histiocitose,
assim como pela presença, no interior dos histiócitos,
de numerosos elementos parasitários, redondos ou
ovais , muito semelhantes às leishmanias e que foram
considerados por Darling como protozoários. Darling
procurava nessas necrópsias casos suspeitos de Kalazar
ou leishmaniose visceral e por isso escolhia os doentes
falecidos com quadro clínico que se evidenciasse
particularmente por leucopenia, febre irregular e hepato
e esplenomegalia. Encontrando nos tecidos lesados o parasita,
pensou que se tratava de um novo protozoário, por
isso denominando-o de " Histoplasma capsulatum "
Após
essas observações iniciais de Darling, numerosos
outros casos enriqueceram a bibliografias sobre o assunto,
passando a doença a chamar-se em Medicina Humana
de Doença de Darling, Citomicose reticulo-endotelial
de Humphrey ou Retículo-histiocitose sistêmica.
É doença quase sempre mortal, havendo alguns
casos de êxito terapêutico pela sulfamidoterapia.
ETIOLOGIA: Histoplasma capsulatum Darling , 1906 .
SINONIMIA: Cryptococcus capsulatus Neveu-Lemaire
, 1921 .
Posadasia capsulata Moore , 1934 .
Sepedomium sp. Hansman e Schenken, 1934 .
Posadasia pyriformis Moore , 1934.
Histoplasma pyriformis Ceferri e Redaelli , 1935.
Em
1934 , Ciferri e Redaelli criaram a família: Histoplasmaceae,
para nela incluir o gênero Histoplasma. Nesse gênero
estão também contidas outras duas espécies,
denominadas: Histoplasma farcinimosum (Rivolta e Micellone)
Ciferri e Redaelli, 1935 e o Histoplasma muris Short, 1923.
A
primeira espécie acima (Histoplasma farcinimosum)
é o agente etiológico da Linfangite dos solípedes,
e a Segunda (Histoplasma muris Short, 1923), determina em
ratos, infecção caracterizada principalmente
por esplenomegalia, ambas portanto de interesse médico
veterinário.
Com já dito anteriormente, têm os histoplasmas
a forma redonda ou arredondada, medindo de diâmetro
geralmente 3 a 5 micra (plural de mícron, que é
a milésima parte de um milímetro), e por corarem-se
em azul pelo método de GRAM, são chamados
de Gram-positivos. Semeado o parasita em meio de cultura
denominado de Saboraud-glicose, e mantidos mesmo a temperatura
ambiente, observamos inicialmente colônias brancas
penugentas ou cotonosas, com numerosas hifas hialinas, ramificadas
ou septadas (variante III).
O
exame microscópico dessas culturas revela elementos
especiais - os hipnósporos , intercalares ou terminais.
Muitos desses hipnósporos a medida que a colônia
envelhece, apresentam a membrana ornamentada com coroa de
pequeninas saliências semelhantes a espinhos: são
os estalagmósporos de Ciferri e Redaelli (ascos,
de Moore). Esses esporos formam-se em abundância quando
o cogumelo é cultivado em semi-anaerobiose (cultura
com parcial ar atmosférico). Além dessa culturas
podem ser também obtidas colônias leveduriformes
(tipo I); A reversão de culturas do tipo cotonoso
(III) em leveduriformes pode ser obtido " in vivo ",
partindo da inoculação em animais sensíveis
e cultivando em seguida tal material em gelose-sôro,
ou gelose-sangue a 34-37 gráus centígrados.
In vitro podemos igualmente obter tal transformação,
semeando o material penugento ou cotonoso em gelose-sangue
a 37 gráus.
A
doença tem sido observada na literatura médico-veterinária
em diversos animais, e principalmente em cães, nos
quais causa hepato-megalia, com adenopatia e emagrecimento
do animal. Testes intradérmicos com histoplasmina
têm sido realizados igualmente, nesses animais, a
fim de verificar a incidência da histoplasmose. É
possível que essa doença seja infecção
primitiva de alguns animais e transmitida ao homem pelo
carrapato. De camondongos, Shortt (1923) e Sangiorgi em
1922, isolaram microrganismos muito semelhantes ao Histoplasma
capsulatum, por eles denominado de Cryptococcus muris. É
possível que muitos animais desempenhem o papel de
depositários do cogumelo. Emmons em 1948, encontrou
o parasita em 16 ratos (Rattus norvergicus). O mesmo autor
encontrou depois, em 1950, a ocorrência do cogumelo
em diversos animais: Mus musculus (camondongo), Rattus norvergicus
(ratazana de esgoto), Rattus rattus (rato doméstico),
e Felis domestica (gato). Do sólo, igualmente, Emmons
em 1950 isolou amostras do cogumelo que foram identificadas
como Histoplasma capsulatum. Esse dado, sugere a possibilidade
de que uma fase do ciclo evolutivo do parasita se efetue
na natureza. A porta de entrada do parasita no organismo
animal é constituida possivelmente pela mucosa buco-laringeana,
pele e pulmões. Henderson e colaboradores (1042)
sugerem a mucosa intestinal como porta de entrada do parasita.
O contágio direto pode ocorrer; Mc Leod e colaboradores
em 1946 registram casos de histoplasmose em dois irmãos.
DIAGNÓSTICO: O diagnóstico da Histoplasmose
é certo quando há isolamento em cultura do
fungo causal. Pode ocorrer dúvida com tuberculose
e outras doenças micóticas, doenças
bacterianas de curso crônico, assim como a Doença
de Hodgkin e outros linfomas, daí a importância
do isolamento do agente causal para ser firmado o diagóstico.
TRATAMENTO
- Modernamente é utilizada a Anfotericina B na
doença sérica. No caso da ocorrência
de nódulos solitários irresponsívos
a anfotericina B, devem estes ser removidos cirurgicamente.
Dr.
Carmello Liberato Thadei
M édico veterinário - crmv-sp-0442