Sobre
o ponto de vista da fisiologia, os dentes representam órgãos
intermediários entre o meio exterior e o aparelho da
nutrição, destinando-se principalmente à
mastigação dos alimentos, e assim colocando-os
em condições de sofrer a ação
dos sucos digestivos. Para os morfologistas, o dente é
um órgão de tecido calcificado, de coloração
amarelo-esbranquiçada, situados na cavidade bucal e
colocados sobre os maxilares, onde se dispõem em fileiras.
Já na concepção de veterinários,
zoólogos e filósofos naturalistas os dentes,
além se sua função básica, são
órgão de combate de ataque ou defesa, concorrendo
para a conservação e perpetuação
da espécie.
Os dentes basicamente são destinados a colher, reter,
cortar, perfurar, dilacerar, esmagar, moer ou triturar os
alimentos. No entanto em alguns VERTEBRATA inferiores como
os répteis e peixes, os dentes tem forma cônica,
cuja finalidade é reter e muitas vezes cortar pedaços
da presa que serão em seguida deglutida e não
mastigada (Fig. 1).
Fig.
1 - Observar a forma cônica e rudimentar dos
dentes de um pirarucu, distribuídos irregularmente
pelos rebordos alveolares, alcançando a comissura
da boca.
Nos
VERTEBRATA superiores (mammalia), os dentes se dividem em
grupos, com funções diversas, como os incisivos
para cortar, caninos par perfurar ou despedaçar e os
molares para moer os alimentos. Para cada espécie animal
dependendo de sua forma de alimentar ou mastigar estas funções
dos dentes se tornam mais especificas.
Curiosas são as outras funções que os
dentes tem além da referida mastigação.
Animais como o castor usam os incisivos e caninos para transporte
de materiais para construção de seus abrigos,
a morsa tem somente duas enormes presas (chegando a medir
1 metro) localizadas na arcada superior e as utiliza para
se locomover, enquanto os javalis, catetos (porco do mato)
as utilizam para defesa. Outra interessante utilização
dos dentes é quando os coelhos, cobaias e os ratos
usam os incisivos para preenção da fêmea,
afim de permitir a realização da cópula.
Enquanto nos Mammalia os dentes se localizam nos rebordos
maxilares dispostos em fileiras contínuas ou intercaladas
(Fig.2), nos peixes, esta disposição não
é seguida, como o tubarão que além de
apresentar um grande número de dentes que se implantam
sobre as bordas e na face lingual (interna) e em fileiras
sucessivas dos maxilares, possuem o corpo recoberto por uma
pele áspera, isto deve a uma infinidade de pequenos
"dentes" chamados dentículos ou escamas placóides.
Para outros tipos de peixes como os Teleostomi de água
doce ou salgada, a localização dos dentes se
faz em qualquer osso da cavidade bucal ou faríngica,
isto é, além dos maxilares, podem irromper nos
osso palatinos, vômeres ou até em osso situado
na faringe. O Jaú, por exemplo, tem placas dentígeras
faringeanas que com seus movimentos dactiloformes (Fig.5),
participam do mecanismo da eversão estomacal, isto
é, auxiliam o estômago a sair pela cavidade buco-faríngea,
manobra fisiológica e periódica que serve para
eliminar de seu interior o acúmulo de resíduos
não digeridos, constituído basicamente por sobras
de ossos.
Figura
2 - Arcadas dentárias de um vertebrata superior
(cateto). Observar os dentes divididos em grupos,
cada qual com sua função e a disposição
em fileiras, neste caso com espaços entre
os caninos e a região dos molares
Quanto
a sua direção isolada, os dentes podem ser divididos
em dois grupos, os retilíneos e os curvilíneos.
O primeiro grupo, são representados pelos dentes de
certas espécies de peixe e dos jacarés. Já
os caninos do cão, gato, onça, catetos, os dentes
venenosos das serpentes, os incisivos da capivara ou rato
ou as presas do elefante que na realidade não são
caninos e sim incisivos laterais decíduos (leite),
representam o grupo dos curvilíneos (Fig.3).
Figura
3 - Dentes canino fora do alvéolo de um cateto.
Observar sua forma arqueada, sendo a metade superior
a coroa e a inferior a raiz do dente.
Observando
o volume e tamanho dos grupos de dentes, verifica-se grande
variação por estarem relacionados à espécie
animal e função dos mesmos, assim nos herbívoros,
especialmente os ruminantes (vaca), são os dentes molares
que atingem grande desenvolvimento, enquanto os caninos ou
incisivos podem estar ausentes, nos roedores os incisivos
que se apresentam volumosos, já nos carnívoros
são os caninos que predominam sobre os demais.
Qualquer dente, exceto os de crescimento contínuo (dentes
dos roedores, morsa) desde o seu irrompimento no arco não
mais aumenta de volume, ou melhor, o volume de um dente é
fixo para uma determinada espécie. A diminuição
de volume pode ser verificada em alguns animais em virtude
da abrasão ou desgastes devido ao constante atrito
entre si e com as substâncias alimentares.
