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PULGAS
EM GERAL
Dr.
Carmello Liberato Thadei
Médico Veterinário
São
as pulgas seres vivos classificados em zoologia
na ordem Aphaniptera, compreendendo vários
gêneros, entre os quais o mais conhecido é
denominado Pulex, no qual se encontra a conhecidíssima
e universalmente encontrada pulga doméstica:
Pulex irritans, parasita preferencialmente do homem.
Além dela, existem e têm especial importância
em saúde publica e medicina, tanto humana
quanto veterinária, o gênero Xenopsylla,
no qual está classificada a espécie
que parasita o rato (Xenopsylla cheopis) capaz de
ser transmissora para o homem, da terrível
doença conhecida por Peste Bubônica,
que dizimou populações inteiras no
século passado, além da denominada
pulga dos cães e gatos, classificadas respectivamente
como Ctenocephalides canis, e Ctenocephalides felix.
As
espécies que parasitam animais, como aquelas
dos gêneros Ctenocephalidae e Xenopsylla, também
podem parasitar o próprio homem, devido a convivência
comum deste com animais domésticos como cães
e gatos, como ocorre normalmente em centros urbanos
e rurais. Da mesma forma, a espécie Pulex irritans
(Pulga comum) que normalmente parasita o homem, também
pode ser encontrada em animais, pelas mesmas razões
anteriores, e mesmo sobre ratos que vivem em esgotos,
como é o caso das ratazanas (Rattus norvergicus).
Não
vem ao caso, discutir nesta oportunidade as características
morfológicas que distinguem essas espécies
uma das outras, por ser isso interesse apenas de especialistas
em entomologia e saúde pública; Porém,
apenas as implicações decorrentes desses
animais inferiores serem além de parasitas,
por serem hematófagos (nutrem-se do sangue
de suas vítimas), como principalmente o fato
de poderem exercer grave papel como transmissores
de doenças dos animais ao homem, como é
o caso da própria Peste Bubônica, e reciprocamente
do homem aos animais.
Sendo
todos esses seres hematófagos, ou seja, nutrem-se
do sangue das pessoas ou animais nos quais estejam
parasitando, causam-lhes nesse ato irritação
cutânea provocando coceira, isso explicado pelo
fato desses seres para poderem sugar sangue e impedir
que nesse momento o mesmo se coagule, injetam no de
sua picada sua própria saliva, e esta é
que provoca a coceira decorrente desse ato. Em pessoas
mais sensíveis e alérgicas a essa saliva
da pulga, podem inclusive provocar graves coceiras
e mesmo eczemas . A própria Peste Bubônica,
causada por uma bactéria (Pasteurella pestis),
é transmitida do rato de esgotos (ratazana)
quando infectada e parasitada por pulgas, para o homem,
por esse mesmo mecanismo da pulga infectada injetar
sua saliva no local da picada.
Quando
o número de pulgas é pequeno, a espoliação
provocada por essas picadas e conseqüente ato
de sugar dessas mesmas pulgas pode ser passado sem
maiores conseqüências, porem com o passar
do tempo sem tratamento, e conseqüente aumento
do número desses parasitas pela sua procriação,
sobre o próprio animal parasitado, tal espoliação
pura e simples de sangue pode representar grave dano
a própria saúde do animal parasitado,
levando-o até a graves anemias do tipo espoliativa.
Apenas para ter pálida idéia desses
danos espoliativos causados, basta ser citado que
a capacidade do estômago de uma pulga é
de aproximadamente 0,5 mm3 de sangue, e pelo fato
delas se alimentarem durante um dia até 20
vezes, o sangue absorvido de suas vítimas quando
seu número é grande explica essa decorrente
anemia.
Paralelamente a irritação cutânea
em suas vítimas, provocada pelo simples atos
de sugarem sangue para se alimentarem, causam também
desassossego nesses seres parasitados, e no caso implicações
até psicológicas quando os hospedeiros
são humanos. Em animais, principalmente quando
se tratar de animais em fase de engorda ou lactação,
tal irritação cutânea provocada
pela picada dessas pulgas, podem se traduzir até
em perdas econômicas por menor produção
de leite ou carne.
