Curió
Oryzoborus
angolensis
Para ouvir novamente o canto do Curió
(praia grande) clique
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Lúcia Helena Salvetti De Cicco
Editora Chefe
NOME - Curió
OUTRO
NOME - Avinhado
NOME
CIENTÍFICO - Oryzoborus angolensis
SIGNIFICADO
DO NOME: Curió significa na linguagem
indígena " Amigo do homem ".
ORDEM:
Passeriformes
FAMÍLIA:
Fringílidas
NOME
EM INGLÊS: Thick-billed (Lesser) Seed
Finch
NOME
EM ESPANHOL: Semillero Picogueso
ALIMENTAÇÃO
NO HABTAT NATURAL: Alimenta-se basicamente de
alguns insetos, várias sementes com exclusividade
na semente do capim navalha.
COR:
marrom quando novo. Depois de completar 420 dias
suas penas ficam pretas com apenas uma pequena mancha
branca na asa e sua barriga e peito fica na cor
vinho, a fêmea é marrom com um tom
mais claro no peito mesmo quando adulta.
LOCALIZAÇÃO:
Todo o Brasil e alguns lugares da América
do Sul. Habita as regiões litorâneas
brasileiras e principalmente o litoral paulista.
TEMPO
DE VIDA: 30 anos no cativeiro (se bem cuidado)
e de 8 a 10 anos na vida selvagem.
TAMANHO: 14 cm
ÉPOCA
DE ACASALAMENTO: ocorre no mês de agosto
até o fim de março
FÊMEA
- INÍCIO DO PERÍODO FÉRTIL:
6 meses a 1 ano
PERÍODO
DE INCUBAÇÃO: 12 dias
Nº
DE OVOS: de 1 a 3 ovos por ninhada.
MUDA
(TROCA DE PENAS: acontece entre março
e junho.
O
nome Curió na língua tupi guarani
significa "Amigo do Homem", pois este
pássaro
gostava
de viver perto da aldeia dos índios. Esta
característica de se aproximar do ser humano,
a sua elegância, a enorme capacidade de disputar
pelo canto quem é o dominador do território,
e a enorme qualidade de seu canto, fez do curió
um amigo muito estimado entre os criadores e amantes
de pássaros em geral. O bicudo (oryzoborus
maximiliani) é um parente muito próximo
do curió e também excelente cantor,
só que um pouco maior e é todo preto
e com a mesma mancha branca na asa. O canto de curiós
e bicudos é tão apreciado que, nos
concursos, essas qualidades são muito importantes.
O
Curió aprende a cantar desde pequeno com
o pai, porém, os aconselham que os filhotes
ouçam o canto do pai, somente se este canto
for perfeito. As aves emitem sons que podem exprimir
alegria, tristeza, aviso de alerta, dentre outros.
Há uma grande variedade de cantos, e varia
de região para região, havendo casos
de pássaros que emitem até 40 assobios
diferentes.
No
Brasil já foram encontrados mais de 128 cantos
diferentes e, os mais conhecidos são: Praia
Grande (é o som que você ouve nesta
página), Paracambi, Uberaba, Vi te teu, Mateiro
(que é o natural do pássaro). Quanto
a repetição pode ser curto (de 1 a
4) ou longo (mais de 5). O canto mais difundido
por todo o Brasil é o chamado Praia Grande.
Esse canto é originário das praias
paulistas e, atualmente, está extinto na
natureza, ou seja, os pássaros selvagens
não mais o emitem. Por isso, a preocupação
dos criadores de todo Brasil é que seja mantido,
em cativeiro, esse tipo de canto.
O curió além de excelente cantor é
um imitador nato, por isso, não é
aconselhável criá-lo com outras espécies
de pássaros, porque ele aprenderá
facilmente o canto delas, perdendo assim a pureza
de suas notas musicais características. O
melhor tempo para o curió aprender a cantar
é quando novo , ainda com 3 meses. Colocando
o pássaro para escutar o canto de fita, CD
ou de um mestre (pássaro do plantel que tem
o melhor canto), mas também pode aprender
depois de velho se ele for cabeça mole (nome
dado pelos criadores, um curió que ao escutar
um canto diferente do seu troca de canto). Você
pode encontrar discos contendo gravações
de canto de curió, especiais para o treinamento
de filhotes e aperfeiçoamento do canto de
curiós adultos. Para conseguir informações
de como obter esses discos consulte as Associações
de Criadores.
REPRODUÇÃO
Na
natureza o curió defende com muita garra
seus domínios. Se alguma outra ave se
aproxima
do ninho, ele a repelirá até com certa
violência. Em cativeiro não será
difícil procriar a espécie, desde
que seja reconstituído o seu habitat natural.
para isso, você deve criá-lo em gaiolões
ou viveiros. Nos viveiros devem ser plantadas pequenas
árvores como pinheirinho. Nos gaiolões,
devido ao espaço menor, coloque alguns ramos
de bucho (tipo de vegetação) para
a fêmea usá-los na construção
do ninho. Este ninho pode ser encontrado em qualquer
loja especializada e colocado no viveiro ou gaiola.
