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Papagaios
Saiba mais sobre eles
"Você
é responsável pela saúde
e bem-estar da sua ave. Trate-a com carinho
e responsabilidade."
Problemas
Comportamentais
Arrancamento
de penas e automutilação
O
arrancamento de penas é um problema comum
e de difícil solução. A desordem
caracteriza-se pelo comportamento obsessivo da ave
em quebrar, destruir ou arrancar suas próprias
penas ou de outras aves, retirando a proteção
natural oferecida pelas penas. O cuidado com as
penas é um procedimento natural nas aves,
que cuidam e limpam diariamente da plumagem. As
penas são imprescindíveis à
saúde, permitindo o vôo, proteção
contra o frio, umidade, vento e outras variações
climáticas. A muda natural é diferente
do arrancamento de penas. A muda de penas é
um processo fisiológico, que consiste na
perda das penas velhas e desgastadas e crescimento
de novas penas. Os papagaios fazem a muda gradualmente
ao longo do ano e nunca de uma só vez. Não
é difícil saber se uma ave está
arrancando ou destruindo suas penas. Basta observá-la
atentamente e examinar as áreas do corpo
que estão depenadas: dorso, asas, abdômen,
tórax. Nos locais onde as aves não
alcança com o bico (cabeça e pescoço)
não ocorre a perda de penas, a não
ser que outra ave esteja arrancando. As causas do
arrancamento de penas são variáveis
e podem ser classificadas em causas ambientais,
clínicas e psicológicas (ou comportamentais).
As
causa ambientais podem ser mudanças no tempo
(úmido, seco, calor, frio), pessoas ou animais
novos na casa, mudanças no ambiente em que
a ave vive, mudança no comportamento do seu
dono (ausência na casa, pouco tempo interagindo
com a ave, fatores emocionais, etc.), barulho excessivo,
movimento anormal no ambiente, animais estranhos
nas proximidades. Ambientes úmidos ou secos
ou aves com plumagem suja que não têm
a oportunidade de banho podem apresentar um zelo
exagerado no cuidado das penas, podendo se tornar
arrancadoras.
As
causas clínicas mais comuns são parasitas
de pele, parasitas internos (vermes, protozoários),
infecções bacterianas ou fúngicas
na pele ou nos folículos das penas, alergias,
distúrbios hormonais, desnutrição,
aspergilose (infecção respiratória
fúngica), doenças internas (doenças
hepáticas) e mudanças hormonais na
época de reprodução (época
reprodutiva, presença de caixa-ninho).
As
causas psicológicas ou comportamentais são
o estresse, ansiedade, medo, tédio, frustração
sexual por não se reproduzir, solidão,
falta de atenção do dono, poucas horas
de sono, mudança brusca na rotina da ave
e outras experiências negativas que levem
a ave a se automutilar extraindo ou destruindo suas
próprias penas. Aves que querem a atenção
do dono podem passar a arrancar as penas como forma
de chamar a atenção.
É
importante notar que Inicialmente há uma
causa que desencadeia o comportamento anormal, mas
o hábito pode tornar-se vício, e mesmo
que o fator desencadeador cesse, o vício
pode permanecer indefinidamente. Por exemplo, uma
ave pode começar a arrancar suas penas por
causa do estresse sofrido durante uma mudança
de residência. Porém, mesmo depois
da ave estar acostumada com a nova casa, ela poderá
persistir no arrancamento, que passou a ser então,
um vício. Em aves arrancadoras crônicas,
a camada germinativa das penas pode estar comprometida
e mesmo que a ave seja curada do comportamento obsessivo,
o crescimento de novas penas poderá nunca
mais acontecer por causa da destruição
dos folículos.
Lembre-se
que os papagaios são aves inteligentes e
precisam de atenção e atividade. Na
natureza passam grande parte do dia procurando alimento,
voando longas distâncias, alimentando-se na
copas das aves e interagindo umas com as outras.
Em cativeiro esta possibilidade de interagir com
o meio ambiente e com membros do bando não
existe, tornando a vida do animal um permanente
tédio. Aves entediadas são fortes
candidatas a tornarem-se arrancadoras de penas.
