CINOMOSE
E AS FORMAS CLÍNICAS DA DOENÇA
SINONIMIA - DOG DISTEMPER
(INGLÊS), CIMURRO (ITALIANO),
MALADIE DES CHIENS, OU MALADIE DE CARRÉ (FRANCÊS),
MOQUILLO DEL PERRO (ESPANHOL), HUNDESTAUPE (ALEMÃO).
ETIOLOGIA: É doença causada por um vírus,
que durante a doença pode ser encontrado no fluxo
ocular e nasal. É encontrado também no sangue
circulante do enfermo, durante sua evolução,
determinando vários sintomas abaixo descritos. Têm
o vírus notável resistência a dissecação,
e as baixas temperaturas a particularidade de serem conservantes
para o vírus. Já a temperatura acima de 60
graus Centígrados o destroe em 30 minutos. Desinfetantes
do tipo do Lisol na concentração de apenas
1 % o destroe rapidamente.
ANIMAIS
SUSCETÍVEIS: CANÍDEOS em geral, inclusive
portanto o Cão doméstico. Além destes,
o furão e outros mustelídeos silvestres, a
raposa e o cachorro do mato.
SINTOMATOLOGIA: Após um período de incubação
de 4 a 7 dias, inicialmente determina o vírus no
sangue (Viremia): aumento da temperatura corpórea
(febre). Esta, caracteriza-se por uma curva febril chamada
de duplo-pico, o que significa que após um breve
aumento de temperatura que se faz acompanhar de indisposição
transitória e inapetência, após 5 a
6 dias em que o animal não apresenta febre, sobrevem
repentinamente novo segundo pico febril, quando essa elevação
de temperatura se mantém durante todo o ciclo da
doença. Logo em seguida aparecerem nos epitélios
(pele e mucosas) erupções de início
sob forma de pápulas, para em seguida se transformarem
em vesículas e estas evoluírem para pústulas.
Os
epitélios de revestimento interno dos pulmões
quando se inflamam sob ação do vírus,
determinam aparecimento de pneumonia, o mesmo ocorrendo
com o revestimento mucoso do estômago e intestinos,
determinando gastrite e enterite. Em alguns casos a evolução
da doença é predominantemente nervoso, pela
ocorrência de inflamação exclusiva da
meninge e conseqüente meningite virótica.
Germes
de associação encontrados tanto no trato respiratório
quanto digestivo vêm num estágio mais avançado
da doença complicarem-na, com aparecimento de lesões
mais graves além de corrimentos purulentos. De início
ocorrem em geral vômitos, corrimento seroso nos olhos
e nariz para em seguida o corrimento se transformar em purulento
pela associação com outros germes. Quando
inflamadas as mucosas digestivas os vômitos se tornam
incoercíveis, sobrevindo em seguida disenteria de
início sem presença de sangue ou pus para
em seguida este aparecer também, constituindo-se
o resultado dessa regurgitação dos alimentos
ingeridos, assim como nas fezes emprestando-lhe odor pútrido.
HISTOPATOLOGIA
- Nas células ganglionares, no epitélio
bronquial e no revestimento interno da bexiga são
encontrados inclusões celulares características,
denominadas histologicamente de Corpúsculos da Cinomose.
Em geral, são vários os órgãos
atacados no transcorrer dessa doença, muito raramente
se constituindo apenas de encefalite pura, e esta quando
presente, leva a confusão com a Raiva.
FÓRMA
DE INFECÇÃO - O vírus penetra no
organismo suscetível a través do ar aspirado,
no chamado contágio aéreo, ou por via digestiva
a través dos alimentos ou da água de bebida
contaminadas por secreções de animais enfermos.
É uma das mais freqüentes enfermidades dos cães,
principalmente de animais jovens em seu primeiro ano de
vida. Podem também se infectar animais mais velhos
que por alguma razão não tenham sido imunizados
anteriormente com vacinas próprias, ou que por alguma
doença tenham tido sua resistência debilitada
e se tornado presa fácil para essa infeção.
FORMAS
CLÍNICAS DA DOENÇA:
A - PULMONAR - São predominantemente do aparelho
respiratório as anormalidades constatadas quando
do exame clínico do animal, traduzindo-se por inflamação
do faringe e laringe que provoca tosse, assim como da traquéia
e os próprios pulmões, neste ocorrendo pneumonia.
B
- DIGESTIVA - O aparelho digestivo é o predominantemente
afetado, com vômitos e disenteria, de início
serosa para se tornar em seguida com presença de
sangue (hemorrágica) e purulenta em seu final.
C
- NERVOSA - Predominantemente sinais nervosos, com sintomas
típicos de encefalite.
D - CUTÂNEA - É a forma mais benigna
da doença, quando os sinais comprovados são
unicamente na pele (vesículas e mesmo pústulas),
ou mucosas, aparecendo conjuntivites serosas breves , tendo
evolução para cura rápida sem maiores
complicações. Os animais vacinados que não
adquiriram por alguma razão conveniente imunidade,
em geral exteriorizam esta forma da doença.
TRATAMENTO
- Sendo disponível o chamado Soro Hiperimune
(Gama Globulinas específicas), é o tratamento
de eleição, secundado por antibióticos
de largo espectro para combate das infeções
secundárias concomitantes. Tratamento sintomático,
como por exemplo da conjuntivite é também
oportuno com a finalidade de ser evitado possível
complicação como úlcera da córnea
e mesmo panoftalmia.
PREVENÇÃO
- Vacinação dos animais sensíveis
a doença, com Vacina de boa procedência, esta
obtida preferentemente por cultivo em passagem por furão,
dando como resultado a chamada vacina viva atenuada. Modernamente
também é utilizado o cultivo do vírus
em membrana cório-alantoide de ovos embrionados de
galinha, esta chamada de Vacina avinizada. A primeira vacinação
deve ser aplicada nos animais pelo menos 30 dias após
seu desmame e separação da respectiva mãe,
e uma segunda dose, e mesmo uma terceira vacinação
após transcorridos 30 e 60 dias dessa primeira dose
administrada. Em geral é encontrado no comércio
veterinário, essa vacina associada aquelas profiláticas
contra a Hepatite e Leptospirose, constituindo em seu conjunto
na chamada Vacina Tríplice. Podem ser encontradas
também associadas para prevenção de
outras doenças, como a própria Raiva, e mesmo
outras doenças causadas por vírus e bactérias
que acometem esses canídeos.
Dr.
Carmello Liberato Thadei - médico veterinário - crmv-sp-0442
|