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UMA VACA CAMPEà

Autores:

Wilmar Sachetin Marçal
Médico Veterinário, Professor Associado da Universidade Estadual de Londrina, Londrina - PR.

Cesar Souza Hisasi
Acadêmico de Medicina Veterinária na Universidade Estadual de Londrina, Londrina - PR.
Introdução

Para se formar uma vaca campeã de produtividade é preciso começar a cuidar dos animais, ainda na fase de bezerras.
Logo que nasce, a bezerra deve receber cuidados especiais, para mais tarde demonstrar, com boa produção, todo investimento aplicado pelo criador.
O manejo das bezerras é um dos mais importantes passos dentro de uma exploração leiteira moderna, já que a criação correta, se faz necessária e deve ser seguida criteriosamente, pois serão as grandes produtoras do rebanho no futuro, gerando divisas e sustento na propriedade rural.
É importante frisar que o manejo começa antes mesmo do nascimento da bezerra. A vaca que está gestando deve receber alimentação equilibrada e de boa qualidade. Próxima do parto, deve ser mantida em um piquete maternidade, onde é observada o tempo todo. No 8º mês de gestação deve-se aplicar a vacina contra pneumoenterite, seguindo a recomendação da bula do produto.

 Cuidados com a Bezerra:

Se a vaca tiver em boas condições de saúde, o parto deve ocorrer normalmente, sem a ajuda de leigos. Logo após o nascimento, deve-se limpar a boca e as narinas da bezerra retirando secreções e desobstruindo para melhor respiração. É interessante efetuar a massagem sobre as costelas, de modo cuidadoso, quando o animal tiver dificuldade de respiração.

 Colostro:

Nos primeiros três dias, após o nascimento, deve-se fornecer o colostro aos recém nascidos e o prazo ideal é de até 6 horas após o nascimento. O animal deve, de uma forma natural ou artificial, receber o colostro. Isto implicará em um melhor aproveitamento por parte do recém nascido, uma vez que, com o passar das horas haverá queda no índice cao de absorção das imunoglobinas (anticorpos). Quanto mais tempo demorar em fornecer colostro, menor será a chance de defesa do organismo do animal contra doenças que poderão ser adquiridas. Isto pode comprometer seu desenvolvimento e torná-lo mais fraco.
Cordão Umbilical:

O cordão umbilical deve ser cortado a mais ou menos três dedos da base e a desinfecção deverá ser feita com tintura a base de iodo a 2 ou 5%, durante os três primeiros dias, 3 vezes ao dia.

 Alimentação:

Durante os 3 primeiros dias, fornecer colostro à vontade várias vezes ao dia, podendo ser em mamadeiras ou através de balde.

Uma ração inicial de boa qualidade pode ser fornecida às bezerras uma semana após o parto, sempre sob orientação de um médico veterinário.

É interessante fornecer as bezerras a quantidade de 10% de leite referente ao seu peso. Ex: Bezerro de 40 Kg deverá consumir 4 litros de leite ao dia, isto é, dividido em 2 vezes, 2 litros de manhã e 2 à tarde. A partir da 4º a 6º semana de vida, deve-se colocar feno de boa qualidade à vontade para as bezerras, isto estimulará o funcionamento dos pré-estômagos.

Aos 60 dias já se pode efetuar o desmame, o que chamamos de desmame precoce. Nesta fase a bezerra deverá estar comendo de 1 a 1,2 Kg de ração ao dia.

É importante lembrar que deve haver no bezerreiro água de boa qualidade disponível para as bezerras durante o tempo todo. Sombra é sempre bom, especialmente para evitar o estresse térmico.

Resumo do Manejo Sanitário:

O Calendário de Vacinação deve seguir o seguinte esquema:
Pneumoenterite: A 1º base deve ser feita aos 7 dias de vida do animal, sendo 2 ml por via subcutânea. Deve-se repetir a dosagem aos 15 e 30 dias, com a mesma dosagem.
Carbúnculo: Vacinar os animais a partir do 3º mês de vida. Revacinar anualmente.
Brucelose: Vacinar entre o 3º e o 8º de idade, tendo em vista que a melhor época é entre 4 e 6 meses de vida.
Vermífugos: Aplicar a 1º dose a partir de 1 semana de idade e repetir a cada 30 dias, até completar 1 ano.
Vacina contra a Febre Aftosa: A partir do 2º mês de vida já deve receber a 1º dose e então nas campanhas.
Carrapaticidas e Bernicidas: Devem ser controlados assim que necessário.
Moscas-do-Chifre: Notando a infestação acima de 100 moscas por animal, deverá ser controlado imediatamente.
Mochação: Assim que aparecer o botão do chifre deve ser cortado e queimado.
Identificação: Poderá ser através de brincos, fichas individuais, contendo todos os dados dos animais.

Retirada De Tetos Supranumerários

A presença de tetos supranumerários é uma ocorrência freqüente na pecuária leiteira. Quando presentes, seu número varia de 1 a 3 por animal e podem estar situados ou posteriormente ou entre os tetos normais. Tetas supranumerárias também podem estar localizadas no úbere atrás das tetas posteriores, entre as posteriores e as anteriores, ou ligadas com as anteriores ou com as posteriores. Elas são facilmente removidas com uma tesoura afiada quando o animal possui idade de 1 semana até 30 dias no máximo. A prática de remoção da teta supranumerária deve ser a mais precoce possível . se a retirada é feita, com o animal já adulto, ocorrerá reação cicatricial que causará assimetria da mama e desvalorização zootécnica. 

 


LITERATURA CONSULTADA

1) ALLEN, W.M.; DAVIES, D. C. Milk fever, hypomagnesaemia and the downer cow syndrome. British Veterinary Journal. 137 (4) 435-441, 1981.

2) ANDREWS, A. H. et al. Bovine medicine. London. Blackwell Scientific Publications, 1992, p.922.

3) BLOOD, D.C.; RADOSTITS, O.M. Clinica Veterinária. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan S.A. 7 ed. 1991. P.937-939.

4) CORREA, M.T.; ERB, H.N.; SCARLETT, J.M. Risk factors for downer cow syndrome. Journal of Dairy Science, 76: 3460-3463, 1993.

5) COX, V.C. Non systemic causes of downer cow syndrome. Veterinary clinics of North America: food animal practice, 4(2), 413-433, 1988.

6) HOWARD, J.L. Current Veterinary therapy food animal practice 2. Philadelphia. W.B. Saunders Company, 1986, p.1008.

7) MARÇAL, W.S. O decúbito em bovinos. Folha de Londrina (Folha Rural) nº687, 17 de junho de 1988, pág.3.

8) SMITH, B.P. Tratado de Medicina Interna de Grandes Animais. Manole. São Paulo, 1993. p..1328.

9) WEAVER, A. D. Lamennes in cattle. 3d. Philadelphia. W.B. Saunders Company. 1997. P.336.

 

 

 

CONDIÇÕES DE USO DE IMAGENS E TEXTOS

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