|
SARNAS EM CAVALOS
DR.
Carmello Liebrato ThadeiI
Médico Veterinário
São
os eqüinos em geral parasitados por várias
espécies de Sarnas, entre as quais as seguintes:
Psoroptes
equi, que ataca preferentemente as
zonas do corpo revestidas por pelagem mais densa,
tais como o topete e a crina, seguindo-se em ordem
de freqüência as regiões escapular
e a de inserção da cauda. Raramente
ataca as regiões como o ventre, garupa, curvilhão
ou orelhas, e quando isso acontece, em geral está
associada com a Sarna Sarcóptica que será
mais especificamente tratada abaixo.
Para
seu tratamento, simples banhos com água e
sabão, preferentemente sendo este do tipo
sarnicida, são suficientes para debelarem
o parasita
Chorioptes
equi, ou simplesmente Sarna Corióptera,
também conhecida como Sarna da patas, pelo
fato de quase sempre encontrar-se o parasita localizado
nessa região exterior do animal. Produzindo
intensa coceira, os animais quando parasitados demonstram-se
irritadiços, andando de um lugar para outro
sem se manterem calmos como usualmente acontece
quando não parasitados. Dão patadas
contra o chão, golpeiam com suas próprias
patas as paredes dos locais onde se encontram alojados,
mordem-se assim como os objetos circunvizinhos,
demonstrando assim o prurido que sentem em suas
extremidades. Essa irritação do animal
é mais intensa principalmente a noite devido
a grande atividade do ácaro parasita nesse
horário, levando o dono ou o tratador do
animal a pensar tratar-se de vício do animal.
Durante os meses mais quentes há remissão
dos sintomas, que tendem a voltar quando durante
o Inverno ou noites frias, daí ser conhecida
também pelo nome de Sarna Invernal.
Afeta
inicialmente e mais freqüentemente as extremidades
posteriores que a anteriores, e principalmente as
chamadas regiões das quartelas. Invade em
seguida as regiões das espáduas, do
pescoço e do tronco, para invadir em seguida
todo o corpo do animal. Aqueles animais de porte
mais avantajado e de pelagem mais densa, pelos alemães
chamados de Animais de " sangue frio ",
são mais freqüentemente e primeiro parasitados
que os demais com os quais convivam, e principalmente
aqueles mais deficientemente cuidados com banhos
ou simples rasqueamentos.
As
zonas da pele atacadas pelo parasita, apresentam-se
com infiltrações serosas e formação
de nódulos e vesículas, para em seguida
aparecerem crostas e por fim engrossamento cutâneo
resultante da cornificação epidérmica
(hiperqueratose). Por fim sobrevem queda de pêlos,
e aparecimento de um eczema seco nesses locais parasitados.
Com o passar do tempo sem tratamento condizente,
pode evoluir para Eczema úmido e mesmo flegmonoso,
sobrevindo calosidades e rugosidades das quartelas,
daí o nome que lhe é dado de: pé
eriçado.
Juntam-se
ao quadro lesões traumáticas nesses
locais, produzidas pelo ato de coçar mordendo
a região pelos próprios animais.
Sarcoptes equi,
ou simplesmente Sarna Sarcóptica, também
chamada de Escabiose por semelhança com a
produzida no homem e em algumas espécies
animais pelo seu primo Sarcoptis scabiei.
Diferentemente
das anteriores, esta espécie dá preferência
para localizar-se em zonas da pele revestidas por
pêlo mais curto. Em geral começa atacando
a região da cabeça do animal, arcadas orbitarias, nariz, lábios
e orelhas. Avança em seguida para o pescoço
e região escapular, e nos cavalos utilizados
como montaria ou tração, na região
da sela. Todo o corpo pode ser invadido pelo parasita
em prazo curto de 4 a 6 semanas, porém, excepcionalmente
são parasitadas as regiões baixas
como ventre e extremidades do corpo. Provoca prurido
intenso, principalmente durante a noite. É
mais freqüente que a Psoróptica, podendo
associar-se a esta, produzindo então um quadro
clínico não definido como quando acontece
estar presente sozinha.
PATOGENIA
- Tanto aquela psoróptica quanto a Sarcóptica,
conforme já descrito, o que chama a atenção
é o aparecimento de nódulos da pele,
apresentando-se os folículos pilosos carcomidos,
além de pontos avermelhados nas regiões
mais claras ( despigmentadas), devido infiltração
serosa da epiderme.
Algumas
vezes podem ser claramente visíveis hemorragias
cutâneas. Evolui para vesículas, e
em algumas vezes para pústulas cutâneas.O
conteúdo dessas vesículas que se rompem
junto com as células de descamação
da epiderme desprendidas por queratinização,
formam verdadeiras escamas cobrindo a pelagem do
animal e de coloração branco-acizentada.
Sua aglutinação dá origem as
crostas que sobrevem sobre a pele, o que serve também
de estímulo para novos processos de queratinização
cutânea. De permeio a essas crostas são
encontradas verdadeiras galerias que servem de abrigo
ao parasita e com o qual se nutre, além do
próprio sangue do animal. Pela debilitação
do próprio pêlo, sobrevem sua queda
e em conseqüência o aparecimento de zonas
depiladas na superfície parasitada.
TRATAMENTO
- Entre os existentes, quando o número
de animais parasitados é suficientemente
grande que o justifique, podem ser utilizados câmaras
fechadas, onde é insuflado anidrido sulfuroso,
na proporção de quatro e cinco por
cento com o ar atmosférico e na temperatura
de 25-30 graus durante pelo menos uma hora. Deve
esse tratamento ser repetido pelo menos durante
uma semana e diariamente.
Aplicações
sobre a pele, principalmente se o parasitismo for
localizado como na cabeça e pescoço,
e o número de animais for pequeno, são
indicadas soluções com os seguintes
medicamentos: Em primeiro lugar aplicação
de solução de Hipossulfito de sódio
a 40 %, com utilização de um pincel
ou brocha, para logo em seguida ser aplicada uma
solução de Ácido Clorídrico
a 4 %.
A
reação química que sobrevem
entre essas soluções,dá origem
ao Enxofre nascente, que tem ação
fortemente acaricida, debelando o mal e o parasitismo
dessas regiões do animal.
Medicamentos
do tipo: Acarsan, que contem Benzoato de Benzila
também têm indicação
e são utilizados quando o número de
animais for pequeno.
Igualmente
sabões medicinais Sarnicidas, também
podem ser utilizados em banhos diários dos
animais, assim como lavagem dos utensílios
utilizados no trato dos próprios animais,
como escovas, raspadores, arreios e baixeiros de
selas e arreios, assim como panos utilizados.
Alguns
inseticidas de contato, a base de substâncias
fosforadas ou cloradas, também podem ser
utilizadas, desde que se tomem os devidos cuidados
para ser evitada absorção pela pele,
e conseqüente intoxicação do
animais tratados.
Como
última recomendação para evitar-se
que tais parasitas cheguem até os animais,
recomendaria banhos diários dos eqüinos
do plantel, simplesmente com água, sabão
e escova, alem de cuidados especiais no uso de objetos
ou arreios de terceiros que podem estar contaminados
por parasitas.
DR.
CARMELLO LIBERATO THADEI - MEDICO VETERINÁRIO
CRMV-SP-0442.
|