Alimentação
de Cavalos Idosos
Prezado Dr. Gustavo Braune:
Agradeço sua atenção e preocupação
com nossos velhos amigos. Um aspecto a que poucos
atentam é a docilidade e o treinamento de cavalos
que já serviram aos donos por toda uma vida.
Seriam, portanto, ideais para quem está começando,
especialmente crianças, que poderiam aprender
a montar com os animais (eles têm muito a ensinar).
Também em eqüinoterapias, principalmente
quando de deficientes mentais, e em hotéis
fazenda, onde a prática da montaria não
costuma ser o forte dos clientes. Talvez, ao invés
de descartarem (entregam à graça de
Atropos) animais idosos, os haras e cabanhas devessem
promulgar esses empregos. Pelo menos os animais não
estariam à deriva. Num livro, não lembro
bem qual, o autor dizia poder durar mais uma década
o cavalo idoso se devidamente manejado (só
que não falava muito a respeito).
Na verdade, não é meu o cavalo, mas
de uma amiga que não tem net (teve problemas
com o computador... está sem, por enquanto).
Trata-se d'um Cavalo de Sela Argentino que, com 3
anos, saltava em panamericano, pesando cerca de 600
kg. Com 15 anos, desenvolveu laminite crônica
(ela sabe a quem agradecer por isto). O animal foi
posto a pasto, tendo diminuída sua alimentação
(HC). Não chegou a perder os cascos (graças
somente a Deus!). Demorou 3 meses para voltar a caminhar
sem dor. Hoje, com 19 anos, aposentado há 3,
é mantido a pasto (capim elefante, braquiária,
coast-cross, aveia), com ração Omolene
(Purina), sal mineral e sal iodado misturados ad libitum,
além de carinhos (açúcar, maçã,
cenoura, goiaba, aveia com mel e muito afago!). Pesa
cerca de 500 kg e se costuma arvorar de garanhão
pras 2 éguas (Mangalarga Paulista) que essa
minha amiga (Paula Bonat de Mello, de Blumenal, SC)
também mantém no sítio.
Bem, como o senhor se dispôs a me solucionar
eventuais dúvidas, vou abusar da sua paciência...
O senhor comentou, no item 2: "fornecer volumoso
no mínimo 2 horas após a ingesta do
concentrado". Presumo que se refira a cavalos
soltos a pasto. Então deveríamos manter
o animal na cocheira por cerca de 2 horas após
o fornecimento de concentrado? Isto não prejudicaria
ou deixaria de auxiliar a digestão? Ou as fibras
a dificultam? Para cavalos confinados, o que se ouve
é fornecer primeiro volumosos, para evitar
uma ingestão excessiva de concentrado ou a
parada do aparelho digestivo e cólicas.
Outra coisa: ítens 4 a 7 e 9. Quanto ao 4,
tudo bem, HC fermentam... mas gorduras (5) não
sobrecarregariam fígado e rim, já não
adequadamente funcionais? E (6) a relação
2:2:1, com, então, 3 partes energéticas?
Ou os exercícios de que fala no item 7 resolveriam
isso? Então não são exercícios
muito suaves? E o próprio mel (item 9) não
seria uma boa fonte de energia, suprindo parcialmente
o cavalo? Aliás, haveria alguma limitação
no seu emprego? E, voltando ao item 7, quais seriam
exemplos de exercícios recreativos?
Mais uma dúvida: em relação ao
item 8, quais seriam as vitaminas e os minerais que
deveriam ser suplementados à dieta do cavalo
idoso? E a quantidade? Além disso, agradeceria
se me explicasse como fazer o mineralograma capilar
(e se, no caso, conviria fazer dos cascos e da crina,
para ter controle sobre o organismo (crina) e cascos
(em função da laminite), ou se não
há interferência e tanto faz a partir
de qual deles se fará o teste). Minha amiga
disse que já ouviu falar disso, mas nunca fez
e não sabe como proceder.
Desculpe a enxurrada de perguntas... Nesses 3 anos
de laminite, só agora o cavalo está
bom, com até uma boa condição
corporal... Cansei de ver minha amiga chorando porque
o Dourado não respondia bem aos tratamentos
e ainda emagrecia. Agora ele se mantém; a preocupação
é auxiliá-lo nisto, de forma eficiente
e segura, prevenindo problemas decorrentes da idade
e do manejo.
Meus (digo, nossos) sinceros agradecimentos.