A
doença conhecida por Peste Bubônica,
que teve conseqüências graves para a humanidade
até fins do século passado, principalmente
em países do Oriente e mesmo alguns da própria
Europa, era levada de um porto marítimo a outro,
por navios onde ratos se alojavam e no caso destes
encontrarem-se infectados pela Pasteurella pestis,
a doença disseminada para novas regiões
do globo. Até hoje em cidades marítimas
onde existem portos, um serviço preventivo
para essa doença infecto-contagiosa está
sempre de prontidão contra ratos de esgotos
e seus parasitas naturais. Numa próxima oportunidade
voltarei a esse assunto, tratando especificamente
dessa terrível moléstia.
Além dessa doença, podem também
as pulgas serem vetores para outras doenças
bacterianas ou viróticas, causadas por exemplo
pelos: Micrococcus aureus, M. albus, Bac. Pyocyneus
e provavelmente também pneumococos, além
de bactérias do grupo tífico.
As
pulgas parasitando animais domésticos como
cães ou gatos, são também vetores
para a transmissão de certos parasitas intestinais,
como por exemplo: Dipylidium caninum. Por se tratar
esse parasita uma espécie freqüente no
trato digestivo desses animais domésticos,
merecerá de minha parte, a referida doença,
especial atenção neste texto, como Veterinário
que sou.
É o Dipylidium caninum, uma tênia, ou
seja um parasita do grupo das solitárias como
são conhecidas vulgarmente, porém especificamente
parasitas de cães, gatos e outros animais selvagens
do grupo dos carnívoros em geral. Mede esse
parasita, de 15 a 20 cm de comprimento por 2-4 mm
de largura em sua fase adulta. Sendo ele um verme
do grupo dos chamados vermes chatos (achatados dorso
ventralmente), ou Platelmintos como chamados em zoologia,
quando em sua fase adulta são perfeitamente
visíveis a vista desarmada. Já seus
ovos, só são visíveis com auxílio
de microscópio ótico, e encontrados
sempre agrupados formando o que é chamado de
sincício.
Para prevenção desse parasitismo intestinal,
o principal cuidado é o combate às pulgas,
por serem estas as transmissoras do verme de um animal
para outro, e mesmo provocadoras de auto-parasitismo,
pela ingestão dos cães ou gatos por
sua direta catação com os dentes, e
conseqüente persistência dessa infestação
intestinal.
As pulgas em sua primeira fase logo após a
eclosão do ovo, chamada forma de larva, em
geral no solo para onde foram levadas por haverem
caído dos animais que as albergam, nessa fase
larval nutrem-se de fezes, e sendo essas fezes as
de cães parasitados, irão ingerir os
ovos desse verme, e consequentemente serão
também essas mesmas pulgas parasitadas pelo
Dipylidium, por ser esse parasita chamado heteroxeno,
ou seja necessita passar em sua vida, por mais de
um hospedeiro para atingir seu completo desenvolvimento.
Uma pulga jovem assim parasitada pelo Dipylidium,
sendo ingerida por um cão ou gato, ira essa
pulga levar o verme para esse novo hospedeiro, que
atingirá então sua fase adulta de verme
já nos intestinos desse cão ou gato,
onde passará então, o Dipylidium, a
viver sua nova vida parasitária. Cães
ou gatos parasitados, albergando em seus intestinos
esse verme, sofrerão as conseqüências
dessa doença, que será objeto de minha
atenção, quando numa ocasião
futura venha a tratar especificamente das Tênias
(Solitárias).
TRATAMENTO O PARASITISMO POR PULGAS
Existem
no mercado de medicamentos veterinários vários
produtos comerciais patenteados para combate de pulgas.
Todos são indistintamente eficientes, porém,
pelo fato de existirem alguns laboratórios
inescrupulosos que ainda continuam a juntar na fórmula
desses medicamentos produtos do tipo como os chamados
DDT ou BHC, especial atenção devem ter
os criadores e proprietários de cães
e gatos, principalmente, pela chamada especial sensibilidade
desses animais domésticos a produtos clorados
ou fosforados como o são esses medicamentos.
Apenas isso.
Dr.
Carmello Liberato Thadei - médico veterinário
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