Dr.Carmello Liberato Thadei
Médico Veterinário
Entre
os vermes classificados no grupo dos Nematelmintos, existe
o denominado Dioctophyme renale, que parasita o cão,
raposa, lobo, visão, marta, nutria e também
o homem. Raramente também o cavalo, porco e os animais
ruminantes em geral, porém pode também excepcionalmente
ser encontrado parasitando esses animais.
Tem esse parasita (veja figura ao lado)
a particularidade de ser encontrado no interior dos rins
dos seus hospedeiros do qual parênquima se alimenta,
porém também no interior da cavidade abdominal.
Têm
o verme, quando adulto, coloração vermelha
sangüínea, sendo adelgaçado em suas extremidades,
chegando a medir quando adulto até 45 cm de comprimento
por 3 a 6 mm de diâmetro as espécies do sexo
masculino, e as fêmeas até 103 cm de comprimento
por 5 a 13 mm de diâmetro.
Vivendo
quando adultos no interior dos rins de seus hospedeiros,
põem as fêmeas seus ovos que são eliminados
juntamente com a urina dos animais parasitados, podendo
esses ovos permanecerem viáveis por até 2
anos na terra
úmida ou na água. Ao
final de 1 a 7 meses desses ovos (veja figura ao lado) eclodem
larvas chamadas de primeiro estágio, que sendo ingeridas
por caranguejos de águas doces como rios e lagoas,
passam para as brânquias desses animais que funcionam
como seus hospedeiros intermediários. Algumas variedades
de peixes também podem ser parasitadas pelo verme,
sendo chamados esses peixes de hospedeiros de transporte,
tais como aqueles da espécie Cyprimus cephalus entre
outras. Evoluem essas larvas do parasita para os estágio
chamado de II grau no mesentério de seus hospedeiros
intermediários, passando em seguida para a forma
denominada de Larvas infestantes de III e IV graus, quando
medem em torno de 240 a 280 micra de comprimento por 14
micra de diâmetro.Na eventualidade de serem esses
peixes ou caranguejos ingeridos por outros animais mais
evoluídos na cadeia zoológica, como cães,
passam a parasitar em definitivo esses hospedeiros, os quais
são agora chamados de definitivos por albergarem
os vermes já adultos. Havendo necessariamente a passagem
durante o ciclo parasitário, primeiro das larvas
por um hospedeiro intermediário ou de transporte
para chegarem por fim ao seu hospedeiro definitivo, é
chamado esse tipo de parasitismo como heteroxeno.
É
desconhecido o caminho percorrido pelos vermes para chegarem
até os rins de seus hospedeiros quando adultos, porém,
nessa fase determinando a destruição do parênquima
renal que lhes serve de alimento, provocam danos irreparáveis
inclusive a morte de seus hospedeiros. Muitos desses parasitas
são encontrados no interior da cavidade abdominal
por terem destruído um dos rins de seus hospedeiros,
e nessa cavidade continuam sua destruição
de outras vísceras inclusive mesentérios de
alças intestinais. Algumas vezes chegam a destruir
a própria cápsula hepática e mesmo
a superfície do fígado, formando no local
nódulos por reação do próprio
órgão, assim como ocorre também no
baço e epíploon. Quando o parasitismo se localiza
apenas num dos rins, pode o animal parasitado sobreviver
por longo período, porém com sintomas decorrentes
de cólicas.
O
diagnóstico do parasitismo é feito quando
encontrado ovos do parasita junto à urina, sendo
tais ovos de aspecto característico.
Apenas
a cirurgia com extirpação ou do parasita ou
mesmo do rim enfermo, até o momento é a única
medida existente para tratamento.
DR.
CARMELLO LIBERATO THADEI - MEDICO VETERINÁRIO
CRMV-SP-0442.