Uma das relações mais complexas
e necessárias à vida no Planeta
é a alimentação. Plantas
e animais precisam obter energia para a manutenção
da vida. Os vegetais "fabricam" sua
energia, ou seja, sintetizam seu próprio
alimento (são autótrofos). Já
os animais não conseguem seguir esse processo,
tendo que obter essa energia de fontes externas,
ou seja, comendo vegetais e outros animais. Essa
busca pela sobrevivência origina a cadeia
alimentar. A reunião de várias cadeias
forma uma teia alimentar.
O
planeta é grandioso e com um número
quase infinito de vidas. Para habitarem o mesmo
lugar (o mesmo Planeta), é necessário
que, de alguma forma, haja uma interação
entre essas vidas. Essas interações
podem ser benéficas ou "maléficas".
Colocamos "maléficas" (entre
aspas) pois, ainda que julguemos de alguma forma
cruel, é necessário obter uma fonte
de energia. Muitas vezes classificamos um animal
como "assassino" (a baleia orca, por
exemplo), sem no entanto pararmos para pensar
que ela simplesmente está dando continuidade
à sua vida. Se, por ela se alimentar de
animais, já fosse assassina, como deveríamos
nos classificar, já que muitos humanos
caçam e matam animais por simples esporte?
Vamos
discutir um pouco sobre o processo que monta uma
cadeia alimentar, e depois ver como uma reunião
de cadeias forma uma teia alimentar.
A
evolução do Planeta
O Planeta Terra não surgiu como o conhecemos
hoje. Quando da sua formação, não
tinha vida, mas apenas um globo em altíssima
temperatura, cuja crosta era composta de lava.
Era tão intenso o calor que o Planeta irradiava
que qualquer associação química
entre os átomos era inviável. Conforme
o tempo foi passando, diversos fenômenos
físicos fizeram com que a temperatura abaixasse,
solidificando a crosta. À medida que o
resfriamento prosseguia, as ligações
químicas foram se estabelecendo entre os
átomos e foi-se formando a camada gasosa
de H2 e He, envolvendo o Planeta. Essa seria a
nossa atmosfera original.
Muitas
mudanças foram ocorrendo ao longo de milhares
de anos, até que a atmosfera e a crosta
possibilitaram o surgimento e acomodação
de grande quantidade de água. Esse fato
possibilitou a reunião de átomos
de tal maneira que surgiram os primeiros seres
orgânicos, denominados coacervados, que
eram a reunião das primeiras proteínas
simples formadas. Não sabemos até
que ponto, porém, seria correto denominá-los
seres vivos.
Acredita-se
que os coacervados tenham sido os primeiros seres
com uma forma "autótrofa" de
vida. O acúmulo desses coacervados teria
levado a uma falta de alimento, "obrigando"
a um passo evolutivo importante, o surgimento
de organismos heterótrofos. Com isso o
Planeta foi evoluindo, os seres se aperfeiçoando...
e chagamos até os dias de hoje.
Ressaltamos
que a teoria dita acima (ou melhor, super-resumo
da teoria) é uma das que tentam explicar
a origem e evolução da Terra. Infelizmente,
por muito tempo, ainda ficaremos no "pode
ter sido assim", e não no "foi
assim"...
Fizemos essa pequenina introdução
sobre evolução para motivar o estudo
sobre cadeias e teias alimentares. É importante
notar que, desde esse estágio super primitivo
de vida, algumas relações entre
os seres vivos e os não-vivos já
começaram a se estabelecer, e entre essas
relações está a alimentação.
Consideremos que, a partir do surgimento dos primeiros
seres heterótrofos, uma gama de seres autótrofos
também foi se desenvolvendo e se aperfeiçoando.
Esse fato possibilitou, então, a formação
das primeiras cadeias alimentares.
A
cadeia alimentar
Já sabemos que há o estabelecimento
de uma ordem, uma relação, entre
os seres vivos. Temos agora que organizar essa
relação, em relação
aos hábitos alimentares. Essa organização
é o que vamos chamar de cadeia alimentar.
Podemos dar duas definições de cadeia
alimentar, uma em relação aos seres
vivos e outra em função da energia
envolvida no processo. Podemos dizer então
que:
1)
cadeia alimentar é uma seqüência
de seres vivos, na qual uns comem aqueles que
os precedem na cadeia, antes de serem comidos
por aqueles que o seguem;
2)
cadeia alimentar é o sistema de transferência
de energia dos produtores, representados pelos
vegetais fotossintetizantes, através de
uma série de organismos em estágios
de comer e serem comidos.
