Dr.
Antonio Rodrigues de Oliveira Jr
Médico Veterinário
A Triquinelose Suína
é uma verminose causada pela Trichinella spiralis,
que em sua fase adulta parasita o intestino delgado do suíno,
além dos carnívoros e também do Homem.
É um verme muito pequeno, sendo que o macho adulto
chega a 1,6 mm e a fêmea pode alcançar até
4 mm de comprimento.
Os
Vermes adultos estão geralmente embebidos na mucosa
intestinal, de modo que as formas jovens são depositadas
diretamente dentro da mucosa; As larvas prosseguem invadindo
o tecido linfático de seu hospedeiro definitivo, passando
para a circulação, onde são distribuídas
por todas as partes do corpo, penetrando nas fibras musculares,
onde destróem o sarcoplasma. Finalmente, a sua presença
estimula a formação de cistos, mantendo as larvas
até calcificarem ou morrerem, ou ainda se ingeridas
por um novo hospedeiro desenvolvem um novo ciclo.
Ao
ingerir carne contendo os cistos da Trichinella, estas se
desenvolvem até a fase adulta em dois dias e começam
a produzir larvas em seis dias. O suíno alimentado
com restos de comida não cozidos ou de restos de carne
crua são maciçamente infectados. Como seria
de se esperar, os carnívoros são os mais comumente
afetados por esta doença.
Por
ser um parasita que não exige fase externa ao hospedeiro,
a sua distribuição no mundo só depende
dos carnívoros. No homem pode causar uma doença
grave, devido ao seu reduzido tamanho, e geralmente passam
despercebidas no exame pós-mortem, sendo sempre possível
ser causadora de doença no sistema nervoso central,
no sistema muscular ou no trato digestivo.
Quase
todos os mamíferos podem se infectar experimentalmente
com a Trichinella, porém somente
os carnívoros e omnívoros são os hospedeiros
naturais. A infecção ocorre, como já
dissemos, pelo predatismo, pelo canibalismo ou pela ingestão
de carne em decomposição; as larvas encistadas
nos músculos são extremamente resistentes às
condições ambientais externas, inclusive me
extremos de putrefação, representando assim,
um estágio de vida livre em um biótipo especial,
em analogia aos ovos e larvas de outros nematódeos.
A
carne com Trichinella é totalmente inofensiva quando
devidamente cozida ou congelada a -15º C por 20 dias,
porém uma passagem temporária pelo forno não
garante que as larvas encistadas no meio de grandes massas
musculares sejam destruidas. A temperatura de 60º C'no
local do cisto é suficiente para matar as larvas.
Em
certos países onde o consumo de carne suína
crua é comum, como Alemanha, o Serviço de Inspeção
inclui análise microscópica de preparações
esmagadas de diafragma.
Os
surtos de triquinelose clínica no homem, englobam pequenos
grupos de pessoas que ingeriram conservas cruas ou assados
mal cozidos de suínos abatidos em clandestinidade.
Nos Estados Unidos houve um surto em Illinóis, onde
50 membros de uma família holandesa e 23 de uma alemã
ficaram doente ao ingerir embutidos caseiros não inspecionados.
A
triquinelose humana pode se manifestar por edema periorbital,
mialgia, febre, erupções cutâneas, gastroenterites,
conjuntivites, pruridos, etc...
Atualmente,
na suinocultura tecnificada, onde o suíno é
alimentado exclusivamente com rações balanceadas,
é impossível haver incidência de Trichinella,
pois o animal não tem contato com fontes de infecção,
como carnes cruas, cadáveres ou restos de comida.
Além
disto é sempre importante consumir carnes somente de
origem reconhecida e passadas pelo Serviço de Inspeção
Federal, Estadual ou Municipal, que são órgãos
competentes na preservação da saúde humana.
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