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O canário da
terra (Sicalis flaveola) é o pássaro
canoro mais popular do Brasil, uma verdadeira paixão
nacional. Ele se distribui por todo o País
em muitas de suas formas. O mais comum é o
que se estende do Nordeste até o Norte do Paraná.
Embora tenha alta taxa de natalidade está extinto
em certas regiões onde outrora era abundante.
Daí
a necessidade premente de incrementarmos a sua reprodução
doméstica. Precisamos poder efetivamente ajudar
a sociedade a praticar, onde for necessário,
a reintrodução na natureza. Com o canário
é muito fácil executá-la, são
inúmeros os exemplos.O repovoamento se dá
em progressão geométrica, em poucos
anos originários de 5 casais se tornam milhares
se as condições ambientais forem boas.
Precisamos, também, poder oferecer e atender
a demanda dos criadores e dos mantenedores, sem que
haja nenhum tipo de captura no ambiente natural. Com
muita satisfação estamos sabendo que
várias Universidades, tais como a de Botucatu,
Lavras, e Viçosa estão se interessando
em ajudar em projetos de desenvolvimento de criação
do Canário da-Terra. Iniciou-se, também
a implementação de criadores com objetivos
comerciais, o que ótimo para combater o tráfico
ilegal e gerar riquezas.
De
outro lado, a Lei de Proteção à
Fauna e a Lei de Crimes Ambientais estão aí
e esta última é muito rigoroza com os
infratores. Aqueles que quiserem um pássaro
nativo nacional, terão que adquiri-lo de um
criadouro legalizado. É o que diz a Lei e as
Portarias do IBAMA, é assim o que a sociedade
quer. E é isto que estamos fazendo e que temos
que fazer, é a nossa obrigação
como passarinheiros, porque, inclusive, queremos continuar
convivendo com nossos pássaros.
É
difícil criar os canários? Não,
não é. O canário-da-terra, especialmente,
é o pássaro brasileiro de mais fácil
manejo. Come de tudo e se adapta com facilidade a
qualquer tipo de ambiente. Suporta bem o frio e calor
ocorrentes em todas a regiões do Brasil. Temos,
contudo, se quisermos obter sucesso, que escolher
um local adequado para que eles possam exercer a procriação.
Esse local deve ser claro, arejado e sem correntes
de vento. A temperatura ideal deve ficar na faixa
de 20 a 35 graus Celsius e umidade relativa entre
40 e 60%. O sol não precisa ser direto, mas
se puder ser, melhor. A
melhor época para a reprodução
no Centro Sul do Brasil é de novembro a maio,
coincidente com o período chuvoso.
Pode-se
criar em viveiros, mas pela dificuldade de todo o
manejo, notadamente do controle do ambiente e da higiene
é melhor criar-se em gaiolas.
Essas
devem ser de puro arame, com medida de 60cm comprimentoX
30cm largura X35 cm altura, com quatro portas na frente,
comedouros pelo lado de fora. No fundo ou bandeja
colocar papel, tipo jornal para ser retirado todos
os dias logo que o canária tomar banho, momento
esse que se deve retirar a banheira para colocá-la
no outro dia de manhã cedo.
O ninho (caixa tipo ninheira feita de madeira) tem
as seguintes dimensões: 25cm comprimentoX 14
cm largura X 12 cm. altura, e tem que ser colocado
pelo lado de fora da gaiola para não ocupar
espaço. Terá uma tampa móvel
e outra gradeada para o manuseio de filhotes e de
ovos. O substrato - material para o canário
confeccionar o ninho - deve ser o saco de estopa (usado
para ensacar café) e cabelo de cavalo cortados
a 15 cm. Colocar o material no fundo da gaiola que
a fêmea, quando estiver na hora, carrega sozinha
para a caixinha do ninho. O número de ovos
de cada postura varia entre 4 e 6, e cada canária
choca 4 vezes por ano, podendo tirar até 20
filhotes por temporada.
