É
o Tétano, doença causada por uma
bactéria ciliada denominada Clostridium
tetani, que mede 2,5 por 0,5 micra, que tem
suas extremidades arredondadas. Quando esporula
o fáz terminalmente, daí sua classificação
bacteriológica de plectídio, o
que lhe confere a forma semelhante à
um alfinete de cabeça. Seus cílios,
que estão presentes em toda superfície
do corpo, daí serem chamados de peritríquios,
só são visíveis na forma
vegetativa, denominação essa reservada
aos germes em sua forma infectante, contrariamente
à forma denominada de resistência,
que é chamada de esporulada, a qual algumas
bactérias se transformam como meio de
resistirem a inclemência do meio ambiente
e quando encontradas fora de qualquer organismo
vivo.
Trata-se de doença que acomete todos
os animais de sangue quente (homeotermos), inclusive
portanto o homem, e pelo fato da doença
na maior parte dos casos ser causada por contaminação
de ferimentos da pele ou mucosas por terra é
chamada a doença telúrica, ou
seja, originária da terra. Na terra contaminada
com o germe, adquirindo este sua forma esporulada,
pode permanecer viável por lapso grande
de tempo, chegando a algumas décadas.
O
germe penetrando a través de um ferimento
ou solução de continuidade da
pele em um organismo animal suscetível
, ali permanece aguardando o momento que pela
cicatrização venha o ferimento
se fechar, criando então ambiente de
anaerobiose, ou seja, com ausência de
oxigênio, para se transformar em sua forma
vegetativa. É então nesta última
forma que tem inicio a secreção
de potente toxina pelo germe, sendo essa toxina
a responsável pelo desencadeamento dos
sintomas da doença, toxina essa denominada
Tetânica. Entre as toxinas conhecidas,
só é essa toxina superada pela
toxina Botulínica, secretada também
por outro germe do mesmo grupo, o: Clostridium
botulinum .
Trata-se a toxina tetânica, na realidade
de duas substâncias farmacologicamente
distintas; uma tetanolisina, que como o próprio
nome indica é responsável pela
lise (destruição) dos glóbulos
sangüíneos do animal acometido pelo
mal; e a outra substância denominada tetanospasmina,
esta uma exo-toxina (secretada pelo germe e
que se difunde pelo organismo infectado), e
que é responsável pelos espasmos
musculares que ocorrem no organismo doente.
Estes últimos sintomas espasmódicos
determinados pela fração exo-tóxica,
e comprovadamente causados pela citada toxina,
agem a distância do foco onde o germe
penetrou e se manteve em multiplicação,
pois não se espalha o germe no organismo
doente como outros germes patogênicos.
Quem se difunde no sangue é apenas a
citada toxina (tetanospasmina), e não
o germe que a secretou, permanecendo este, o
germe, no foco: local de penetração,
multiplicando-se no citado foco quando não
tratado o ferimento a través de substâncias
que lhe sejam ativas, e em última instância,
podendo inclusive causar a morte do organismo
infectado.
Devido
essas características anteriormente descritas,
é a doença classificada como apenas
infecciosa, porém não contagiosa,
uma vez que não é transmitida
a través de animal para animal, ou destes
para o homem como outras doenças causadas
por germes patogênicos, e assim sendo,
não constituindo risco de contágio,
a não ser na eventualidade de produtos
do foco infectado, onde o germe está
presente, virem diretamente contaminar outras
feridas de novos animais ou de outros organismos
sensíveis ao mal.
O
cultivo do germe em meios artificiais especiais
exige ser essa cultura procedida em anaerobiose
( com oxigênio ausente) e é ativa,
e caso inoculada em animal sensível é
a doença reproduzida com todos os sintomas
que lhe são característicos, e
dependendo da dose inoculada, pode até
provocar a morte do animal inoculado, caso ultrapasse
um determinado limiar denominado de dose mínima
mortal.
