Carmello
Liberato Thadei
Médico Veterinário
Quanto às especificações
sobre vermífugos a serem dados a cães
que deles necessitem, recomendo que primeiro seja
efetuado Exame de Fezes do animal em questão.
Sendo os vermes intestinais que parasitam os intestinos
de cães pertencentes a vários grupos
(Protozoários, Nematelmintos, Platelmintos,
etc. ), e mesmo dentro de um desses grupos existirem
vermes, como por exemplo o Ancylostoma caninum
, que por ser hematófago (se alimentar de
sangue), e não sendo eliminado pelos vermífugos
administrados * per ós * (via oral), tornam
a necessidade de prévio exame de fezes indispensável.
Devido esses fatos, somente sendo efetuado prévio
exame parasitológico de fezes, poderá
uma prescrição vermífuga ser
eficiente. Não é aconselhável
simplesmente administrar ao cão, um ou vários
vermífugos numa determinada freqüência
no tempo. Os medicamentos de ação
vermífuga, como todos medicamentos são
necessários apenas quando indicados (no caso
do animal encontrar-se parasitado), caso contrário
além de ser desnecessário poder também
ser nocivo, pelo fato de todo medicamento, indistintamente,
também ter alguma ação nociva,
poderá quando administrado sem ser necessário
ao invés de fazer bem ao animal poderá
fazer mal, podendo levar o animal que dele não
tinha necessidade por não se encontrar parasitado,
até a uma intoxicação causada
pelo próprio medicamento vermífugo.
Os
vermífugos são medicamentos indicados
para combater (eliminando) vermes intestinais quando
eles existem parasitando um determinado animal.
Se o animal não está parasitado por
vermes, a administração de vermífugos
além de desnecessária pode ser nociva,
pois como relatei anteriormente, todo medicamento
(inclusive portanto os vermífugos), têm
além de sua ação indicada,
também ação danosa (tóxica)
ao organismo (Uns mais outros menos, porém
todos, sem exceção). Assim sendo,
medicamentos em geral somente devem ser administrados
quando necessário, e não indiscriminadamente.
Ministrar um vermífugo, embora alguns deles
tenham o que se chama amplo espectro de ação,
sem saber se o animal está parasitado e se
estando parasitado qual os quais os vermes que se
encontram parasitando o animal, parece-me irracional.
A
propósito disso vou lhes relatar um fato
que se verificou ainda recentemente em minha cidade,
com um cão de propriedade de um amigo, que
por sinal é médico e renomado em sua
especialidade. Muitas vezes perguntei a esse amigo
médico, se ele realizava periódicos
exames parasitológicos das fezes de seu cão,
ao que ele sempre me respondia: Meu cão vive
confinado apenas no quintal de minha casa, e não
tem acesso a Rua, portanto acho desnecessário
exames de suas fezes. Além do fato, de mesmo
assim, lhe ministrar periodicamente vermífugos
oralmente. Bom! Um certo dia, telefonou-me o mesmo
aflito, dizendo: Faça-me o favor de vir até
minha casa, porque meu cão está evacuando
sangue, e não sei como proceder !!! Atendi
esse amigo, e após a necessária coleta
das suas fezes de seu cão e subsequente exame
parasitológico, o que realizei na própria
residência desse amigo, pois o mesmo possui
Microscópio ótico em seu lar, concluí:
Parasitismo intenso por Ancylostoma caninum.
Esse
meu amigo, que como frisei é médico,
ficou boquiaberto: Não é possível,
pois esse cão não tem acesso a Rua
nem convívio com outros cães, onde
ele pegou esse parasita? Respondi-lhe: Veja você
mesmo no microscópio os ovos do Ancylostoma
(característicos, forma ovalada, casca fina,
medindo de 40 x 60 micra aproximadamente, apresentando
muitos deles 2 a 4 blastômeros (células)
em seu interior, e alguns inclusive a larva pré
formada em movimento em seu interior. Não
teve ele outra alternativa senão acreditar
no parasitismo de seu cão, com o agravante,
desse parasita poder também contagiar o homem,
com um parasitismo errático na pele, causando
o que é chamado em medicina de Larva Migrans,
ou Já começa (no Rio de Janeiro),
ou Coceira das Praias em São Paulo.Um detalhe:
A simples administração de vermífugos
orais, nesse caso, não eliminam o verme,
pelo fato do mesmo sendo hematófago (alimentar-se
de sangue), não ingerir o medicamento ministrado
oralmente, e assim não vir a morrer e ser
eliminado.
Em
caso desse parasitismo, a medicação
para ser eficiente, necessita ser administrada sob
a forma de injeção parenteral, porque
o medicamento sendo levado juntamente com o sangue
pela circulação é ingerido
o remédio pelo verme ao se alimentar de sangue
(hematófago), e com ele também ingerindo
o medicamento, e assim vir a morrer e ser eliminado.
Em casos do parasitismo errático nos próprios
cães que os albergam nos intestinos, constituindo
então um duplo parasitismo (intestinal e
cutâneo), os cães apresentarão
além de enterite hemorrágica (evacuam
sangue), também forte coceira da pele causada
pelas larvas que penetraram na pele e ali se instalaram
de forma errática, principalmente nas regiões
do ventre e das patas. Observando a pele com uma
simples lupa, desses animais com o parasita erraticamente
situado, verificar-se-há o trajeto do mesmo
sob a epiderme, o que é denominado de Bicho
dermográfico, dermatose serpinginosa ou Larva
Migrans, o que explica o prurido manifestado pelos
mesmos quando nessa forma parasitados.
É
essa a principal razão da Legislação
existente proibindo acesso de cães às
praias, pelo fato de poderem ser os cães
disseminadores desse parasitismo errático
em banhistas, que venha a deitar-se nas areias que
tenha sido contaminadas por fezes de animais portadores
desse verme em seus intestinos, e com suas fezes
juntamente depositados nas áreas de praias.
Na região do Rio de Janeiro é esse
parasitismo humano denominado de "Já-Começa"
, em São Paulo simplesmente "Coceira
das Praias", e no Sul dos Estados Unidos conhecido
por "Ground itch "; Em Porto Rico é
chamado por "mazamorra ", e os povos de
língua inglesa em geral o denominam de: "creeping
eruption " . Além da larva do Ancylostoma,
também outras larvas de moscas, formigas
ou nematoides, também podem determinar idêntica
doença errática.
Quanto
aos parasitas intestinais que ocorrem com mais freqüência
em cães, voltarei ao assunto quando tratar
especificamente de Ancylostomas, Toxocaras, e outros
parasitas intestinais e viscerais.
Carmello
Liberato Thadei
( Médico Veterinário - CRMV-SP-0442
)
São
José do Rio Preto - SP
