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ENCEFALITOZOONOSE (NOSEMATOSE)

Infelizmente pude acompanhar alguns casos na Universidade da Flórida. Os coelhos são os principais hospedeiros entre os pequenos mamíferos. Roedores podem também ser acometidos, mas com menos freqüência.

O agente causador é um parasita intracelular obrigatório (protozoário), Encephalitozoon cuniculi. O contato da urina com a mucosa oral é a mais importante via de transmissão, embora a contaminação oral-fecal, respiratória e transplacentária também possam ocorrer. O organismo é absorvido do intestino para células mononucleares e posteriormente distribuído para outros órgãos. Os esporos têm predileção pelo rim e tecido cerebral, onde as lesões são encontradas com mais freqüência. Esporos aparecem nos rins 31 dias após a inoculação e são excretados na urina ate três meses após a inoculação. A maior contaminação ocorre entre a mãe e o filhote. Coelhos jovens, nos quais os anticorpos maternos perduram por cerca de quatro semanas, estão em risco crescente de desenvolver a doença na forma clínica caso sejam alojados em condições de baixo padrão sanitário ou sejam alimentados e recebam água em vasilhas de barro.

O diagnóstico muitas vezes não e fácil pelo estado de doente sub-clínico ou crônico do hospedeiro. Sintomas como retardo no crescimento, tremores, torcicolo, paresia, convulsões e morte podem ser observados. Disfunção vestibular, trauma cranial, otite, Pasteurella multocida, nematódeos como Baylisascaris procyonis e listeriose (Listeria monocytogenes) devem ser sempre lembrados ao suspeitar-se de nosematose. Apesar do agente ter predileção pelo rim e posteriormente pelo cérebro, os pulmões, coração e fígado podem ser afetados de uma maneira transitória. Nos estágios iniciais ou mais agudos da doença, na necrópsia podemos observar os rins moderadamente aumentados e apresentarem áreas esbranquiçadas no córtex. A infecção crônica é evidenciada por numerosos pequenos pontos (1 a 3 mm) distribuídos sobre a superfície cortical. A lesões corticais não são macroscopicamente evidenciáveis. Lesões microscópicas incluem nefrite intersticial com formações granulomatosas e no cérebro, focos de necrose rodeados por linfócitos, plasmócitos, células da microglia e células epitelióides assim como extensivo infiltrado perivascular, meningite e granulomas.

As infecções por Encephalitozoon cuniculi podem ser detectadas pela reação de imunofluorescencia indireta, através de teste cutâneo, utilizando-se antígenos de Encephalitozoon, pela produção de fluido ascítico em camundongos suscetíveis, após injeção intraperitoneal de tecidos infectados ou pela observação histológica dos granulomas característicos e infiltrado perivascular no interstício renal e cérebro. O método ELISA ou outro teste sorológico sensível e necessário para a determinação da encefalitozoonose em um biotério. Como salientado no início do texto, outras patologias podem ser confundidas com nosematose. Exame minucioso do paciente, radiografias do crânio e cultura de secreções otológicas devem ser realizadas.

Infelizmente não existe tratamento efetivo. A transmissão via urinária e fecal é reduzida com a utilização de bebedouros tipo garrafas ou automáticos, comedouros apropriados e gaiolas adequadamente limpas. A eliminação do parasita de uma colônia é difícil. Os esporos podem permanecer viáveis por quatro semanas em ambiente seco.

ALEXANDRE PESSOA - MÉDICO VETERINÁRIO DE ANIMAIS EXÓTICOS
CRMV/SP: 8621 FONE: 9911-2330

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