Essas
definições são bem simples,
mas válidas para nosso estudo.
O
processo se inicia com os seres autótrofos,
ou seja, aqueles capazes de produzir seu próprio
alimento. São esses seres as algas unicelulares
(que constituem o fitoplâncton, a base da
cadeia alimentar) e os vegetais mais desenvolvidos.
Esses seres são essenciais à vida
do Planeta, pois são os únicos que
conseguem "originar" energia, ou seja,
sintetizar compostos capazes de liberar energia
(os açúcares). Esses seres são
denominados como produtores, que pertencem ao
nível trófico primário.
Em
seguida, vem os seres vivos que se alimentam desses
produtores, pequenos animais herbívoros,
que denominaremos consumidores primários,
que pertencem ao nível trófico secundário.
Logo
após temos os animais de maior porte, que
não mais se alimentam de vegetais (pelo
menos como maior base de dieta), mas de animais
(e que consumirão os pequenos animais herbívoros):
são os consumidores secundários,
que pertencem ao nível trófico terciário.
Depois,
temos os animais de grande porte, que se alimentam
de animais de pequeno e médio porte, que
denominaremos consumidores terciários,
que pertencem ao nível trófico quaternário.
Mas
o que é nível trófico? É
o nível de nutrição (trófico
é relativo à nutrição).
A cadeia alimentar não termina com o consumidor
quaternário. A matéria orgânica
morta é alvo dos decompositores (bactérias
e fungos), que são os responsáveis
por devolver à cadeia essa matéria
decomposta em sais minerais e outros produtos,
que serão assim reutilizados pelos produtores.
Fecha-se, então, o ciclo da cadeia.
Basicamente
essa é a seqüência que temos
nas cadeias alimentares da Terra. Como incitado
acima, alguns animais podem ter alimentação
mista, ora constituída por vegetais, hora
por animais. Isso possibilita uma diversificação
enorme de cadeias.
Temos,
porém, que justificar essa cadeia, e a
nossa segunda definição de cadeia
alimentar será a nossa justificativa. Como
os seres heterótrofos não conseguem
sintetizar o próprio alimento (obtendo
assim a própria energia), esses serem precisam
buscar uma fonte externa dessa energia, pois sem
ela não há vida. Um ser, então,
vai se alimentando do outro, obtendo assim a quota
necessária de energia para a manutenção
de sua vida. É importante notar, porém,
que muito da energia é "perdida"
pelo caminho. Isso será alvo de um outro
estudo nosso, as pirâmides (de energia,
de massa etc.).
Observe as ilustrações de diversas
cadeias alimentares.
O que devemos observar?
Há algo importante que deve ser observado
com esse nosso pequeno estudo. Notemos que há
uma dependência muito grande entre os seres
de uma cadeia alimentar. O que ocorreria, então,
se modificássemos a cadeia em determinado
ponto? Tomemos uma cadeia simples como exemplo:
Analisemos a primeira cadeia: se o número
de serpentes tiver uma significativa diminuição,
o número de águias também
irá diminuir, pois ficará sem alimento;
em contrapartida, o número de aves aumentará,
pois não terá serpentes suficientes
para manter um número equilibrado de aves.
Por outro lado, diminuirá drasticamente
o número de gafanhotos, pois mais aves
estarão se alimentando deles, tendo como
última conseqüência um aumento
exacerbado da vegetação. Analise
você a segunda cadeia e trace as conseqüências
obtidas com a diminuição do número
de serpentes.
Moral
da história: RESPEITE a Natureza: tudo
o que ela pede é que a deixemos realizar
suas tarefas para que mantenha um equilíbrio
saudável para que possamos viver e conviver
em harmonia.
A
cadeia alimentar não mostra toda a complexidade
das "relações alimentares"
que existem num ecossistema (ecossistema é
a unidade ecológica, o local em que há
diversas interações entre seres
vivos e não-vivos). Uma maneira mais completa
de descrever essa complexidade é mostrada
numa teia alimentar, que será estudada
no próximo artigo. Depois das teias alimentares,
estudaremos o trânsito de matéria
e energia, fechando assim nosso estudo sobre alimentação.
Luigi
Leonardo Mazzucco Albano
Aquarista dulcícula e marinho; comportamento
de peixes em cativeiro; Cinofilia e Gatofilia; agapornis
- São Carlos - SP
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