O importante é colocar as gaiolas ou os viveiros
em local arejado, que não seja escuro, não
sofra correntes de ar e nem excesso de calor ou
frio e, se possível, receba os raios solares
da manhã.
O
reprodutor deve gozar de total saúde, e a
fêmea também deve estar com boa saúde
e deve estar pronta para a procriação.
Não se deve cruzar pássaros consangüíneos
para não ocorrer degeneração.
A fêmea deve ter de 1 a 4 anos de idade, que
é seu período de postura, embora algumas
continuam com a postura mais tempo. Depois do nascimento
do filhote é aconselhável tirar o
macho e deixar só a fêmea, mas o macho
deve estar por perto para ensinar o filhote a cantar.
Para que o acasalamento
aconteça, coloquem o macho e a fêmea
inicialmente em gaiolas separadas, mas próximas
uma da outra. Após cinco dias desse "namoro"
à distância, junte os dois na mesma
gaiola e deixe-os juntos para cruzarem durante 1
ou 2 meses. É nesse tempo que a fêmea
vai preparar o ninho. A fêmea normalmente
põe dois a três ovos, que são
chocados em torno de 12 dias. Quando os filhotes
nascem, levarão cerca de 10 a 14 dias para
saírem do ninho. É nesse período
que os filhotes começam a exercitar as asas
e as pernas, por isto, você deve colocar o
ninho em lugar baixo para evitar que os filhotes
morram por uma eventual queda. Com 20 a 25 dia os
filhotes começam a gorjear (cantar).
Quando
eles estiverem com 30 dias mais ou menos, já
se alimentam sozinhos e você deve retirá-los
da companhia dos pais. Isso é muito importante
porque o macho, inexplicavelmente, poderá
feri-los se ouvir cantos de outros pássaros.
Por isso, coloque os filhotinho em gaiolões
para voarem e se desenvolverem.
O
curió é conhecido pela higiene e limpeza
do ninho. Isso é tão marcante na espécie
que alguns criadores não colocam mais a coleira
de identificação na perna dos filhotes
enquanto estão no ninho, porque a mãe
curió vai retirá-las podendo até
ferir os filhotes nessa tentativa. Ela não
aceita nenhum objeto estranho ou sujeira no ninho.
A
troca de pena e bico é feita no período
de abril a junho (podendo variar de um pássaro
para outro e de regiões), neste período
há uma queda da resistência e o curió
está sujeito a pegar febre e outras doenças.
Convém cobrir a gaiola para evitar o vento
e, dar boa alimentação e deixar a
gaiola bem limpa. Neste período o curió
provavelmente deixará de cantar.
ALIMENTAÇÃO
O
curió principalmente seus filhotes se alimentam
de Tenébrio molitor
que devem ser criados em casa. Quando sua criação
de tenébrios estiver pronta, separe algumas,
e as coloque em um pratinho com leite em pó.
Elas vão se alimentar com o leite e quando
consumidas pelo filhotes, se tornarão um
alimento duplamente rico em proteínas.
Outros
alimentos são os gafanhotos, cupins, pão
molhado em água e milho verde, além
das misturas para pássaros, alpiste e painço,
ovo (clara e gema) cozido.
A alimentação
dos filhotes deve ser deixado por conta das mães.
Você não deve colocar o alimento diretamente
no ninho dos filhotes mas sim deixar que os pais
façam isso. Nesse momento é importante
observar os cuidados que eles dispensam aos curiózinhos.
Deixar a disposição da mãe
os alimentos de matrizes e adicionar 8 Tenebrios
molitores para cada filhote por Dia.
Tome
cuidado ao compra frutas e verduras, tenha certeza
de que não foi passado inseticida na plantação
e se estão estragadas. As verduras (almeirão,
chicória, espinafre, catalonia) e legumes
(milho, abobrinha, jiló) poderão ser
dados ocasionalmente durante todas as fases da criação.
O grande cuidado a se tomar são com as verduras,
pois deverão ser bem lavadas e colocadas
pôr 30 minuto em uma solução
de água (98%) e vinagre (2%). Evite alface
e salsa.
VITAMINAS
As
vitaminas são muito importante para os pássaros,
mas ela precisa ser complementada com proteínas
e sais minerais.
Vitamina "A": Auxilia no crescimento e
é indispensável para o organismo defendendo
escorbuto e protegendo a epiderme, é encontrada
no pepino, na gema de ovo e na cenoura
Vitamina "B": (B1, B2, B6 e B12) ajuda
no desenvolvimento dos filhotes e fortalece os nervos,
é encontrada no pão, couve, cenouras
e gema de ovo.
Vitamina "C": Dá boa condição
ao sangue e é preventivo contra moléstia
da pele, é encontrada no tomate, laranja
e limão.
Vitamina "D": A falta desta vitamina causa
raquitismo, é encontrada nos raios solares,
na gema de ovo e no leite (apenas em tratamento).
