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PSEUDOCIESE
(PSEUDOPRENHEZ)
NAS CADELAS
Dr.
Carmello Liberato Thadei
Médico Veterinário
Este fenômeno freqüente
em cadelas, também denominado Falsa Prenhez
ou Gestação Imaginária ou
nervosa, caracteriza-se por aumento de volume
das mamas e mesmo secreção láctea
durante a fase do ciclo biológico sexual
denominada Metaestro, fase essa do ciclo sexual
em que o corpo lúteo (também denominado
corpo amarelo) resultante da evolução
do local onde foi expelido um óvulo está
atuante, produzindo o hormônio progesterona.
É portanto essa anormalidade do ciclo sexual
nas cadelas uma manifestação puramente
luteínica, em que o trato genital e principalmente
mamas e útero sofrem efeitos do hormônio
progestacional.
Para
a boa compreensão dessa anormalidade nas
cadelas, é necessário antes serem
expostas as diferentes fases por que passa o organismo
dessas fêmeas assim como todas aquelas mamíferas
em geral, desde a puberdade até atingirem
a maturidade sexual e estarem capacitadas para
a procriação. Um ciclo sexual normal
numa fêmea mamífera, também
denominado Ciclo Estral, para efeito didático
é dividido em diferentes fases, denominadas
sucessivamente por: Proestro, Estro, Metaestro
e Anestro. Cada uma dessas fases são perfeitamente
individualizas uma das outras e caracterizam-se
cada uma pelos seguintes sinais:
1
- PROESTRO - Inicia-se na puberdade, que ocorre
nas cadelas em torno de um ano de idade, por aumento
progressivo de volume da vulva, que pode atingir
quase o dobro de seu tamanho habitual nessa fase.
Sua mucosa torna-se mais avermelhada, e também
mais lubrificada e úmida .
2
- ESTRO - É o período em que
a fêmea aceita o macho e se deixa acasalar,
tendo duração em torno de 9 a 12
dias nas cadelas. No início dessa fase
ocorre a conhecida perda de sangue pela vagina,
resultante do aumento da vascularização
do próprio útero, que sob efeito
do hormônio gonadotrófico secretato
pela glândula hipófise está
espessado e pronto para receber o óvulo
quando fecundado, que nessa mucosa virá
se aninhar, para assim poder receber os nutrientes
necessários para se desenvolver e dar origem
primeiro ao embrião, depois ao feto e por
último ao filhote gerado. A ovulação,
ou seja, rompimento do folículo ovariano
pelo óvulo e sua subsequente progressão
pela Trompa de Falópio e em seguida pelo
corno ovariano ocorre durante essa fase, em geral
no segundo dia do seu início, com duração
média de 20 horas. Leva de 6 a 10 dias
para esse mesmo óvulo quando fecundado
já no corno uterino venha se aninhar no
seio da mucosa uterina, ali se desenvolvendo por
multiplicação celular e dando origem
ao embrião, feto e seus anexos (placenta).
É essa portanto a fase mais importante
de todo o ciclo Estral, pois é nela que
ocorre propriamente a fecundação
do óvulo ou óvulos por diferentes
espermatozoides ali depositados pelo macho no
ato do acasalamento, e dela resultando quando
tudo transcorreu normal, numa gravidez também
normal e produtiva.
3
- METAESTRO - É a fase em que ocorre
propriamente a gestação quando ocorreu
fecundação, tudo comandado por efeito
a distância de determinados hormônios
secretados pela glândula hipófise,
denominados fatores luteinizantes. Referidos hormônios
secretados e depositados na circulação
pela hipófise promovem a evolução
do local dos ovários onde ocorreu ruptura
e liberação de óvulos, em
um verdadeiro calo de coloração
amarela, e por isso denominado corpo lúteo,
que passa a secretar o hormônio luteina.
