Por
se tratar de enfermidade antiga, embora pouco
conhecida e de diagnóstico sorológico
difícil no meio rural, deve-se tomar algumas
precauções, principalmente para
as pessoas que vivem no campo ou eventualmente
visitam essas áreas. Ao se alimentar do
sangue desses animais, o carrapato adquire a riquétsia
e a transmite os seus filhotes e, o homem, ao
ser picado por um desses carrapatos adquirir a
doença.
Desde
a década de 30 os pesquisadores visavam
obter uma vacina contra a febre maculosa. Ente
os cientistas se encontrava José Lemos
Monteiro da Silva, do Instituto Butantan, que
acabou adquirindo a doença juntamente com
o seu auxiliar técnico Edison Dias.
Os
dois trabalhavam no laboratório triturando
carrapatos quando foram picados por eles. O cientista
do Instituto Butantan e o seu assistente morreram
pois na época não havia medicamentos
para a doença e a pessoa picada por essa
espécie de carrapato infectado morria antes
do décimo dia de evolução
da enfermidade. Depois disso, as pesquisas que
vinham sendo desenvolvidas pelo Instituto Butantan
para conseguir uma vacina foram abandonadas. Somente
no final da II Guerra Mundial é que surgiram
os antibióticos do grupo tetraciclina e
cloranfenicol, responsáveis pelo tratamento
das pessoas atingidas pela doença.
DIAGNÓSTICO
Apesar
de a febre maculosa ser uma doença antiga,
é rara e o diagóstico é difícil,
principalmente se tiver que ser feito no meio
rural.
Somente
por meio do teste sorológico é possível
detectar a doença que se manifesta no homem
depois de um período de incubação
de dois a 14 dias. Logo que a enfermidade se manifesta,
a pessoa sente forte mal-estar, acompanhado de
gripe violenta com uma febre repentina de 39 a
40 graus. Abatida, a pessoa fica prostrada por
causa do componente tóxico-infeccioso que
se encontra em seu organismo. Paralelamente, aparecem
máculas (manchas avermelhadas) nos pulsos,
tornozelos, palmas das mãos e nas solas
dos pés. Caso o diagnóstico não
seja feito a tempo, o paciente pode morrer. No
início, os sintomas parecem um estado gripal
ou outras doenças febris de pequeno risco,
o que pode confundir o diagnóstico. Se
não tiver tratamento a doença evolui
para um quadro de infecção generalizada,
com complicações pulmonares, vasculares,
desidratação, choques, coma e morte.
Em casos de alguns desses sintomas, o médico
deve ser procurado imediatamente, principalmente
para quem vive na área de risco.
CUIDADOS
Trata-se
de uma zoonose transmitida do animal para o homem,
quando ele fica mais
exposto
a uma área endêmica. Por esse motivo
é importante que as pessoas tomem alguns
cuidados quando estiverem no meio rural. "É
comum ver pessoas entrarem no mato de bermuda
e tênis, correndo riscos, inclusive de serem
picadas por carrapatos. As pessoas devem se vestir
adequadamente quando forem a esses lugares. A
calça e a camisa devem ser compridas e
claras, para que se possa ver o carrapato que,
quando adulto, atinge o tamanho de uma unha do
dedo mindinho. Se acontecer de o carrapato picar,
é importante retirá-lo o mais depressa
possível, a fim de diminuir o risco de
infecção. Ao retirar o carrapato,
a pessoa deve fazê-lo bem junto à
pele para não deixar as peças bucais
do invertebrado no local onde ocorreu a picada.
O
combate às diferentes espécies é
feito por meio de carrapaticidas, que podem ser
diluídos na água em que os animais
são banhados. O estudo dos carrapatos tem
revelado fatos curiosos, como a reprodução
agâmica ou partenogenética, já
verificada na espécie Amblyomma rotundatum,
comum em sapos e cobras do Brasil.
ANIMAIS
DOMÈSTICOS
A
febre maculosa é uma zoonose que possibilita
a circulação da riquétsia
entre carrapatos e mamíferos silvestres.
O cão, além de ser o reservatório
dessa riquétsia, também atua como
um verdadeiro vetor levando os carrapatos para
dentro das casas. Os vetores são os carrapatos,
mais especificamente os Amblyomas ( A. Cajeunense,
carrapato estrela ou do cavalo, A. striatum, comum
em cães, A. brasiliensis e A. cooperi).