Os
sintomas da doença que sobrevem sempre
após ocorrência de ferimentos contaminados
com terra, e invariavelmente na sua fase de
cicatrização , como foi anteriormente
comentado e explicado, caracterizam-se por febre
alta de até 41 graus centígrados,
com contraturas musculares do tipo clônicas,
que sobrevem principalmente após estímulo
do animal à luz ou a ruidos externos,
como por exemplo estampidos ou mesmo simples
bater de palmas com as mãos. São
particularmente sensíveis à doença
os animais da espécie eqüina, mais
sensíveis até que o homem, considerando-se
proporcionalmente seus pesos, e naquela espécie
animal, os primeiros sintomas são de
contratura espasmódica dos músculos
da região cervical e da cabeça,
progredindo tal tetania, assim chamada tal contratura
espasmódica dos músculos em sintonia
com o nome da moléstia, repito, segue-se
tal tetania da região cervical para a
região torácica, e desta para
os membros, tanto anteriores como posteriores,
assumindo o animal atitude típica que
para os veterinários é denominada
de postura de banco de sapateiro. Nessa postura,
ficam os eqüinos doentes do mal, com os
membros anteriores e posteriores afastados entre
si, com a cauda estendida em atitude chamada
em bandeira, semelhante à postura normal
da cauda de animais da raça árabe.
Os
músculos enrijecidos da cara dão
ao eqüino doente, um ar de riso denominado
sardônico, com os lábios estáticos
e sem movimentação, contrariamente
ao estado desses animais quando sadios, que
têm os lábios sempre com bastante
movimentação. Os olhos excessivamente
parados e sem movimentação, apresentam-se
com projeção da terceira pálpebra
( membrana esta característica dos eqüinos
e que normalmente fica escondida, coberta pela
pálpebra superior do animal). A palpação
da musculatura do animal , tem-se a impressão
ao tacto de estar-se tocando uma tábua,
tal a rigidez da musculatura, principalmente
na região cervical da chamada tábua
do pescoço e da garupa.
Para
outras espécies animais os sintomas são
semelhantes aos anteriormente descritos para
eqüinos, porém não necessariamente
iguais, assim como para o homem que também
apresenta tatania bem característica.
Evoluindo a doença, o que acontece com
extrema rapidez, sobrevem dificuldade respiratória
devida ao enrigecimento da musculatura intercostal
e do diafragma, sobrevindo a morte por asfixia
devido esse enrigecimento determinar impossibilidade
do ato da respiração.
Como foi explicado anteriormente, o sangue devido
a lise dos glóbulos vermelhos determinada
pela tetanolisina vai se liqüefazendo podendo
ocorrer hemorragias expontâneas pelos
orifícios naturais, o que também
é detectável, por simples observação
clínica ou exame laboratorial direto
do referido sangue.
Os
antibióticos derivados da Penicilina
têm ação específica
contra o Clostrídio, porém não
contra suas duas toxinas, assim sendo, quando
a doença for detectada com os seus sintomas
já estabelecidos pouco ou nenhum sucesso
será alcançado em sua cura, a
simples administração de antibióticos,
sem a complementação necessária
com soro hiperimune contra o Tétano.
Para
prevenção do tétano, dispõe-se
de meio altamente eficiente, como é a
vacinação com ANATOXINA TETÂNICA,
preparada pelo método denominado de Ramon
y Cajal; Referidos pesquisadores, trataram pelo
formol as toxinas do germe, o que provoca sua
inativação e atenuação,
incapacitando-as a reproduzirem a doença,
porém mantendo seu poder antigênico,
capacidade esta que é própria
do organismo animal, de quando estimulado por
determinadas substâncias que lhe são
estranhas, de produzir anticorpos específicos
contra referidas substâncias que não
lhe são próprias, os quais anticorpos
fazem parte do mecanismo de defesa contra doenças.
Assim sendo, a vacinação de todas
as espécies animais susceptíveis
a contrairem o tétano, é a melhor
maneira para se prevenir do mal; Complementarmente,
o tratamento dos ferimentos causados tanto na
pele como em mucosas, principalmente se contaminados
por terra, com a utilização de
anti-sépticos eficientes e quando possível,
também de ação duradoura,
além da aplicação de penso
no local afetado e exposto por solução
de continuidade da pele.
É
o chamado Soro Hiperimune contra o Tétano,
preparado com aplicação da vacina
em doses progressivamente crescentes em animais
que são posteriormente sangrados, constituindo
a fração gama das globulinas do
sangue, o substrato específico para o
tratamento de animais enfermos de tétano.
Tal fração hoje é produzida
tanto em sua forma líquida, constituído
então o chamado soro anti tetânico,
assim como também sob forma sólida
( em pó), neste caso chamado de Soro
antitetânico liofilisado.
CARMELLO
LIBERATO THADEI - MÉDICO VETERINÁRIO
- CRMV-SP-0442.