Aves que não se acasalam também podem
apresentar essa aberração comportamental,
sendo mais evidente o problema na época reprodutiva.
Descobrir a causa do problema não é
uma tarefa fácil e requer muita investigação
clínica e análise do histórico
e comportamento da ave. Pode ser necessário
eliminar possíveis causas até chegar
à causa mais provável. Em muitos casos,
não se chega à cura definitiva.
O
tratamento depende do diagnóstico. Se a causa
predisponente for parasita de pele, o tratamento
é feito com um ectoparasiticida. Se o que
está causando o problema é uma infecção
respiratória, o tratamento é combater
a infecção. Se for distúrbio
hormonal, pode-se lançar mão da reposição
de hormônios. Se o arrancamento for decorrente
da frustração sexual, pode ser necessário
providenciar um parceiro ou reduzir os hormônios
sexuais. Se houver um animal doméstico novo
na casa (cão ou gato), pode ser necessária
a remoção desse animal. A solidão
é um fator predisponente. Se os moradores
da casa permanecem o dia todo fora, pode ser necessário
a adoção de uma outra ave para companhia
(pode ser até mesmo um psitacídeo
de outra espécie) ou então, o dono
deve buscar tempo para passar mais atenção
com sua ave.
Diferentemente,
se a ave arrancadora estiver em bando, pode ser
necessário separá-la das outras, se
estiver sendo ameaçada ou perseguida por
uma outra ave. Assim, existem muitas causas e diversos
tratamentos e manejos.
Muitos são também os medicamentos
prescritos: tranqüilizantes, fitoterápicos,
imunoestimulantes, homeopáticos, etc. o colar
elisabetano é recomendado em algumas situações,
mas não resolve o problema, pois a causa
não é tratada. Uma medida sempre correta
é passar a fornecer ração balanceada.
Para o sucesso do tratamento, é fundamental
descobrir o que está causando o arrancamento.
Forneça sempre um ambiente limpo e saudável
que dê oportunidades de descobertas e estímulos
para a ave manter-se ocupada. Enriquecimento ambiental
é o termo usado para definir os procedimentos
a serem adotados para tornar o ambiente repleto
de oportunidades de aprendizado e atividades, tornando
a ave ativa e constantemente motivada em seu meio.
Uma ave triste e frustrada está a meio-passo
para tornar-se uma arrancadora de penas.
Agressividade
Se
sua ave tornou-se muito agressiva, é porque
apresenta sinais de alteração comportamental
e é preciso investigar o que está
causando essa agressividade exagerada. Um papagaio
irritado ou submetido a esforço físico
(como falar, por exemplo) abre e fecha as pupilas
constantemente, ficando com as pupilas reduzidas
a um pontinho apenas. Aves irritadas e dispostas
a agredir abrem a cauda, arrepiam as penas da cabeça
e pescoço e levantam um dos pés para
atacar. Uma reação típica de
um papagaio irritado que deseja agredir é
atacar com o bico, vocalizar e balançar o
corpo para cima e para baixo. São muitas
as causas da agressividade:
Ciúmes:
os papagaios são monógamos, ou seja,
formam casais permanentes. Uma ave solitária
pode sentir-se acasalada a uma pessoa da casa, e
sentir ciúmes dessa pessoa quando outra pessoa
ou animal se aproxima da sua parceira ou parceiro
humano. Recomenda-se que o papagaio, ainda jovem,
se acostume com todas as pessoas da casa. Quando
se pretende receber uma nova ave, um outro animal
doméstico ou mesmo um novo morador na casa,
os primeiros contatos devem ser feitos num local
neutro da casa, ou seja, num local onde o papagaio
não se sinta o dono. A pessoa favorita (o
parceiro) segurará o papagaio, enquanto o
novo morador é apresentado e familiarizado.
Só então, o papagaio e o novo morador
são levados à área favorita
da casa (local onde o papagaio se sente dono). A
aproximação a outro animal ou pessoa
deve ser feita aos poucos.
Comportamento
territorial: a defesa do território é
um comportamento natural nos papagaios adultos.
