ORIGEM: regiões sul e sudeste do Brasil, Argentina e Paraguai.
HÁBITOS: basicamente noturnos.
O
porquinho-da-índia doméstico tem origem desconhecida.
Acredita-se que tenha sido domesticado na América
do Sul desde os tempos pré-incas. Foram levados
para Europa no século XVI, e durante os quatro
séculos seguintes foram conservados na maioria
dos países europeus e América do Norte
como animais domésticos e foram usados como
alimento nos países Mediterrâneos e na
América do Norte.
Na
América do Sul são encontrados na Colômbia,
Venezuela, norte da Argentina. Já no Brasil
ele é encontrado em vários Estados,
principalmente no Nordeste.
Os
porquinhos-da-índia são animais rústicos
e muito resistentes, adaptando-se bem sob diversas
condições climáticas e vivem
de acordo com o habitat em que se encontram. São
bastante tímidos e ariscos e quando afugentados
correm aos pulinhos emitando pequeninos gritinhos
ou guinchos.
A
carne apresenta sabor agradável, sendo considerada
de boa qualidade para consumo. Sua composição
é bastante próxima ou quase superior
a outros tipos de carnes, como as de bois, frangos,
porcos etc. É uma carne magra, com baixo teor
de gordura - inferior à do frango.
Estes
animais são muito utilizados para a alimentação,
principalmente nos países da América
do Sul e, por sua pele e pêlo serem muito parecidos
com o do homem, os porquinhos-da-índia também
são utilizados em laboratórios cosméticos
para vários tipos de xampus, tintas para cabelos,
perfumes etc.
Além
disso, os porquinhos-da-índia são utilizados
para experiências em laboratórios e biotérios
como comprovadores de eficácia de produtos
biológicos, tais como soros, vacinas e, como
detectores da toxicidade de ervas e forrageiras.
Os
porquinhos-da-índia são animais resistentes
às doenças porém, é muito importante
fazer exame periódico verificando o aspecto e a sanidade
dos animais. Muitas das doenças provem do manejo
errado: da falta de higiene nos alojamentos, superpopulação,
ambientes com pouca ventilação ou temperaturas
elevadas, correntes de ar e ainda alimentação
inadequada. A
melhor prevenção é conservando as instalações
limpas, bem ventiladas e fazer a verificação
periódica nos animais, afastando também certos
males como piolho, sarna e vermes. Não esquecer de
colocar em quarentena qualquer novo animal introduzido na
criação e manter uma alimentação
fresca e balanceada. Normalmente
quando o animal está doente ele se torna triste e
seus pêlos ficam secos e arrepiados. Dentre as enfermidades
que podem eventualmente aparecer numa criação
estão as seguintes:
BACTERIANAS
1
- Salmonelose: produzida pela Salmonella thyphimurium
(a mais comum, ainda que também por outros tipos
de Salmonella com sintomatologia muito similar). É
uma enfermidade que se difunde rapidamente produzindo alta
mortalidade, principalmente para os animais em crescimento.
É provavelmente a mais letal de todas as enfermidades
dos porquinhos-da-índia.
2
- Pseudo tuberculose: Produzida pela P. pseudo tuberculosis.
É uma enfermidade crônica caracterizada por
nódulos sebosos, especialmente nódulos linfáticos
e vísceras. Geralmente é contraída
pela boca. As
lesões individuais iniciam-se com pequenos focos
necróticos que vão aumentando de tamanho até
sobressaírem na superfície do órgão
ou glândula e quando cortados apresentam um pus fluido,
espesso e cremoso.
3
- Pneumonia: Enfermidade respiratória causada
por bactérias, provavelmente a mais comum, principalmente
em se tratando dos porquinhos-da-índia de laboratório.
Produzida pela Klebsilla pneumaniae, Pasteurella Multocida,
Bordetella bronchiseptica, Streptococcus pyogenes e pneumonice.
Os
sintomas são espirros, olhos lacrimejantes, tosse,
além do decaimento do animal. É uma enfermidade
contagiosa, sendo necessária a separação
dos animais afetados e às vezes até a destruição
da colônia e um recomeço com um novo grupo
de animais.
4
- Abscessos subcutâneos: Enfermidades também
comuns nos porquinhos-da-índia, causadas por qualquer
um dos variados gêneros de bactérias.
5
- Linfoadenite cervical: Também bastante comum,
é causada pelo Streptobacillus moniliformes ou Streptococcus.
VIRAIS
1
- Adenite Salival: Inflamação e irritação
das glândulas salivares, também conhecida como
parotidite. A enfermidade é simples e o animal se
recupera completamente entre 7 e 14 dias.
2
- Coreomeningite: Raramente ocorre em porquinhos-da-índia.
3
- Paralisia Infecciosa: Debilidade e paralisia gradual
das extremidades, especialmente dos membros traseiros, podendo-se
também paralisar a bexiga.