As
canárias podem
ficar bem próximas umas das outras separadas
por uma divisão de
tábua ou plástico, mas não podem
se ver, de forma alguma. Senão matam os filhotes
ou interrompem o processo do choco, se isto acontecer.
O filhote nasce aos treze dias depois de a fêmea
deitar e sai do ninho também aos treze dias
de idade, pode ser separado da mae com 35 dias. Com
8 meses, ainda pardos, já poderão procriar.
Possuimos uma fêmea que está com quase
dez anos de idade e ainda cria perfeitamente. Dela
já produzimos mais de 100 filhotes, é
uma produtividade fantástica. As anilhas serão
colocadas do 7O ao 10o dia, com anilha 3mm, bitola
3 a ser adquirida do Clube onde seja sócio.
Pode-se trocar os ovos e os filhotes de mãe
quando estão no ninho, sem prejudicar ou causar
abandono da fêmea.
A
alimentação para as aves em processo
de reprodução é a seguinte:
Alpiste
50%, painço amarelo 30%, senha 10% e niger
10%. Além disso, ministrar ração
de codorna pura adicionando "proprionato de cálcio"
à base de 1 grama por kilo de ração.
Numa
vasilha separada, colocar 3 vezes ao dia farinhada
assim preparada: 5 partes de milharina, 1 parte de
farelo de soja,/ 1 parte de germe de trigo, / premix
F1 da Nutrivet (4 colheres de sopa para 1 kilo), /
sal 2 gr. por quilo, / proprionato de cálcio
1 gr. por quilo, / pó de pedra 2 gr. por quilo.
Após misturar tudo muito bem, coloque na hora
de servir uma gema de ovo cozido e uma colher cheia
de "aminosol" para 4 colheres de farinhada.
O promotor de crescimento deve ser utilizado quando
se notar algum tipo de mortalidade nos filhotes. Os
mais usados são o "100 PS", o "Nalit-Plus"
e o "Fungibam". . Ministrar ainda na água
de beber, que deve ser filtrada, um polivitamínico
do tipo "Protovit" ou "Rovisol"
ou "Orosol" 3 vezes por semana, ou todos
os dias quando há filhotes até eles
sairem do ninho.
Dar-se
larvas, utilizando a chamada "praga da granja"
é a melhor e tem mais digestibilidde, oferecer
até o filhote sair do ninho. É bom,
também, colocar à disposição
das aves "farinha de ostra" batida com areia
esterilizada e sal mineral (tipo aminomix). Não
dar verdura de espécie alguma, provoca diarréia
e ainda tem o perigo de agro-tóxico. Quando
separar os filhotes das fêmeas é bom
deixá-los juntos, a razão de 10/12 por
unidade, até terminar a muda por volta de seis
meses em um voador de 1m a 1.20ms, tipo esses que
se usa para canários belgas.
Não adianta, porém,
ter todo esse cuidado se não tivermos atenção
especial com a higiene, tem-se que ter toda a precaução,
principalmente com os fungos, o maior inimigo da criação.
Cuidar bem dos poleiros, dos bebedouros, dos ninhos
e de todos os utensílios utilizados. Armazenar
os alimentos fora da umidade e não levar aves
estranhas para o criadouro antes de se fazer a quarentena.
Utilizar
um macho de excelente qualidade para 5 fêmeas.
Nunca deixá-lo junto pois ele quase sempre
prejudica o processo de reprodução.
O melhor é colocá-lo para galar e imediatamente
afastar da fêmea.
Quando
não estiverem em processo de reprodução
dar a mistura de grãos acima descrita e a ração
de codorna adicionada meio a meio com milharina, somente.
O
canário que canta metralha é muito valorizado
o que ajuda a transação dos filhotes.
Assim, é recomendável procurar-se um
que já cante este dialeto para ensinar os filhos
desde o ovo. Esse método facilita muito o aprendizado.
