A
Pelagem
Sua
organização e importância
A
pelagem que cobre e protege os caninos é formada
de pele, pêlos e subpêlos.
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Crescimento
dos pêlos
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pêlo
ampliado 25.000 vezes
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Corte
dos pêlos das vibrissas
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Corte
da pele mostrando os órgãos
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Agrupados,
os subpêlos são todos originários
de um mesmo núcleo, que está conectado a
uma glândula sudorípara e a uma ou duas sebáceas.
Cada grupo é formado por um pêlo, ilhado
por um número variável (de 3 a 15) de subpêlos
lanosos, suaves e mais finos.
O
segmento dos pêlos, acima da superfície da
pele, chama-se lança. A raiz fica situada num folículo
piloso. Uma papila vascular, coberta pelo bulbo do pêlo,
alcança o fundo do folículo. Os folículos
pilosos estendem-se, obliquamente, dentro do cório
a uma profundidade variada. Os pequenos músculos
eretores dos pêlos são células musculares,
lisas, localizadas no ângulo obtuso que o pêlo
forma com a pele, da maioria dos folículos. Estimulados
por terminais nervosos, a contração desses
músculos provoca o eriçamento do pêlo
e comprime as glândulas sebáceas, abrindo-as
para lubrificar o folículo.
Os
pêlos tácteis são verdadeiros órgãos
e tão longos que alcançam o músculo
subjacente.
As
paredes dos tácteis do queixo, das faces, das vibrissas
dos lábios, do ouvido externo, dos supercílios
e dos cílios das pálpebras, são bastante
espessas, contendo, entre a superfície externa
e a interna, alguns vasos capilares e neuroterminais.
A
função desses pêlos táteis,
que alguns expositores costumam aparar para exibir
seu exemplar bem barbeado e "limpo",
por influência da cinofilia americana, na realidade,
são verdadeiros órgãos, suas ferramentas
de trabalho. Por exemplo: os do queixo, permitem que o
cão possa seguir uma trilha de quase um quilômetro
sem ralar seu queixo no chão. Os das faces, em
conjunto com os dos supercílios, bigodes e os do
queixo, permitem ao cão saber se, ao enfiar sua
cabeça num buraco, poderá retirá-la
depois. Aparar os bigodes é amputá-los,
é privar seu cão dessas ferramentas naturais
de trabalho.
O
SUBPÊLO - Um beduino jamais conseguirá
atravessar o deserto de short e sem camisa.
Sem
aquelas mantas protetoras, feitas de lã, com certeza
não conseguiriam prosseguir por mais de três
quilômetros.
A
grande maioria dos padrões de raça comenta
que o subpêlo, formando um colchão de ar,
entre a pelagem externa e a pele, protege o animal das
intempéries, inclusive do calor.
Existem
raças que possuem pelagem dupla e outras com pelagem
simples e existem até raças completamente
peladas.
Alguns
criadores e, até mesmo, alguns veterinários
querem sustentar que, em razão da mudança
de clima, os cães se adaptam, perdendo o subpêlo.
A
raça importada, mais antiga e com maior número
de exemplares, em 60 anos, o Pastor Alemão, ainda
não se adaptou.
Na
última revisão do padrão da raça
Rottweiler, a falta do subpêlo deixou de ser desqualificante,
mas permanece como uma falta gravíssima. Na Alemanha,
país de clima frio, existem muitos exemplares sem
subpêlo e são altamente penalizados.
Entre
as raças cuja pelagem é simples estão
o Bóxer e o Dogue Alemão.
Essas
raças, que ostentam, quase sempre, uma pelagem
rasa de pelos duros ou sedosa de pelos longos, pode-se
dizer, que já estão adaptadas à falta
do subpêlo, pois, para isto, foram genéticamente
planejadas. Apesar disto, durante o rigoroso inverno europeu,
surgem alguns subpêlos que jamais podem apresentar-se
maiores que o comprimento do pêlo.
Fazer
cinofilia é estudar as razões de cada exigência
dos padrões de raça, compreendê-las
e preservá-las.
Fazer
cinofilia é procurar não mutilar os cães
só para embelezá-los. Beleza é mais
do que um assunto indiscutível, é uma questão
cultural, social e geográfica. Uma obra de arte
africana traz uma beleza inteiramente diversa da duma
obra marajoara, que por sua vez é completamente
diferente da beleza duma obra renascentista, surrealista,
abstracionista ou impressionista.
A
preocupação fútil com a beleza é
característica duma sociedade culturalmente decadente.
Bruno
Tausz
Etólogo
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