Gerbil
- Transporte
Prezado
Dr. Zamir S. Cubas
Ganhei um gerbilo de aniversário em maio, tenho
15 anos, e fiquei muitofeliz em saber q vc se dispõe
a responder questões pessoais. Mantenhoapenas
ele, pois quando descobri a importância da espécie
em ter companheiros, ele já estava com três
meses, e como também li q eles são territoriais,
resolvi mantê-lo sozinho. Já viajei de
avião com ele para Curitiba e gostaria de saber
até que ponto isso pode afetá-lo (tanto
no que diz respeito a variações das
condições climáticas quanto à
viagem em si) . Por razões da empresa, foi
necessário despachá-lo e achei isso
muito traumatizante para o Peter (esse é o
nome dele). Se possível, gostaria de saber
se existe algum meio mais prático de transportá-lo.
Já constatei o Ibama, o Veterinário,
as empresas e até mesmo obtive o Guia de Transporte
dos animais, o q foi realmente bem trabalhoso apenas
por ele ser considerado um animal exótico.
Quanto a hábitos, gostaria de saber o que eu
poderia fazer para estimular sua inteligência
e como ele poderia se tornar mais afetuoso, pois já
notei q ele não gosta de muito contato humano.
Quando o deixamos solto um pouco pela casa, ele gosta
muito de saltar e já teve uma queda de 60 cm
de altura. O mais estranho é que ele não
aprende com o tombo e continua sempre pulando em lugares
altos. Nos preocupamos com essas quedas. Mantemos
ele em uma gaiola relativamente grande e sempre confeccionamos
pequenas caixas de papelão, onde ele geralmente
faz um ninho roendo papel. Li em uma enciclopédia
que em seu habitat natural eles têm o costume
de costruir ninhos em buracos na terra, cobrindo com
folhas em cima. As caixas conveccionadas tem um buraco
na lateral, e não no topo (o que seria mais
próximo do habitat natural). Gostaria de saber
até que ponto devo proporcioná-lo um
habitat próximo ao da origem da espécie.
Grata pela atenção,
Tatiana
Tatiana,
O transporte de animais é sempre uma situação
de stress para os animais. Na verdade, isso acontece
não só com os animais, mas também
com nós mesmos durante uma viagem. O transporte
envolve situações estranhas de som,
cheiro, ambiente e movimento. Além disso, existe
a mudança de temperatura e umidade e ainda
mais, em se tratando de Curitiba, uma cidade de clima
bastante variável e frio na maior parte do
ano, o risco aumenta. Tudo isso favorece o aparecimento
de doenças, principalmente doenças respiratórias.
Existe também a burocracia para se transportar
animais, que pode envolver Ministério da Agricultura,
Ibama e empresa aérea. Se for realmente necessário
transportá-lo, esteja ciente do risco e incômodo,
porém se for possível deixá-lo
sob os cuidados de alguém, é melhor
deixá-lo em casa longe de você por alguns
dias. Ele não irá estranhar.
Quanto à tentar imitar as condições
na natureza, digo que em cativeiro esses animais alteram
um pouco seus hábitos e se fossem soltos na
natureza, não sobreviveriam, pois estão
a diversas gerações em cativeiro. Tentar
oferecer condições similares à
encontrada na natureza é às vezes possível
e necessário, mas não é imprescindível,
conforme o procedimento que estejamos tratando. Se
ele estiver usando a toca com abertura lateral, possivelmente
já esteja acostumado a esta disposição.
As quedas apresentam risco para a saúde do
seu gerbilo. Os animaizinhos podem não saber
avaliar corretamente a altura do salto e machucarem-se.
Quando caem do colo ou algo semelhante o risco é
ainda maior, pois não estão preparados
para a queda. Melhor mantê-lo em locais baixos.
Fraturas nessa espécie são de difícil
imobilização. Para deixá-lo mais
calmo é preciso manejá-lo diariamente.
O segredo do relacionamento homem-animal é
a segurança e carinho. Ele precisa confiar
em você. A agressividade pode se acentuar em
conseqüência do aumento dos hormônios
sexuais e necessidade de reprodução.
Pelo que você diz, trata-se de um macho. Talvez
fosse conveniente procurar adaptá-lo a uma
companheira.
Dr.
Zalmir Silvino Cubas - Foz do Iguaçu - PR
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