Com relação ao sexo, observa-se com freqüência,
certo dimorfismo sexual do aparelho dental. É o que
acontece com o macho de numerosas espécies animais,
onde certos grupos dentais dominam sobre os dente homólogos
da fêmeas. Assim o macho dos javalis e catetos, possuem
dentes caninos muito mais desenvolvidos que o correspondente
da fêmea. O cavalo possui caninos pequenos quase que
atrofiados enquanto a égua não os tem.
Fato interessante e curioso é que a concorrência
vital, em certos animais exercem notável influência
no volume dos dentes. Assim, nos animais que vivem em manadas
como os javalis, catetos e barbirussas, onde vivem vários
machos e fêmeas e o mais forte deve sobreviver e deixar
descendência, possuem dentes caninos muito volumosos
e desenvolvidos, muitas vezes exteriorizam a cavidade bucal.
Tornando este animal ainda jovem e domesticando-o, os sucessores
de segunda ou terceira geração exibirão
caninos menores com características atróficas.
Por outro lado, devolvendo os seus descendentes ao estado
selvagem, os caninos adquirem novamente seu volume original.
Figura
4 - Boca do jaú. Observar a distribuiçào
dos dentículos no interior da mesma.
O número de dentes varia de acordo a espécie
animal considerada. De maneira geral, os dentes são
tanto mais simples e mais numerosos quanto mais inferior é
a posição do animal na escala zoológica
(Fig. 4 e 5). Inversamente, os dentes tendem a diminuir em
número, tornando-se mais complicado quanto mais complexo
for o organismo do animal. A percorrer a escala zoológica
verifica-se que entre os peixes, a maioria possui dentaduras
constituídas por numerosos dentes, como se constata
no tubarão, piranha, dourado, bicuda, pacu, etc., todavia
existem algumas exceções, como a carpa tem apenas
3 dentes, a quimera 6 dentes e até mesmo em alguns
exemplares a ausência total dos dentes. O jacaré
possui numerosos dentes cônicos colocados sobre as cristas
maxilares, onde formam dois arcos contínuos, o superior
envolvendo o inferior. Nos mamíferos aquáticos
os dentes são numerosos, em algumas espécies
como nos Odontocetáceos (baleia com dentes), este número
e tamanho estão relacionados com o tipo de presa que
ela caça, por exemplo, o cachalote possui 50 dentes
que situam somente na arcada inferior, são grandes
e próprios para apanhar presa maiores, como grandes
peixes e focas. Já o golfinho e o delfim possuem dentes
menores, agudos e em maior número cerca de 100 e 200
respectivamente, sendo sua alimentação principalmente
de pequenos peixes. Os Misticetáceos (baleias de barbatanas),
como a baleia azul, pelo menos no estado adulto, não
possui dentes, estes animais exibem uma primeira dentição,
que desaparece mesmo antes de seu nascimento, sendo substituído
por barbatanas córneas e flexíveis, em número
de centenas ou até milhares, localizadas somente na
arcada superior, que servem para filtrar a água e reter
minúsculos animais que são nos plânctons
marinhos e muitas vezes até pequenos peixes.
Figura
5 - Aproximação dos dentículos.
Observar a quantidade e a simplicidade dos mesmos.
Estes dentículos estão presentes também
nas placas dentígeras faringeanas do jaú.
Outro
aspecto interessante é com relação ao
número de vezes de troca de dentes, ou melhor, dentições
que determinadas espécies de animais possuem. Entre
outros o tatu, o bicho de preguiça e as baleias de
barbatanas possuem uma única dentição.
Enquanto o jacaré e algumas espécies de serpentes
trocam seus dente cerca de 25 vezes durante toda a vida. Podemos
encontrar fenômeno bastante interessante observado nos
peixes, onde a maioria das espécies apresentam algumas
centenas de dentições, cujos restos dentais
forma o fóssil mais abundante do fundo dos mares.
Antonio
Lucindo Bengtson
Titular da disciplina de Odontopediatria da FOUNIMES
Nadya
Galvão Bengtson
Assistente da disciplina de Odontopediatria da FOUNIMES
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
1
- BENNEJEANT, C.H.- Principales differenciations dentaires
chez le mamifères. Pratique Odonto. Stomatologique.,
437: 1-8, 1950.
2
- DELLA SERRA, O. & FERREIRA, F.V. - Anatomia Dental,
Ed. Artes Médicas, São Paulo, 1970 p. 1-35.
3
- KVAM, T. - The dental reduction of the row of vertebratas
and the teeth of the marine mammalia. Acta Odontologico Scandinavica,
2(2): 157-76, 1940.
Copyright®1997/2010 -
Comercial De
Cicco. Todos os direitos reservados. Qualquer forma de reutilização,
distribuição, reprodução ou publicação deste conteúdo é expressamente
proibida, estando sujeito o infrator às sanções legais cabíveis,
de acordo com a lei 9610/98. Política
de Privacidade e Segurança
Entre
para a família Saúde Animal e personalize sua
navegação.