Vitamina "E": Proporciona vigor mental
e também estimula e fertiliza os pássaros,
é encontrada no germe do trigo, amendoim,
agrião e flocos de aveia.
Amido, açucares e gorduras: Não são
muito importante para os pássaros, proporciona
energia e bom sono, é encontrada na farinha
e na gema de ovo.
Proteínas: necessária para o crescimento
e para manter bem os ossos, a pele e o sangue. Ajuda
para evitar doenças, é encontrada
no leite, ovos, pão, cereais, carne (Tenébrio
Molitor)
Cálcio: Para formar os ossos, coagular o
sangue, regular a pulsação, contrair
e relaxar os músculos, é encontrado
no almeirão, na casca de ovo e no osso de
Siba.
Ferro: Para produzir sangue e outras células,
é encontrado na carne (Tenébrio Molitor),
no almeirão e agrião.
Iodo: Importante durante a adolescência e
o período de postura, é encontrado
no agrião e couve.
Fósforo: Ajuda as funções
do cérebro e do sistema nervoso, é
encontrado na carne (Tenébrio Molitor), ovos
e trigo.
DOENÇAS
Como
todas as aves o curió esta sujeito a doenças,
conheça as mais comuns nessa ave:
Canibalismo:
É o vício dos pássaros bicarem
uns aos outros, comer pena, causando ferimentos,
que às vezes leva até a morte.
Coccidiose:
É uma doenças parasitárias
causadas por protozoários da ordem Coccidia.
Diarréia:
Uma doença comum nos pássaros em que
o mesmo evacua freqüentemente (liquido abundante).
Gripe Coriza ou Resfriado: Os pássaros são
atacados nas vias respiratórias perdendo
o apetite, dormindo constantemente e parando de
cantar.
Sarna:
Esta doença é causada por um parasita
que deixa as pernas dos pássaros mais grossas
e infeccionadas.
Verminose:
É causada pela má higiêne na
gaiola, seus sintomas são: diarréia,
fraqueza, tristeza.
A
LEI E O IBAMA:
O
curió é um animal protegido por lei,
seu comércio é ilegal mas sua criação
não é. Esta ave tem sido aniquilada
e está desaparecendo da natureza em conseqüência
dos desmatamentos desenfreados, a poluição
de rios e lagoas, e a ação de agrotoxicos
presentes nas plantações. Veja o que
diz o IBAMA sobre a criação de animais
da fauna brasileira em cativeiro para finas comerciais
A criação de animais da fauna brasileira
em cativeiro para fins comerciais ou econômicos,
previstos na Portaria IBAMA Nº 118-N e 117-N,
ambas de 15/10/97.
A criação e manutenção
de animais silvestres em cativeiro para fins científicos,
comerciais, educacionais e conservacionista é
regulada através instrumentos legais que
visam a normatização das atividades
em consonância com as leis de proteção
à fauna nativa. A criação com
finalidade comercial é normatizada pela Portaria
nº 118-N de 15/10/97, sendo a comercialização
regida pela Portaria nº 117 de 15/10/97.
A
utilização da fauna silvestre exige
um plano de manejo e criação baseado
em pesquisa e no real conhecimento de cada espécie
em foco, assegurando assim, o sucesso reprodutivo,
de crescimento, econômico e conservacionista.
A
importância da vida silvestre para o homem
tem-se acelerado a medida que a ciência adquire
novas tecnologias em busca da melhoria da qualidade
de vida das sociedades humanas. No entanto, a visão
tradicional da valoração econômica
aplicada aos recursos faunísticos encontra,
em nossos dias, problemas de ordem ideológica
defendida, principalmente, por aqueles que rejeitam
a visão antropocêntrica de que a humanidade
é o centro de tudo que tem valor e que as
outras criaturas só têm valor enquanto
nos servem. Nesse sentido, o manejo de fauna sob
uma visão mais moderna leva em consideração
não só argumentos econômicos,
mas também, fatores relacionados à
conservação da natureza.
Nas
últimas décadas, alguns criadores
têm redefinido seu papel no mundo da conservação,
não mais preocupando-se em simplesmente colecionar
animais, mas também, de criar com fins conservacionistas.
Ainda assim, alguns pontos de discussão permanecem
abertos, como problemas de ordem genética
e comportamental dos animais criados em cativeiro
em relação ao possível sucesso
diante de uma tentativa de repovoamento em uma área
natural.
Seja
qual for o tipo de criação e seus
objetivos, a normatização das atividades,
principalmente aquelas relativas à comercialização
de animais vivos, assume papel primordial por reprimir
a ilegalidade, o que traduz uma prioridade, se considerarmos
que tal ilícito é fator de destaque
quanto ao status de ameaçado de sobrevivência
para muitas espécies de nossa fauna.
Entre
as muitas espécies de interesse para a criação,
destacam-se aves canoras como bicudos e curiós,
altamente apreciadas pela excelente qualidade do
canto, associados à sua elegância e
conhecimentos já adquiridos de manejo em
cativeiro.
Informações enviadas por Jorge Guerreiro
Heusi
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