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O
São Bernardo pode abrir sulcos na neve com o peito,
mas nunca levou no pescoço o famoso barrilzinho de
álcool que, em tantas ilustrações lhe foi colocado.
Verdadeiros cães de avalanche, deviam indicar, escavando
na neve, o lugar em que estava soterrada uma vítima
ainda viva; se a pessoa tivesse morrido, só precisavam
sentar-se. O frade encarregado do treinamento chamava-se
"marronnier". Alguns cães dedicavam-se a outras tarefas,
por exemplo, eram ensinados a usar uma pequena sela
acolchoada com 2 recipientes tampados, um de cada
lado; assim equipados, iam com um empregado buscar
leite e manteiga.
O São Bernardo tornou-se famoso em 1800. Em maio deste
ano, o exército de Napoleão Bonaparte, que marchava
sobre Marengo, atravessou o desfiladeiro sem perder
nenhum de seus homens graças, sem dúvida, aos São
Bernardo. Foi neste ano que nasceu Barry, o mais ilustre
de todos os São Bernardo. A sua abnegação não tinha
limites. Se encontrava uma criança em apuros, lambia-a
e fazia com que ela se agarrasse nele. Quando sentia
que um homem estava em perigo, corria para ajudá-lo.
Barry salvou 40 pessoas. Em 1812, enviaram-no para
Berna, a fim de aproveitar uma merecida aposentadoria.
Morreu 2 anos depois. Seu corpo foi embalsamado e
pertence ao Museu de História Natural de Berna e a
ele foi erguida uma estátua no cemitério de cães de
Asnières. A bela página que Chateaubriand dedicou
aos cães no seu Génie du Christianisme, talvez tenha
sido uma homenagem a Barry e a todos os São Bernardo.
Desde
então, dá-se no nome de Barry, que vem de bär - urso
em alemão - ao melhor macho do canil da Pousada. Mas
existiram outros cães que passaram à posteridade,
como, por exemplo, Turc, que certa vez, depois de
várias horas de luta para se libertar da neve de uma
avalance voltou ao refúgio para avisar os frades do
ocorrido. Barry II, também muito valente, ia sempre
na frente da coluna de socorro. Os viajantes, esgotados,
agarravam-se a uma corrente presa à sua coleira. Um
dia, um deles colocou-lhe no pescoço a sua gravata,
fazendo as vezes de uma mensagem; Barry II correu
para a Pousada para pedir ajuda e, chegando lá, deitou-se
com a cabeça virada para o local onde era preciso
ir. Este cão desapareceu em 1905, numa fenda oculta
pela neve. Barry III, foi outro cão de grande coragem,
com um faro e uma eficácia extraordinária. Também
morreu em serviço, ao precipitar-se por um barranco.
O seu corpo foi embalsamado e está exposto na Pousada.
Nesta lista de São Bernardos famosos, também inclui-se
Lion que um dia, acompanhando um frade na busca de
um homem que se perdera, descobriu-o, meio gelado,
na cabana em que se havia refugiado.
Tradução e adaptação do original: Por Volnei Cervi
Puttini
Informações extraídas do site do Museu de História
Natural de Berna - Suíça

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