4
- Miosite Infecciosa: Inflamação e edema
nas patas traseiras. Não se sabe ao certo qual o
vírus que a produz, podendo ser de origem dietética
ou hereditária.
PARASITÁRIAS
Nos
porquinhos-da-índia é muito difícil
o aparecimento de parasitos internos, mesmo para os animais
domésticos, geralmente criados no chão. Já
os ectoparasitos, ou seja, parasitos externos, são
encontrados com facilidade inclusive em animais de laboratório.
ENTRE
OS MAIS COMUNS ESTÃO:
1
- Piolhos - Vivem sobre as escamas da pele, causando
irritações consideráveis. Geralmente
aglomeram-se ao redor das orelhas e ocasionam áreas
peladas em conseqüência das picadas. É
muito difícil a eliminação completa
dos piolhos, mas são controlados através de
submersão e pulverização com inseticidas
apropriados.
2
- Ácaros e insetos: Os animais criados em
laboratórios raramente são infestados por
ácaros. Porém quando a criação
é doméstica os porquinhos-da-índia
estão mais propensos ao ataque dos parasitas. O controle
é fácil e realizado através de submersão
e pulverização em solução sarnicida
e inseticida, as quais, se usadas em dosagem correta, não
provocam nenhum tipo de toxidade aos animais.
CAUSADAS
POR PROTOZOÁRIOS
1
- Coccideose: Os protozoários vivem no intestino
e aí se reproduzem com velocidade, matando células
epiteliais e deixando uma superfície ulcerada, inchada
e sangrando, não permitindo que o intestino funcione
normalmente.
Os animais recuperados normalmente são imunes, mas
são portadores e a transmissão se dá
pelas fezes de outros animais da mesma espécie.
CAUSADOS
POR FUNGOS 1
- Mucormicose: Um mofo concentrado sobre o feno e
ferragem. Os únicos sintomas geralmente observados
são causados por infecção dos nódulos
linfáticos do mesentério pelo fungo, dando
origem a uma grande massa benigna no abdome.
CARÊNCIAS
1
- Escorbuto: é a deficiência da Vitamina
C. O escorbuto provoca um transtorno no tecido conjuntivo
produzindo hemorragias, especialmente ao redor das costelas
e articulações, assim como rigidez nas partes
traseiras com inflamação e hemorragia na planta
das patas. Os principais sintomas são dificuldade
para andar, perda de peso constante e pêlo sem brilho.
Com o tempo aparecem articulações inflamadas
e gengivas sangrando ao redor dos dentes soltos.
Reprodução
Com
dois a três meses de idade esse animal já está
apto a se reproduzir, por isso, é conveniente separar
os sexos na época da desmama. Para
o macho, o ideal é iniciar a idade reprodutiva com
oito meses de idade e para a fêmea a partir dos cinco
meses.
O cio do porquinho-da-índia dura entre seis e onze
dias. Quando ocorre o cruzamento, a fêmea entrará
num período de gestação média
de 68 dias. Quando os filhotes nascem (média de 2
a 3), a fêmea pode novamente entrar no cio em seis
a oito horas após o parto. No
período de gestação é muito
importante tomar cuidado com as fêmeas, evitando o
seu manuseio. Pode ocorrer ocasionalmente partos prematuros
onde a fêmea venha a perder parte ou todos os filhotes.
Isto pode ocorrer por vários fatores, veja a seguir
alguns deles:
número
grande de animais na mesma gaiola;
manipular
muitas fêmeas gestantes;
mudanças
bruscas de temperatura;
obesidade
ou fraqueza;
brigas,
sustos ou transportes longos;
cruzar
fêmeas muito jovens;
freqüência
demasiada no acasalamento.
Outro
fator importante na reprodução é
a alimentação, que deve ser racional
e de acordo com as necessidades das fêmeas gestantes.
O
período de amamentação varia
entre dez a vinte dias e a desmama se dá entre
catorze e vinte e um dias.
Se
avaliarmos que uma fêmea possui apenas duas
mamas abdominais, quando o número de crias
é de dois, três ou quatro, a desmama
pode dar-se aos vinte dias, mas se o número
de filhotes dor maior, é conveniente deixá-los
com a mãe até mais ou menos trinta dias.
Mas, é importante não ultrapassar este
tempo, pois nessa idade os dentes dos filhotes já
estão em desenvolvimento, podendo machucar
as mamas da mãe.
Os
filhotes nascem, em média, com 75 a 100 gramas
e quando são desmamados pesam entre 200 e 250
gramas. Com oito ou nove meses eles alcançam
seu completo desenvolvimento atingindo 500 a 600 gramas.
Quando os animais são selecionados podem chegar
até 1,5 kg.
Esta
rapidez no crescimento é explicada principalmente
pela riqueza do leite que é rico em proteínas
e gorduras. Além do leite, os filhotes com
apenas três dias de vida já se alimentam
a base de vegetais, ricos em vitamina C.
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