Seu território pode ser a gaiola ou um compartimento
da casa. Se a ave se considera a dominadora do ambiente,
irá defendê-lo.
Ameaça: quando um papagaio sente-se ameaçado
(seja a ameaça real ou imaginária),
irá lutar pela sua sobrevivência, já
que não lhe é possível fugir.
A ave pode interpretar como ameaça movimentos
bruscos, pessoas e animais estranhos, objetos estranhos,
perseguição e agressão. Portanto,
nunca se deve agredir uma ave como forma de intimidação.
Na verdade, isso só irá piorar a situação.
Maturidade
sexual: aves maduras sexualmente e em período
reprodutivo podem se tornar agressivas. O papagaio
pode identificar uma pessoa da casa como seu parceiro
e ficar frustrado e agressivo. Se isso acontecer,
deve-se procurar evitar contatos físicos
que possam estimulá-lo sexualmente. Espelhos
devem ser retirados da presença da ave para
que ela não confunda sua imagem com a de
um parceiro para acasalamento. Caixas-ninho devem
ser removidas do viveiro. O ideal seria dar a oportunidade
à ave de se reproduzir num viveiro.
Dor:
aves com dor evitam o contato e podem agredir
durante o manejo.
Técnicas
corretivas:
·
Mantenha a ave em sua gaiola ou poleiro num nível
inferior à cabeça do dono. A gaiola
pode ficar na altura do peito das pessoas. Isso
evitará que a ave esteja num nível
superior e sinta-se dominante sobre as pessoas.
- Ignore
seu papagaio quando ele tornar-se agressivo. Evite
olhar, falar ou interagir com ele enquanto estiver
se comportando mal.
- Cubra
a gaiola por uns 10 minutos para que ele saiba
que seu comportamento não é desejado
e por isso está sendo privado do convívio
com o dono e com outras pessoas da casa.
Gritos
e barulho excessivo
A
vocalização é um comportamento
natural nos psitacídeos e serve para se localizarem
no bando. Na natureza essa vocalização
é mais intensa ao amanhecer e ao entardecer.
Em cativeiro não é desejável
essa gritaria, pois perturba o sossego dos moradores
e vizinhos. O som alto de eletrodomésticos
(aspirador-de-pó, liquidificador, rádio
em volume alto, cortador-de-grama, etc.) estimulam
os gritos nos psitacídeos. O comportamento
agressivo e territorial pode levar a ave a gritar
excessivamente. A procura por atenção
do dono e a ansiedade e medo pela separação
do dono são também causas de gritos
barulhentos.
Técnicas
corretivas:
- Cobrir
a gaiola por alguns minutos ou isolar a ave em
um recinto da casa.
- Ignorar
completamente a ave durante o período de
gritaria (não olhar, falar ou interagir
com a ave).
- Eliminar
o estímulo ambiental que está desencadeando
a gritaria (desligar equipamentos barulhentos,
por exemplo).
- Fornecer
brinquedos, distrações e alimentos
que mantenham a ave ocupada e mentalmente ativa.
{Index}
-{Taxonomia
e morfologia} - {Espécies
mais comuns em cativeiro }
- {Psitacídeos
ameaçados de extinção }
- {Identificação
do sexo e idade} - {Vocalização
} - {- Hábitos
} - {Alimentação
na natureza} - {Alimentação
em cativeiro }
- {Viveiros
e gaiolas }
- {Comedouros
e bebedouros}
- {Brinquedos
e divertimento}
- {Atenção
do dono}
- {Banhos}
- {Sono }
- {Corte das
penas }
- {Aparação
das unhas - Aparação
do bico }
- {Higiene e
saúde}
- {Zoonoses
}
- {Problemas
comportamentais}
- {Desordens
nutricionais}
- {Problemas
veterinários }
- {Intoxicações}
- {Sintomas
de doenças}
- {Domesticação}
- {Reprodução}
- {Como
adquirir um papagaio}
- {Legislação
e ética}
Dr. Zalmir Silvino Cubas
Médico Veterinário - Foz do Iguaçu
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