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Os búfalos
são animais domésticos utilizados para a produção
de carne e leite destinados ao consumo humano, além
de serem algumas vezes aproveitados como força de trabalho
no campo. Possuem temperamento bastante dócil, o que
facilita sua criação e manejo, e são
muito rústicos, adaptando-se bem às mais variadas
condições ambientais.
São
classificados na sub-família Bovidae, gênero
Bubalis, sendo divididos em dois grupos principais: o Bubalus
bubalis com 2n=50 cromossomos, também conhecido como
"water buffalo", e o Bubalus bubalis var. kerebau
com 2n=48 cromossomos, denominado búfalo do pântano
("swamp buffalo"). Convém lembrar que o búfalo
doméstico nada tem a ver com o bisão americano
nem com o búfalo africano, sendo estas espécies
selvagens e agressivas.
No
Brasil, são comuns as raças Mediterrâneo,
Murrah, Jafarabadi e Carabao. Os animais da raça Mediterrâneo
têm origem italiana, dupla aptidão (carne e leite),
apresentam porte médio e são medianamente compactos.
A raça Murrah, indiana, apresenta animais com conformação
média e compacta, cabeças leves e chifres curtos,
espiralados enrodilhando-se em anéis na altura do crânio.
Jafarabadi, também indiana, é a raça
menos compacta e de maior porte que existe no mundo, com chifres
mais longos e de espessura menor, com uma curvatura longa
e harmônica. A raça Carabao é a única
adaptada às regiões pantanosas, estando concentrada
na ilha de Marajó, no Pará; originária
do norte das Filipinas, apresenta pelagem mais clara, cabeça
triangular, chifres grandes e pontiagudos, voltados para cima,
porte médio e dupla aptidão.
O
búfalo foi introduzido no Brasil no final do século
passado, inicialmente na ilha de Marajó, no Pará,
porém sua importância como produtor de carne
e leite no país é fenômeno recente. Segundo
estimativas recentes, o rebanho bubalino brasileiro é
da ordem de 3 milhões de cabeças, com o maior
índice de crescimento dentre todos os animais domésticos.
É o maior rebanho bubalino das Américas.
Os bubalinos podem ser criados
nas mais diversas condições climáticas,
muitas vezes apresentando-se como uma opção
para o aproveitamento de áreas da propriedade às
quais os bovinos não se adaptam. A preferência
por regiões alagadas ou áreas pantanosas é
bastante peculiar para a espécie; isto ocorre porque
os búfalos possuem um menor número de glândulas
sudoríparas em relação aos bovinos e
sua pele escura apresenta uma espessa camada de epiderme,
fazendo com que eles sejam menos eficientes na termorregulação
corpórea. Assim, eles procuram a água para se
refrescarem e para se protegerem do ataque de insetos e parasitos.
Por
serem pouco seletivos quanto à ingestão de vegetais
e sub-produtos, os bubalinos transformam qualquer volumoso
de baixo teor nutritivo em componentes necessários
para o seu metabolismo energético, transformando-os
em carne, leite e trabalho.
Do
ponto de vista reprodutivo os bubalinos se assemelham aos
bovinos, entretanto apresentam características inerentes
à espécie, como por exemplo algumas particularidades
do ciclo estral da búfala e a possibilidade de sazonalidade
reprodutiva, variável de acordo com a região.
Diversas biotécnicas reprodutivas podem ser utilizadas
com o intuito de aumentar os níveis de produtividade
dos rebanhos, como por exemplo a inseminação
artificial e a transferência de embriões.
Embora
os búfalos sejam reconhecidamente mais resistentes
a determinadas enfermidades que os bovinos, estas duas espécies
são acometidas basicamente pelas mesmas doenças.
As criações extensivas de búfalos podem
apresentar alta mortalidade de bezerros devido à infecção
por Toxocara vitulorum. Outros parasitas gastrointestinais
podem causar grandes prejuízos à criação.
A
incidência de brucelose é comum em várias
regiões. A tuberculose também é um problema
em algumas áreas, especialmente devido à coabitação
com a espécie bovina. A Leptospirose pode acometer
os bubalinos, pois os microorganismos sobrevivem melhor em
regiões úmidas, que são as preferidas
pelos búfalos. Outras enfermidades têm sido identificadas,
dentre elas as tripanossomíases, filarioses, sarnas
e piolhos (Haematopinus tuberculatus).
Várias publicações
em diferentes países têm destacado a excelente
performance do búfalo como produtor de carne, sendo
que esta possui menos gordura saturada, colesterol e calorias
e maior conteúdo de proteína nobre quando comparada
a outras carnes produzidas pelas diferentes espécies
domésticas. O leite de búfala, por sua vez,
é apreciado em todo o mundo. Apresenta coloração
branco opaca e pH entre 6,43 e 6,80. Em relação
ao leite bovino, possui micelas de caseína maiores,
coagula muito mais rápido e seus produtos derivados
tendem a ser um pouco mais duros, secos e quebradiços.
O couro dos búfalos é mais espesso, pesado,
poroso e flexível que o do bovino, sendo por isso muito
utilizado para a fabricação de derivados de
couraria fina.
Em
muitas localidades do mundo, principalmente na Ásia,
os búfalos são a fonte principal de força
motriz para trabalho nas áreas rurais. É considerado
como imprescindível nas culturas de arroz, coco, dendê
e na agricultura familiar, sendo ainda utilizado para transporte
e para puxar carroças e arar o solo.
Graciana
Corrêa Romitto
Estudante de veterinária, FMVZ-USP
Outros
sites:
http://www.bufalo.com.br
(Associação Brasileira de Criadores de Búfalos)
http://ww2.netnitco.net/users/djligda/waterbuf.htm
(Water Buffalo H.P.)
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