Ocorrência
no Homem:
Devido
às dificuldades de diagnóstico, não
se pode conhecer com certeza a frequência da infecção
larvar por Toxocara no homem. Os pacientes que sofrem de
invasão ocular são os que mais buscam a assistência
médica, mas é possível que para cada
caso oftálmico existam vários com infecções
larvares em outros órgãos, tais como o coração,
fígado, pulmões e cérebro.
A Enfermidade no Homem:
Excetuando-se os casos muito raros de toxocaríase
intestinal com parasitos adultos, a infecção
humana se produz por larvas de Toxocara e a localização
é extra-intestinal (larva migrans visceral). As larvas
de segundo estágio migram por diferentes órgãos
e tecidos, onde podem permanecer durante muito tempo. A
síndrome ocorre sobretudo em crianças de 18
meses a 3 anos de idade, mais expostos a ingerir ovos de
Toxocara, mas se apresenta também em indivíduos
adultos. As larvas produzem nos órgãos, lesões
focais de granulomas
eosinófilos, que podem generalizar-se.
As manifestações
clínicas dependem do número de larvas e de
sua situação anatômica. As infecções
leves podem ser assintomáticas, com exceção
de uma eosinofilia persistente. A gravidade dos quadros
clínicos é variável, predominando os
de sintomatologia leve. O sinal mais comum é a eosinofilia
crônica. A percentagem de eosinófilos pode
chegar a mais de 50% da pesquisa total de leucócitos.
Nas primeiras etapas da enfermidade são freqüentes
uma hepatomegalia e uma pneumonia, com hipergamaglobulinemia.
As reinfecções freqüentes afetam simultaneamente
o fígado e os pulmões, debilitando muito o
paciente. Nas crianças maiores e nos adolescentes
é freqüente na primeira semana, uma síndrome
com febre, acesso de tosse, náuseas, vômitos
e dispnéia. Os sintomas podem ficar recorrentes durante
vários meses. Em crianças pequenas a enfemidade
pode apresentar-se em uma forma mais grave, com acessos
asmáticos, febre alta, anorexia, artralgias, mialgias,
náuseas, vômitos, hepatomegalia, linfadenopatia
e as vezes urticária e edema angioneurótico.
A
forma ocular é a mais freqüente e se apresenta
como uma manifestação tardia. A presença
da larva nos olhos pode causar diminuição
progressiva da visão e sua perda repentina. O estrabismo
é freqüente. A afecção é
unilateral, e geralmente sem sintomas sistêmicos nem
eosinofilia. As endoftalmias por larvas de Toxocara tem
sido muitas vezes confundidas com retinoblastomas e tem
determinado a extirpação do globo ocular afetado.
As larvas podem localizar-se no SNC, mas não se tem
comprovado sua participação na etiologia de
afecções cerebrais. Os casos fatais por larva
migrans visceral são raros. A enfermidade não
se transmite diretamente de uma pessoa a outra.
Fonte de Infecção e Modo de Transmissão:
A
grande difusão e alta prevalência de Toxocara
em cães e gatos, o grande número de ovos que
estes eliminam e a resistência dos mesmos, são
fatores que contribuem para a contaminação
do solo, que é a fonte de infecção
para o homem. As crianças são as mais expostas
por suas atividades em contacto com o solo e por carrear
terra e diferentes objetos contaminados para a boca. O adulto
pode adquirir a infecção se não se
observam regras básicas de higiene pessoal, sendo
quase sempre as mãos sujas, o veículo dos
ovos do parasito.
Diagnóstico:
O diagnóstico da toxocaríase larvar humana
apresenta grandes dificuldades. A
presença de eosinofilia,
hipergamaglobulinemia e hepatomegalia, junto com a sintomatologia
descrita ou os exames oftalmoscópios no caso de toxocaríase
ocular, permitem suspeitar a presença da infecção.
O
diagnóstico se confirma pelo exame histopatológico
do tecido hepático, obtido por biópsia, ou
do globo ocular nos casos de enucleação. Podem
ser usadas várias provas imunobiológicas,
tais como hemaglutinação, precipitação
em agar-gel, imunofluorescência e hipersensibilidade
cutânea. Estas provas são de certa utilidade,
mas nenhuma é inteiramente satisfatória, devido
à falta de especificidade e a freqüência
de reações cruzadas com outras helmintíases.
A prova de microprecipitação com larvas vivas
tem dado ultimamente resultados promissores. O diagnóstico
de toxocaríase intestinal em cães e gatos
não oferece dificuldade e se estabelece mediante
a observação de ovos dos parasitos no material
fecal.
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O
ciclo de vida deste verme se fecha de várias
formas. Em princípio o ciclo se dá de
forma direta, isto é, os vermes adultos localizados
no intestino eliminam ovos que contaminam o solo. Animais
tanto adulto como filhotes se infestam ao farejar e
lamber o solo contaminado. Crianças também
podem se
contaminar ao brincar no chão. O verme pode ainda
ser transmitido aos filhotes pela sua mãe, tanto
pela placenta como pelo leite. |
Controle:
A medida principal de controle consiste na vermifugação
periódica de cães e gatos. Os cães
recém nascidos com infecção pré
natal são de especial interesse na profilaxia. Se
recomenda tratar os cachorros a duas semanas de nascido
com adipato de piperazina e repetir a medicação
a 3, 4 e 8 semanas de idade. os demais cães e gatos
tem de ser submetidos a exames coprológicos e se
deve, obrigatoriamente, vermífugá-los em caso
de encontrar-se ovos de Toxocara.
Para a prevenção da enfermidade no homem é
importante observar as regras de higiene pessoal e ensiná-las
às crianças desde a primeira idade. Os cães
não devem ser admitidos nos parques, nem em outros
lugares públicos; os cães vadios devem ser
eliminados.
José Brites Neto
Médico Veterinário CRMV-SP 11996