Como
já abordamos o tema cadeia alimentar, podemos
fechar esse tópico complementando-o com
o conceito de teia alimentar.
Vimos
como os animais e plantas podem fazer parte de
uma cadeia alimentar. Porém, tais seres
vivos não participam necessariamente de
apenas uma cadeia, podendo pertencer, simultaneamente,
a mais de uma. Aliás, essa é a situação
mais verificada. Mais ainda, esses animais pertencem
a cadeias alimentares diversas, e se posicionam
em diferentes níveis tróficos.
Com
esses comentários, podemos definir teia
alimentar como uma reunião de cadeias alimentares.
Ou, de outro modo, teia alimentar é o fluxo
de matéria e energia que passa, num ecossistema,
dos produtores aos consumidores por numerosos
caminhos opcionais que se cruzam (ou seja, várias
cadeias que se interligam). A teia alimentar representa
o máximo de relações entre
os componentes de uma comunidade,
Consideremos
uma lagoa. Podemos observar nela uma cadeia alimentar,
que seria:

Essa
é uma cadeia simples, que não mostra
a realidade dessa lagoa. Poderemos observar que
as mesmas plantas que servem de alimento aos caramujos
podem nutrir larvas de insetos e peixes herbívoros.
Os peixes carnívoros comem não apenas
os caramujos, mas também os peixes herbívoros
e pequenos crustáceos. Peixes carnívoros,
peixes herbívoros e rãs são
comidos pelas aves da margem.
Como
dissemos acima, alguns seres vivos, dependendo
do que ingerem, podem ser considerados consumidores
de vários níveis ao mesmo tempo.
As aves da margem, por exemplo, ao se alimentarem
de peixes herbívoros, são consumidores
de segunda ordem; quando se alimentam de rãs,
são consideradas consumidores de terceira
ordem. Assim, ocupam simultaneamente dois níveis
tróficos. Os decompositores (bactérias
e fungos) podem ser considerados consumidores
de várias ordens, de acordo com a origem
do resto que eles degradam.
Vemos
pois que a harmonia da vida têm como uma
das principais bases as relações
alimentares. Quando destruímos ou alteramos
um habitat, estamos influenciando diretamente
na alimentação dos seres desse local.
Com isso, afetamos sua saúde.
Temos,
entretanto, o costume de imaginar esses fenômenos
ocorrendo em um campo, em uma fazenda, enfim em
um local distante de nós. Mas... nós
participamos de uma cadeia alimentar?? E os animais
que vivem conosco, também participam??
Para
participar de uma teia alimentar temos que estar
inseridos em um ecossistema. No próximo
texto, estaremos abordando um pouco sobre os tipo
de ecossistema, como eles interagem entre si e
como sua manipulação pode beneficiar
ou prejudicar a vida dos animais e, também,
a nossa.
Essas
fotos mostram uma porção da mata
Atlântica intacta e uma porção
que foi devastada. Essa porção que
foi devastada teve alterações de
vários tipos, e certamente entre essas
alterações temos as das cadeias
e teias alimentares dessa região. Dependendo
da extensão do "estrago" causado
(seja por queimada, por desmatamento ou outras
causas quaisquer), a alteração na
teia alimentar é tão profunda que
as regiões adjacentes, que não foram
afetadas, começam a ser prejudicadas.
Devemos
então perceber que uma alteração,
por mais insignificante que pareça, pode
prejudicar os seres vivos pertencentes ao ecossistema
abalado e mesmo de ecossistemas próximos,
mesmo que diferentes. Podemos conduzir esse raciocínio
pois, abstraindo um pouco, o Planeta é
regido por uma grandiosa teia alimentar, reunião
de todas as teias existentes.
O
grande "mal" é que as coisas
acontecem num tempo relativamente longo para nós.
Alguns prejuízos só são sentidos
ao longo de algumas centenas de anos, ao passo
que vivemos apenas décadas. Mas lançamos
aqui uma questão: suponhamos que o planeta
tenha 6 bilhões de anos. Analisemos sua
vida até 600 anos atrás. Teremos
uma visão. Agora, analisemos a vida do
Planeta de 600 anos atrás até hoje...
cabe aqui uma análise de amplo espectro,
exercício que deixamos a você leitor.
Luigi
Leonardo Mazzucco Albano
Aquarista dulcícula e marinho; comportamento
de peixes em cativeiro; Cinofilia e Gatofilia;
agapornis - São Carlos - SP