Lar...
doce lar...
Primeiro Animal: Gato
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Procure
pegar o filhote na parte da manhã, pois assim
ele o período diurno para conhecer o ambiente,
além de poder ter a atenção da
família. Se ele puder chegar no fim de semana
(sábado pela manhã), melhor ainda.
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A
passagem do gato é bastante singular pela história.
Talvez nenhum outro animal tenha sido alvo de tanto amor
e tanto ódio. De qualquer forma, sua estada em nossa
vida é uma experiência bastante interessante.
Esqueça
a "lorota" de que gato gosta da casa e não
do dono. A natureza dos felinos é bastante diferente
da do cão, em que aqueles mostram um senso de independência
bem maior, porém não de falta de amor, e é
este fato que leva àquele pensamento errôneo.
O gato,
quando bem amado, dedica ao seu dono um amor intenso e incondicional.
O que devemos perceber é que, diferente do cão
(que considera o dono o líder da "matilha"),
o gato nos considera como mais um membro do seu rol de convivência.
Sabendo respeitar esse fato, certamente teremos um companheiro
para todos os minutos.
Os
gatos apresentam menos problemas com o período noturno
do que o cão, quando recém-chegados. Na grande
maioria das vezes, dormem, se alimentam e/ou brincam tranqüilos.
É
importante, assim que possível, levar o filhote ao
Médico Veterinário. Sua orientação
e avaliação são muito importantes.
O bom criador garante o filhote, procedendo a troca ou indenização
quando constatados problemas adquiridos quando ainda no
gatil.
Ao
passo que o cão tem maior adaptação
("molda-se") ao modo de vida da casa, o gato procura
exercer sua liberdade, seguindo seus instintos hormonais.
Conforme se torna adolescente e adulto (aproximadamente
dos 7 meses em diante), machos querem circular intensamente
pelas redondezas, marcar território e seguir o instinto
reprodutor; a fêmea, mãe exemplar, procura
também dar continuidade à linhagem. O procedimento
adotado, neste caso, é a castração.
A grande discussão fica por conta de quando procedê-la:
nos machos, antes da puberdade ou após cruzar? Nas
fêmeas, antes ou depois do primeiro cio? Precisa cruzar?
Não entraremos nesse mérito, cabendo ao Médico
Veterinário e ao proprietário estudarem (sim,
há muitos estudos sobre essa questão) e chegarem
ao procedimento que pareça mais plausível
ao caso analisado.
Alguns
fatos devem ser notados. Machos que atingem a puberdade
inteiros e que tenham a possibilidade de explorar a vizinhança
podem apresentar dois inconvenientes: marcar território
dentro e fora de casa (e na casa dos vizinhos...) e voltar
machucado por causa de brigas. A fêmea, por outro
lado, volta grávida, e por vezes torna-se difícil
doar gatos SRD (sem raça definida). Nessa fase de
vida do bichano devemos parar para pensar em algumas questões:
a vizinhança tolera machos e fêmeas miando
alto, com constância, e urinando pelo quintal? Teremos
a quem doar os filhotes? Toda a família aceita o
odor de urina e limpar constantemente a casa? Cada caso
é muito singular e deve ser analisado com ótica
ampla.
A castração
pode até trazer prejuízos psicológicos,
porém não deixa de ser uma opção
viável quando consideramos que há uma infinidade
de gatos que vivem nas ruas e que são mortos (geralmente
por envenenamento) por vizinhos menos tolerantes. Esses
fatos também devem ser considerados no caso de os
nossos cães terem acesso à rua. A quantidade
de animais sem dono está ficando alarmante, e infelizmente
o poder público toma a saída mais fácil
para remediar o problema, sabemos qual é...
Os felinos
formam uma sociedade (e um contexto social) bastante complexa.
A adaptação deve seguir alguns princípios
básicos, evitando-se assim que o gato torne-se não-manipulável.
Um desses princípios é não querer impor
educação ao gato: devemos mostrar o correto
e "conquistar" a aceitação do animal;
ele deve aceitar seguir o nosso procedimento. Querer impor
algo a um felino é pedir para que ele faça
o contrário...
Da
mesma forma que os cães, os gatos têm um período
de aprendizado com a mãe e irmãos. Esse período
chega aos 120 dias de convivência. Porém, muitas
pessoas acham o filhote com essa idade "velho"
para adotá-lo, temendo que tenha adquirido maus costumes.
Certamente educar um gato não é tarefa fácil.
Procure conhecer os pais do filhote e tente manipulá-los.
Se eles se mostrarem receptivos, há grandes chances
do filhote o ser. Esse já é um passo importante
para não temos "feras" dentro de casa.
A personalidade
e comportamento podem variar mesmo dentro da mesma raça.
Alguns estudos mostram diferenças de comportamento
e personalidade em Persas, relacionados à cor do
animal.
