Cadela
chorona
Prezado
Senhor,
possuo uma cadela da raça Shnauzer Miniatura
que está com quase 5 meses e há 2,5
encontra-se comigo. Moro sozinha e pela ausência
de trabalho ficava com ela boa parte do tempo. Agora,
quando saio para trabalhar, ela chora durante todo
o período, provocando reclamações
dos vizinhos e sofrimentos a ela própria. Cabe
destacar que havendo qualquer pessoa com ela, não
há choro.
O que posso fazer para evitar que ela chore? Sempre
que saio deixo TV ou rádio ligado, peça
de roupa minha com meu cheiro e todo dia passeio com
ela.
Agradeço a atenção e espero que
possa me ajudar.
Magda
Olá
Magda,
Sua
cadela está com Ansiedade de Separação.
Um comportamento que corre devido a insegurança
que sua ausencia provoca nela. Para parar isto siga
o seguinte protocolo: O sucesso do manejo da ansiedade
de separação inclui ensinar o cão
a tolerar a ausência do proprietário
e corrigir os problemas associados a destruir, vocalizar,
e eliminar em locais inadequados. O cão deverá
adaptar-se gradualmente a ficar só, mediante
exposição a Pequenas partidas. Se a
resposta ansiosa acontecer logo após a partida
do Proprietário (dentro de 30 minutos), o cão
deverá permanecer sozinho, no princípio,
durante intervalos muito pequenos (5 minutos) para
assegurar o sucesso do tratamento. O período
de ausência é então gradualmente
aumentado. O proprietário deve evitar a interação
enquanto o animal apresenta comportamentos ansiosos.
Deve assegurar que o cão não se ocupe
com audações prolongadas no retorno
do proprietário, gratificando ou premiando
o animal somente quando este estiver tranqüilo
e calmo. O tratamento pode ser iniciado com a dessensibilização
às pistas ou sinais que indiquem ao cão
a saída do proprietário. O animal deverá
permanecer calmo enquanto o proprietário se
movimenta. As pistas que antes informavam ao cão
a futura saída serão expostas ao cão,
mas não devem ser concluídas com a saída
real do proprietário. Pode-se também
fazer o contra condicionamento, para isso treina-se
o cão a manter-se sentado e calmo enquanto
o proprietário se movimenta, se afasta cada
vez mais até chegar perto da porta. Posteriormente
este treino é feito com ausências que
serão gradualmente aumentadas. O proprietário
se ausenta por tempos progressivamente maiores, mas
não lineares (2, 5, 3, 6, 4, 8 minutos), e
retorna antes que o cão manifeste comportamentos
ansiosos.
As
partidas e retornos deverão evitar super estimular
o cão. O cão não Deverá
receber gratificação ou atenção
nas partidas e chegadas. Atenção excessiva
anterior à partida e no retorno parece aumentar
a ansiedade de separação. Pode-se condicionar
o animal a associar a saída do proprietário
com um retorno breve e seguro. A TV ou rádio
podem permanecer ligados ou um brinquedo apropriado
pode ser fornecido ao cão. Porém, é
muito importante que a pista não seja um artigo
associado a ansiedade. Estas sugestões ajudam
o cão a Associar positivamente o período
de isolamento. Uma vez iniciado o tratamento, o cão
não poderá ficar sozinho mais do que
o tempo estipulado. É fundamental Identificar
se há componente de pânico associado;
em caso positivo, deve-se tratar a condição,
pois o pânico está associado a estímulos
específicos e a ausência do proprietário
é apenas a chave de onde parte o problema.
Em casos severos o proprietário pode ter também
que executar um programa de dessensibilização
da dependência do cão a uma pessoa, evitando
contatos prolongados, impedindo que o animal durma
no mesmo quarto ou na mesma cama que o proprietário.
Ignorar o cão por um período de tempo
não quebrará o laço afetivo com
o proprietário, mas diminuirá a dependência
extrema do cão, permitindo que ele tolere sua
ausência sem ansiedade. Ignorar um animal de
estimação pode ser difícil para
o proprietário, mas é importante que
ele entenda que isto resultará em uma relação
muito mais saudável e feliz para ambos. Castigos
ou punições físicas só
pioram a ansiedade, por isso não são
recomendados como tratamento. A punição
é um procedimento que visa suprimir rapidamente
a freqüência de um comportamento por meio
de um controle aversivo.
Raramente
o procedimento é aplicado com planejamento
e conhecimento. As Pessoas confundem punição
com "castigo", e o castigo aplicado muitas
vezes só serve para aliviar a ira do proprietário
contra um cão que fez algo inadequado. Como
conseqüência há o desenvolvimento
de comportamentos respondentes (medo/agressividade)
diante do punidor. O uso da punição
como estímulo aversivo deve ser feito com planejamento,
de modo que a punição seja aplicada
imediatamente após a ocorrência do comportamento
a ser suprimido, o que é difícil pois,
no caso de ansiedade de separação, tais
comportamentos só ocorrem na ausência
do proprietário.
Preste
atenção a sua cadela, tente entender
seu comportamento. Esteja disponivel e atenta a todas
as solicitações de sua cadela. Procure
ensinar o comando senta a sua cadela. Enquanto estiver
com ela em casa procure dedicar 1 hora a ela. Leve-a
para passêr e durante o passeio pare para fazer
carinho quando ela Se mostrar tranquila. Em casa brinque
com ela, faça carinho ou qualquer interação.
Se o problema persistir, ou voce tiver dificuldade
de executar o protocolo procure um profissional da
área, porque as vezes o problema exige um tratamento
medicamentoso.
Até
mais,
Dr
· Mauro Lantzman - Homeopatia e Etologia
- São Paulo SP
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