Se não for possível utilizar fitas,
podem ser as do Magnata, do Tito, do Professor e do
Fantoche. De canto comum tem a do Casaca. Se o interesse
for para a fibra, utilizar a fita do Manezinho e na
reprodução machos com a característica
de canto curto e que volte a cantar rapidamente em
todos os poleiros da gaiola. Há ainda a disputa
de canto da modalidade "canto livre" é
aquele que canta em 5 minutos.
Outra
forma de criação importante são
as mutações, muito comum no canário-da-terra.
Cada vez mais pessoas estão se dedicando a
elas, desperta muito interesse porque é o inusitado,
o diferente, cada qual consegue fixar mais uma cor
do que a outra. São canários cujas penas
tem um tom bem mais branco ou amarelo ou canela. É
um fenômeno da própria natureza - o albinismo
- que os criadores estão fixando através
da incrementação do cruzamento entre
pássaros com essas características.
Para
fins exclusivamente domésticos, como também
é comum nos bicudos e curiós, outro
tipo de criação, é o cruzamento
entre sub-espécies. Na natureza não
se misturam porque vivem e regiões diversas,
são morfologicamente diferentes, a linguagem
é outra e a cor das penas notadamente das fêmeas
são dispares. Embora, domesticamente quase
não haja diferenças entre o aspecto,
o comportamento e a alimentação, os
mestiços tendem em pouco tempo a não
apresentar diferenças morfológicas com
os puros. Utiliza-se os de origem do nordeste brasileiro
e os originários do Peru. O mais comum é
cruzá-los com o canário de origem paulista/mineiro.
O nordestino é mais amarelo e mais belo, mais
forte e resistente à doenças. O peruano
é maior, tem o canto mais cumprido - muitos
cantam mais de um minuto sem parar - e tem tendência
a cantar metralha geneticamente. Por isso é
bem mais fácil ensinar os filhotes. Em Guariba
SP há inúmeros deles cantando um metralha
de altíssima qualidade. E que tem sido campeões
nos torneis de metralha, como é o caso do "Magia",
e "Tupamaro", e mais "Cheiene",
"Magnífico" e "Carisma"
de Antonio Michal 016-3512190 e "Sereno"
José Furtado, "Cobra"do Aparecido
Amoroso, Professor de Edilson Moretti, Tike de Nestor
de Campinas e outros mais.
E a roda de Fibra, principalmente em São Paulo
e no Sul de Minas esse tipo de torneio de canto está
cada vez mais concorrido. Há rodas como a de
Ribeirão Preto e região onde participam
cerca de 200 canários, com tendência
a aumentar. Quem sabe se conseguirá filhotes
para a fibra do tipo dos campeoníssimos da
Tieta e Professor de João Paulo Pinto e Kid
Vale. e Magnata e Águia de Fogo de Antônio
Lázaro Fernandes Lobo 012-3804150.
O canário é um pássaro barato
e o números de sócios reprodutores está
crescendo muito.
Todos
só querem filhotes de campeões e está
provado que os pássaros nascidos domésticamente
são melhores que os seus irmãos selvagens.
O canário não foge à regra, é
fácil comprovar. Cruzando-se os melhores com
os melhores conseguiremos verdadeiras máquinas
de cantar.
Uma
sugestão importante: para obter pássaros
campeões só cruze canários de
excelente qualidade porque através desse tipo
de melhoramento genético vamos cada vez mais
desestimular que as pessoas procurem pássaros
de origem desconhecida.
De
outro lado, a utilização de canários
para combates tem provocado uma forte reação
contrária da mídia. Não há,
como dizer e convencer à sociedade que essa
prática é correta. O Poder Público,
através do IBAMA, tem sido bastante rigorozo
com as pessoas que exercem esse tipo de ação.
Aloísio
Pacini Tostes -Ornitologista - Ribeirão Preto-SP
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