Como
na maioria das vezes como o criador lida com os animais,
uma separação mais precoce por vezes pode
não ser de todo indesejável. Porém,
deve-se evitar ao máximo que esta seja feita antes
dos 60 dias de convivência. Esse é um período
bastante frágil do desenvolvimento comportamental/social
do gato, e uma eventual falha do dono pode levar o filhote
a desenvolver comportamentos difíceis de serem contornados.
Conhecendo-se, entretanto, o criador, este sendo bem referenciado,
um retardamento na separação do filhote é
desejável.
Na
chegada em sua casa, deixe o filhote à vontade no
ambiente. Muitos deles já se predispõe a brincadeiras,
por isso disponibilize brinquedos e disponha-se a brincar
com eles. Esse procedimento também pode ser adotado
com o cão, porém é essencial em se
tratando dos gatos pois, lembre-se, temos que conquistá-lo
e despertar nele a vontade de nos inserir na sua vida (essa
inserção é mais fácil por parte
dos cães).
Os felinos
têm uma intermitência acentuada entre sono,
alimentação e atividades. Respeite esses períodos.
Os gatos podem preferir ter hábitos majoritariamente
noturnos, se lhes for permitido, dormindo, pois, a maior
parte do dia. O filhote mesclará períodos
de pouco sono e muita atividade com períodos em que
dormirá praticamente o dia todo.
É
importante observar a quantidade de alimento ingerida, que
tem que ser uniforme e crescente com o passar do tempo.
Por falar em comida, cabe ressaltar um detalhe: os gatos
domésticos gostam de se alimentar várias vezes
ao dia, sempre em pouca quantidade. Sendo assim, se você
optar por fornecer ração, deixe-a à
vontade o dia todo. Caso escolha comida caseira (consulte
o Médico Veterinário para formular o cardápio
mais adequado), divida a quantidade total em várias
porções. Muitos gatos, porém, adaptam-se
a consumir uma ou duas refeições diárias.
Entretanto, enquanto filhotes é importante que a
alimentação seja mais distribuída.
Muitas
pessoas associam à alimentação felina
a "obrigatoriedade" do leite. Este não
o é, e pode fazer mal, pois no leite de vaca há
quantidade acentuada de lactose, açúcar que
pode provocar diarréia.
A
educação sanitária do gato é
mais fácil que a do cão. Na grande maioria
dos casos o filhote aprende a usar a bandeja sanitária
observando e imitando a mãe, é-lhes instintivo,
se não tiverem uma bandeja disponível, procurar
algum lugar que possam enterrar os excrementos. Cabe destacar,
igualmente, que os gatos são muito higiênicos
(assim como os cães). Portanto, não coloque
a bandeja sanitária no mesmo ambiente em que o animal
se alimenta. Em alguns casos, o animal não usa a
bandeja ou não se alimenta.
Ainda
no quesito higiene, os felinos usam defecar e/ou urinar
em local errado como forma de protesto. Se esse fato ocorrer,
procure averiguar o que pode ter de errado: um animal recém-chegado
(na sua casa ou na vizinhança); um móvel mudado
de lugar ou excluído do ambiente; pessoas novas na
casa ou que foram embora; mudança da caixa sanitária...
enfim, quando eles "protestam", podemos procurar
algo errado. Os felinos são muito metódicos
e não gostam de mudanças em sua rotina. Felizmente,
esse extremo é raro.
Ensine
os limites que você deseja ao filhote desde pequenino.
Caso não o queira subindo nos móveis, ao o
ver fazendo aplique uma bronca oral, firme. Em casos nos
quais o gato insiste, um truque que pode ajudar: sem que
ele o(a) veja, imite aquele "chiado" que os gatos
emitem quando estão bravos. Isso, para ele, soará
como algum gato mais "poderoso" desaprovando sua
atitude. Geralmente funciona e, após algumas tentativas,
o filhote desiste. Esse truque pode ser levado pela vida
toda, desde que o gato não perceba que é uma
pessoa (principalmente o dono!) que está "chiando"
para ele.
Para
evitar esses maus costumes, no entanto, temos que fornecer
alguma compensação. É extremamente
importante para os gatos, socialmente falando, manter suas
unhas afiadas. Temos que evitar que eles arranhem nossos
móveis. Para isso, escolha algum lugar, se possível
alto, e coloque aí um carpete e um pedaço
de madeira macia, que o gato possa ter acesso e arranhar.
Ensine-o, colocando-o nesse local diversas vezes e esfregando
suas garras no carpete e na madeira. Em pouco tempo, esse
será o local preferido para afiar a unha, evitando-se
assim móveis danificados. O local alto tem uma justificativa:
os gatos adoram ter uma visão ampla do ambiente em
que vivem, por isso escolhem locais altos, dentro e fora
de casa.