Édelis
Ao
prezado Édelis.
vamos analisar cada parágrafo do seu texto
:
1) muito interessante suas colocações
sobre as alternativas de uso dos cavalos mais velhos.
E concordo plenamente com quem diz do idoso durar
mais uma década. Todos os meus pacientes geriatras
pssam tranquilamente dos 30
2)manejo alimentar parece bem satizfatório
e muito cuidadoso. A grande qualidade desse manejo
é a diversificação dos alimento
. Deve-se tomar cuidado com uma ingestão exagerada
de carboidratos e açúcares, mesmo sendo
pare dele proveniente de frutas, cereais e mel, pois
a capacidade hormonal do idoso para administrar a
enrada e saída de glicose das celuluas é
muito menos eficiente e é um dos fatores que
desencadeam as laminites . Outra coisa a ser citada
é a queatão de um possível desequilíbrio
mineral quando se faz predominar os cereais como aveia
e o milho (Omolene), assim como a fonte de volumoso
a partir de capins como elefante e braquiária,
pois estas são altamente comprometedores da
proporção ideal entre os minerais principalmente
: Ca:P,Ca:Mg,Ca:Mn e ainda com o cobre e o cromo (
este fundamental no aproveitamento racional dos açúcares
e carboidratos bem como dos níveis de colesterol.
3)O concentrado fornecido juntamente ou logo em seguida
ao volumoso faz com que aquele tenha sua passagem
pela digestão química muito rapidamente
(estômago e intestino delgado), sendo induzido
mecanicamente pelo volumoso a ser levado ao intestino
grosso onde se faz a digestão mais mecânica
e fermentativa , e onde a absorção de
carbohidratos, proteínas e aminoácidos
ficam reduzidas a quase zero; basta conferir até
mesmo a olhos nús os grãos de aveia
e milho serem recuperados quase intactos, nas fezes.
O prazo de 2 horas mencionado é fruto de pesquisa
e pesquisa séria e quanto aos animais de pasto
, que não tenham acesso a baia devem ser arraçoados
a campo quando estes têm acesso a rações
industrializadaa ou concentrada.Quanto as fibras vegetais
elas melhoram e muito e digestibilidade dos alimenbtos
, mas também há trabalhos científico
que concluem que elas são inibidoras da digestão
das proteínas e dos aminoacidos na digestão
química.
4)As gorduras de que falo são os ácidos
graxos essenciais, os agora conhecidos como Ômega
3 e 6 que são encontrados nos óleos
de milho (moderadamente),canola e linhaça (abundantemente)
e que ao contrário defendemo metabolismo hepático
, regulam as funções pancreáticas
de insulina e glucagom e ajudam a prevenir alterações
ao nível de membrana celular, as quai estão
altamente envolvidas com o desencadeamento dos proce4ssos
metabólicos que envolvem a fisiopatologiadas
laminites.
5)Quanto
a dosagem de esforço físico eu adoto
a metodologia do monitoramento cardíaco, através
de aparelho colocado no cavalo e no pulso do equitador.
Treinar seria trabalhar numa zona alvo individual
de frequência cardíaca (zona que promove
stress aquém da fadiga ate os limites do aeróbico
) e exercícios recreativos seriam abaixo dessa
zona alvo sem causar stress e se possível em
forma de "exterior", pois o cavalo também
gosta de passear.
6)Quanto
ao uso de vitaminas e minerais como suplementação
,são fundamentais que sejam também individuais
, e a única maneira de se chegar a isso é
através do mineralograma capilar, que no coso
do seu cavalo deve ser feito da crina. Caso você
se interesse sobre a
metodologia deste exame e do monitoramento cardíaco,
posso ajudá-lo.
Diga
também de que região é você
pois pode ser , que em alguma das minhas inúmeras
viagens possamos estar próximos. Quanto aos
cuidados de prevenção e melhora das
condições de um paciente com sequela
de laminite , são baseados nas colocações
acima adicionados de terapias antioxidantes,fitoterapias
, homeopatias, homotxicologias, oligoterapias e antposofia,
jamais a alopatia; nesse momento elas prejudicam .
Administrar anti-inflamatórios hormonais ou
não seria uma tragédia. Lembro que em
relação ao seu receio de cólicas
recomendo o uso de semenre de linhaça (baratas,lubrificantes
e com teor razoável de ácidos graxos
essenciais.
Um
abraço.
Dr.
Gustavo Braune - Riode Janeiro - RJ
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