Como
dissemos antes os animais infectados pela essa
bactéria, são os roedores como capivara
e em gambás, coelhos, cavalo, gado, cão,
etc Dos animais domésticos, apenas os cães
podem apresentar alguma suscetibilidade à
doença, geralmente de forma benigna e dificilmente
detectada clinicamente. Uma vez infectados, os
cães e demais animais domésticos
apresentam baixa concentração de
riquétsias circulantes, insuficientes para
transformá-los em reservatórios.
Os
carrapatos e seus hospedeiros também sofrem
as conseqüências das mudanças
bruscas introduzidas pelo homem em determinados
ecossistemas. Alterações nas condições
climáticas ambientais e variações
na comunidade de inimigos naturais, entre outros
fatores gerais, podem contribuir para a eliminação
ou expansão de espécies de carrapatos.
A
domesticação de animais para a produção
de carne, leite, couro ou finalidade de transporte
ou de companhia, permitiu a gradual adaptação
de algumas espécies de carrapatos, e a
restrição desses animais, outrora
nômades e hoje em estábulos, piquetes
e canis, houve multiplicação e a
reinfestação por carrapatos. No
Brasil, por exemplo, as capivaras, reconhecidas
como reservatórios naturais do agente causal
da febre maculosa, quando confinadas podem sofrer
infestações maciças de carrapatos
da espécie Amblyomma cajennense.
As
capivaras, assim como outros grupos de mamíferos
silvestres em condições naturais,
são reservatórios transitórios
das riquétsias, adquirindo resistência
duradoura após período parasitêmico,
variável entre alguns dias e algumas poucas
semanas. Se os carrapatos não tiverem a
possibilidade de se reinfectar periodicamente,
a concentração de riquétsias
nesses invertebrados previamente infectados tende
ao desaparecimento após algumas gerações.
É muito importante chamar a atenção
para o potencial risco relacionado à domesticação
de animais silvestres. E, também temos
a obrigação de manter os cães
livres dos carrapatos e ter muito cuidado para
não trazê-los das regiões
endêmicas.
CARRAPATO
FILO: Arthropoda
CLASSE: Arachnida
ORDEM: Acarina
SUBORDEM: Ixodides
FAMÍLIA: Ixodídeos
Nas
épocas secas, as larvas de carrapato, comumente
chamadas de carrapatinhos, carrapatos-pólvora
ou micuins, constituem verdadeiro flagelo nas
fazendas onde há grande quantidade de animais,
sobretudo éguas, e pastos sujos. Essa criaturas
desagradáveis, aparentadas com as aranhas,
prendem-se à pele dos animais e sugam tanto
sangue a ponto de se tornarem pequenas bolas moles.
O
Carrapato tem um ciclo de vida movimentado. Após
uma refeição de sangue, a fêmea
põe os ovos no solo. As fêmeas morrem
logo depois de pôr os ovos, de onde nascem
larvas, que utilizam suas seis pernas para alcançar
um animal que passa. À medida que vão
se alimentando de sangue, as larvas transformam-se
em ninfas, algumas com oito patas. São
menores que os adultos e não desenvolvidas
sexualmente. A maturidade só é alcançada
após inúmeras modificações
do seu corpo, que geralmente ocorrem no solo.
Os
carrapatos são muito vorazes, principalmente
as fêmeas, podendo permanecer sugando por
horas ou dias. Os carrapatos, contaminados após
sugarem cães reservatórios das riquétsias,
transmitem os microorganismos ao homem através
das picadas, geralmente nas regiões de
pele fina e mais vascularizada.
Entre
as espécies mais nocivas distingue-se o
carrapato-de-boi (Boophilus microplus), responsável
pela transmissão da doença conhecida
como tristeza bovina ou babesiose. A espécie
que mais persegue o homem, nas fases larvar e
adulta, é o carrapato-de-cavalo (Amblyomma
cajannense), que também costuma infestar
outros mamíferos e aves. Capaz de realizar
posturas de até 8.000 ovos, pode transmitir
o tifo exantemático ou riquettsiose.
Outra
espécie de ocorrência freqüente
no Brasil é o carrapato-de-galinha (Argas
miniatus), que transmite aos galináceos
a bouba, doença infecciosa causada pelo
Treponemo pertenue e que determina alterações
semelhantes às da sífilis. De porte
avantajado, essa espécie só se fixa
nas aves o tempo necessário para sugar-lhes
o sangue, o que em geral é feito à
noite.
No
estado de São Paulo (localizou na região
do sudeste de Brasil), infestações
de larvas, ninfas e adultos em cavalos, respectivamente,
de março a julho, de julho a outubro e
de outubro a fevereiro.
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MAIS SOBRE O CARRAPATO
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MAIS SOBRE A CAPIVARA