Referido hormônio também denominado
Progesterona é o responsável entre
outras coisas pelo desenvolvimento das mamas,
nestas determinando o aumento de seus ácinos
que mais tarde sob efeito do hormônio denominado
Prolactina, este secretado também pela
hipófise , terá sua secreção
de leite iniciada e continuada.
4
- ANESTRO - É a fase do ciclo sexual
em que esses mesmos órgãos estão
adormecidos e se recuperando das fases anteriores,
ou sucedendo a uma prenhez ou se preparando para
futura gestação. No caso das cadelas
que são consideradas monoéstricas,
com dois ciclos por ano, ocorrendo o primeiro
em torno dos seis a 9 meses de idade para algumas
raças, ou entre 6 e 12 para outras raças,
nessa fase a mucosa vaginal mostra-se de coloração
rósea pálida e úmida, e o
tamanho da própria vulva regride ao seu
volume normal.
Conhecidas
essas diferentes e sucessivas fases do ciclo sexual
normal, a anormalidade conhecida por título
e objeto deste texto, ou seja: Pseudociese das
cadelas, fica mais fácil seu entendimento
sob o ponto de vista hormonal.
Alguns
autores consideram mesmo essa anormalidade do
ciclo sexual como normal nas cadelas, sendo apenas
uma intensificação das modificações
produzidas durante a fase do Metaestro. A fisiologia
no fenômeno é no entretanto ainda
desconhecida, uma vez que a cadela está
sempre em pseudoprenhez durante essa fase, já
que o corpo lúteo normalmente persiste
por 3 a 5 semanas quer tenha a cadela sido ou
não fecundada e se tornado gestante durante
o Estro. Ocorre mais freqüentemente em raças
de porte pequeno, e em geral durante o período
em que estariam amamentando caso tivessem sido
fecundadas, o que não ocorreu e elas continuam
a agir como se tudo tivesse transcorrido num ciclo
gestacional. Algumas cadelas chegam a agir e demonstrar
sinais de inquietação durante a
fase presumida de um possível parto, só
que não tendo havido fecundação
nem gestação, não existem
filhotes por nascer, porém elas chegam
mesmo a terem as contrações que
teriam caso estivessem em trabalho de parto. Chegam
algumas fêmeas a terem seus ventres aumentados
de volume sem no entretanto existir um útero
contendo fetos.
Clinicamente,
além do aumento de volume das glândulas
mamarias e secreção láctea,
produzindo desconforto do animal, observam-se
modificações do comportamento da
fêmea, que se torna nervosa, irritadiça,
com extinto de maternidade, havendo mesmo relaxamento
dos ligamentos da bacia, temperatura corpórea
anormal (em geral quando ocorre é sub-normal),
e mesmo movimentos de contração
uterina para expulsão de inexistentes fetos.
Em muitos casos, tendo havido cobertura do animal
em sua fase de Estro, o próprio proprietário
do animal fica na expectativa de que sua cadela
está para parir, chegando a tomar medidas
preventivas para o evento. Um profissional veterinário
chamado nessas ocasiões, realizando a palpação
abdominal e mesmo em alguns casos até uma
radiografia terá dificuldade em convencer
ao proprietário do animal de que sua cadela
não está para parir, sendo apenas
mais uma cadela com essa Gravidez imaginária.
Segundo
Smith, as cadelas portadoras desse fenômeno
apresentam recidivas e estão predispostas
à hiperplasia do endométrio e piometra,
que são doenças graves consideradas
como evolução da própria
pseudociese.
Os
sintomas dessa doença, pois sem dúvida
trata-se de uma anormalidade do próprio
ciclo gestacional, em geral regridem após
duas ou três semanas. Quando não,
a administração de hormônio
Metil-testosterona, por via oral, na dose de 0,5
mg por quilo de peso do animal, durante seis a
dez dias, ou então Propionato de Testosterona
na dose de 25-30 mg intra venosa levam a cura.
É importante, no entretanto, a correta
época para administração
desses hormônios sintéticos, sob
pena de insucesso.
Dr.
Carmello Liberato Thadei
Médico veterinário - crmv-sp-0442
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